
Bahia 1 x 1 Corinthians: Bom pelo que o Timão produziu, três gols anulados salvaram, SAF e Memphis
Angileri abriu o placar com uma bomba, mas o Corinthians não manteve o ritmo e viu o Bahia dominar o jogo. O ponto em Salvador tem valor, mas o desempenho deixou a desejar
Emerson Melo
7/27/2026
Antes do jogo, um empate contra o Bahia fora de casa seria pra assinar embaixo. Depois de ver o que rolou nos noventa minutos, o ponto tem um gostinho de alívio — e os três gols anulados do Bahia tiveram participação decisiva nisso.
Corinthians e Bahia empataram em 1 a 1 na Fonte Nova, em Salvador, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado, isoladamente, é razoável: o Bahia briga nas primeiras posições da tabela, joga em casa, e arrancar um
ponto de lá não é demérito. O problema é o conteúdo do jogo, que deixou bem mais a desejar do que o placar sugere...
O Corinthians abriu o placar aos 8 minutos com Angileri — uma bomba de fora da área que entrou no alto. Golaço. E então, em vez de manter o ritmo e tentar ampliar, o time recuou, cedeu o controle do jogo ao Bahia e passou a maior parte dos 90 minutos tentando segurar um resultado que ficou cada vez mais difícil de manter. O empate do Bahia no finalzinho do primeiro tempo foi o reflexo justo do que aconteceu em campo.
Os três gols anulados
Aqui está o detalhe que torna o empate mais palatável: o Bahia teve três gols anulados ao longo da partida — todos corretamente. O primeiro, logo após abrir o marcador, foi anulado por impedimento detectado pelo sistema semiautomático, que estreou oficialmente no Brasileirão. O segundo foi anulado por falta em cima de Angileri antes da conclusão — pé alto que o árbitro apitou corretamente antes que a bola entrasse. O terceiro veio no segundo tempo, também anulado.
Três gols. Todos corretamente anulados, mas isso mostra que o Bahia produziu o suficiente para vencer o jogo — a superioridade em campo foi clara — mas a arbitragem e a tecnologia aplicaram as regras com corretamente. Nisso não tem do que reclamar. O Corinthians deve parte desse ponto às decisões certas que foram tomadas.
Vale registrar a estreia do impedimento semiautomático. O formato apresentado foi diferente do que a Copa do Mundo mostrou — em vez da animação em perspectiva que reconstrói a jogada e mostra exatamente qual frame foi usado para detectar o impedimento, o sistema exibiu uma imagem estática de computação gráfica. Para o lance do Bahia, a conclusão estava correta — o impedimento era claro mesmo antes de ver a imagem. Mas seria mais convincente e transparente se o formato fosse igual ao da Copa: mostrar o frame exato que motivou a marcação, especialmente nos casos em que a margem é menor.
O que o Corinthians produziu — e o que não produziu
Puxando pela memória do jogo, as chances reais do Corinthians se resumem a: o gol de Angileri, um chute de Matheuzinho de longa distância no segundo tempo e um contra-ataque em velocidade que envolveu Caio César, Yuri Alberto e Garro — e que terminou com um toque muito forte de Garro para Bidon que não veio com a força certa. Fora isso, muito pouco.
O Corinthians jogou retrancado, defendeu bem na maior parte do tempo e criou pouco. Jogando fora de casa contra um adversário de qualidade, isso tem uma certa lógica — mas o time poderia ter trocado mais bola, criado mais situações de contra-ataque e usado melhor os momentos em que o Bahia se abriu.
Angeleri fez o gol mas teve uma partida difícil na marcação. Os pontas do Bahia — especialmente Ademir — são rápidos e dribladores, e o lateral foi bastante exigido fisicamente. É compreensível: fazia tempo que ele não jogava como titular, e o desgaste apareceu ao longo do segundo tempo. Diniz o substituiu por Milans no momento certo.
Carrillo entrou e chegou a ter uma situação em que o gol estava praticamente vazio após belo lançamento de Labyad, mas finalizou para fora quando o mais simples seria cruzar. É o tipo de lance que define jogo e que, quando não entra, fica na memória de quem assistiu.
Labyad, aliás, entrou bem — mais um jogo em que o marroquino mostrou que pode ser opção real quando chamado.
A falha no gol
O gol do Bahia veio no finalzinho do primeiro tempo, numa falha de marcação que não pode acontecer. O zagueiro baiano subiu sozinho na área — sem ninguém marcando — e cabeceou sem dificuldade. Gabriel Paulista e André não conseguiram acompanhar o movimento.
Houve uma ressalva sobre o gramado da Fonte Nova: a bola estava segurando muito, o que atrapalhava o tempo de reação de vários jogadores no momento de sair com a bola. Hugo Souza teve uma saída complicada por isso. Mas nos gols sofridos, especialmente em bola aérea, a justificativa do gramado não se aplica. Ali foi falta de atenção mesmo.
A Globo imitando a Cazé
Uma observação fora do campo que vale registrar: a Globo passou a fazer pré-jogo com mais antecedência, mostrando os estádios, as escalações e o clima antes da partida — algo que antes era território exclusivo da Cazé TV, que sempre teve o hábito de fazer lives longas antes dos jogos. A emissora claramente se inspirou no modelo e está tentando adaptar. Se for para copiar o que funciona, tudo bem. O problema é quando tentam copiar coisas que não deveriam — mas isso é conversa para outro momento.
SAF: o assunto que não pode ser ignorado
Fora de campo, o tema mais preocupante da semana não é o desempenho contra o Bahia. É a informação trazida pelo Cacá Catalão de que o presidente do Corinthians teria articulado, nos bastidores, uma SAF de amiguinho — ou seja, uma venda do clube para um grupo próximo a ele, sem passar pela SAFiel, que é o modelo que a torcida organizada defende e que prevê participação ativa dos torcedores no processo.
O presidente negou quando os Gaviões cobraram diretamente. Mas Catalão afirmou ter prints de conversas que sustentam a informação — e disse que está disposto a usá-los como prova caso seja processado. O fato de o presidente não ter questionado publicamente o jornalista até agora é, no mínimo, um sinal de alerta que não pode ser ignorado.
A torcida corintiana precisa seguir vigilante. O Corinthians em boas mãos, com finanças organizadas, é o maior clube do Brasil — todo mundo sabe disso, inclusive os rivais. E exatamente por isso existe gente interessada deixar as coisas ruins o suficiente para o preço baixar. A Fiel não pode deixar isso acontecer.
Memphis: Meio-termo na renovação?
Para fechar com uma notícia mais animadora: o staff de Memphis Depay teria proposto um acordo intermediário ao Corinthians. Em vez de um contrato de um ano — que era o que o clube queria inicialmente — ou três anos — que era o que o jogador pedia —, a proposta seria de dois anos com possibilidade de renovação automática por mais um, desde que determinadas metas de minutagem e jogos sejam atingidas.
Em relação à dívida de luvas e prêmios em aberto, o valor ficaria diluído em 36 parcelas caso o contrato seja estendido pelo terceiro ano. Se Memphis não renovar ao fim do segundo ano, o montante referente ao último ano precisa ser quitado de uma vez pelo Corinthians ao término do vínculo.
É uma proposta equilibrada que abre espaço real para acordo. O Corinthians ganha previsibilidade sem comprometer demais o caixa de uma vez. Memphis fica com a segurança de dois anos garantidos e a motivação das metas para o terceiro. Agora é torcer para a diretoria enxergar valor na proposta e fechar logo — porque o tempo está acabando e o calendário não espera.

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