
Corinthians 1 x 0 Rosario: Memphis volta, Bidon decide e o Timão está nas quartas da Libertadores
Com a Neo Química Arena lotada e Raniele expulso no segundo tempo, o gol de casquinha do volante após cobrança de falta de Memphis foi o tipo de roteiro que só o Corinthians escreve — e só a Fiel sabe apreciar
Emerson Melo
8/21/2026
Aquele sofrimento que todo corintiano raiz conhece. 90 minutos de tensão, adrenalina, um expulso, o Rosário travando o jogo, os pênaltis aparecendo no horizonte — e então Garro e Memphis na bola, o holandês cruza, Bidon dá uma casquinha e a Arena explode.
O Corinthians está nas quartas de final da Copa Libertadores da América 2026. Com um a menos por 30 min no segundo tempo, a Neo Química Arena lotada empurrando, e Memphis Depay entrando pra
fazer a diferença, Breno Bidon apareceu deu uma casquinha na cobrança de falta e deu à Fiel o tipo de noite que não tem preço. Gol de descarrego. Gol de quartas de final. Gol que vai ficar na memória por muito tempo.
Primeiro tempo: o Rosario travou — e funcionou
O Corinthians começou o jogo visivelmente nervoso. A primeira chance veio apenas aos 14 minutos, e durante boa parte do primeiro tempo o time de Diniz apareceu afobado, querendo resolver rápido demais e errando coisas bobas por conta disso. O técnico Jorge Almirón preparou o time argentino especificamente para este jogo — trocou jogadores titulares, montou um bloco defensivo compacto e apostou no trava-jogo.
A única finalização do Corinthians na etapa inicial foi de Kaio César — que começou bem, mas foi sumindo ao longo do primeiro tempo até quase desaparecer. O goleiro Ledesma fez uma boa defesa e o placar ficou zerado no intervalo. O Rosario Central estava conseguindo exatamente o que queria: levar o confronto para os pênaltis com o empate no agregado.
A arbitragem também irritou desde cedo. Uma carga clara nas costas de Kaio César ignorada, um lance de bola na linha lateral onde claramente não saiu no domínio do Matheuzinho. O tipo de arbitragem fraca que em jogo tenso com time argentino é a combinação perfeita para fazer o sangue corintiano ferver.
A expulsão de Raniele — e a dúvida que fica
O momento mais delicado da noite veio no segundo tempo com a expulsão de Raniele. O volante foi ao lance e o VAR chamou o árbitro para rever — a expulsão foi confirmada. Mas a dúvida é legítima: foi um lance de bola, sem malícia aparente, numa disputa em que ele simplesmente tentou chutar e não tinha como puxar a perna a tempo. Deixando o clubismo de lado, a maioria dos torcedores realmente neutros que assistiram ao lance ficou dividida sobre a severidade da punição.
O Corinthians passou a jogar com dez. O Rosario Central pressionou ainda mais, criou situações e colocou Hugo Souza para trabalhar. A Neo Química Arena ficou tensa uma mistura de oração e torcida, tentando apoiar para os 10 que ficaram em campo suprissem a ausência de Ranielle.
Memphis entra — e o jogo muda de cara
Diniz não mexeu no intervalo, e durante boa parte do segundo tempo a dúvida que pairava era: Memphis entra ou não? O holandês estava sem ritmo de jogo, havia assinado a renovação de contrato recentemente e esta seria sua primeira aparição. Numa situação com um a menos, colocar um jogador sem minutagem é uma aposta — mas uma aposta que fez sentido.
Quando Memphis entrou, algo mudou. Não foi uma mudança óbvia de criação de chances — o Rosario continuava pressionando. Mas a presença dele alterou a lógica do jogo. O time conseguiu algumas escapadas que com Pedro Raul sozinho na frente simplesmente não existiam. Memphis tem a capacidade de segurar a bola, de dar um passe na hora certa, de criar o segundo de respiro que o time precisava para não afundar.
E então veio a falta. Matheus Bidu segurou a bola no lado esquerdo com inteligência, foi derrubado e o Corinthians ganhou cobrança perto da área. Garro foi para a bola. Memphis também. Os dois se olharam. Garro deu uma piscadinha. Memphis bateu rasteiro — intencional ou não, foi uma cobrança diferente do que o Rosario esperava, porque todo mundo imaginava que com zagueiros altos na área viria um cruzamento. A bola passou pela barreira, Breno Bidon chegou de casquinha.
Gol. 1 a 0. A Neo Química Arena explodiu.
O gol que vale mais do que um resultado
É difícil explicar para quem não é corintiano o que significa um gol desse em um momento desses. 90 minutos de sofrimento acumulado, um expulso, o adversário crescendo, os pênaltis chegando no horizonte — e então aquele segundo de silêncio antes de a bola entrar, seguido de um barulho que só 47 mil pessoas juntas conseguem fazer.
Minha mãe falou que foram duas horas de sofrimento para dez segundos de alegria. Respondi que essa alegria não vale apenas os 90 minutos — vale dias. É o tipo de vitória que o corintiano guarda no peito por semanas.
Os protestos da torcida — e o que eles significam
Antes e durante o jogo, a Fiel fez mais do que torcer. As organizadas estenderam faixas pedindo intervenção judicial no clube, "chega de amadorismo", voto do torcedor. Na véspera, havia sido organizado um ato em frente ao Ministério Público. No sábado seguinte, outro protesto está marcado no Parque São Jorge.
É um sinal importante. Por muito tempo, as organizadas ficaram em compasso de espera nas questões políticas do clube. A manifestação pública e explícita a favor da intervenção judicial coloca pressão no Ministério Público para que o processo não fique apenas na gaveta. Quando existe uma massa organizada de pessoas cobrando publicamente, o ritmo das coisas tende a mudar. Pelo menos a esperança é essa.
Quartas de final — e o que vem pela frente
O Corinthians está nas quartas de final da Copa Libertadores. Conquistou essa vaga com um a menos, com a Neo Química Arena fazendo a parte dela, com um gol que vai entrar para a história do torneio no clube. O próximo adversário será o Estudiantes também da argentina — mas o que importa agora é celebrar.
O Corinthians cresce nessas horas. Sempre cresceu. E com Memphis de volta, com Garro encontrando o ritmo, a iminente volta de Yuri Alberto, com a Fiel unida dentro e fora de campo... Quem conhece o Corinthians sabe que o impossível não existe!
Vai Corinthians.

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