Corinthians 1 x 1 Vitória: empate frustrante, Seedorf inicia a mudança no Timão

Corinthians empata por 1 a 1 com o Vitória, volta a pontuar após oito derrotas seguidas e mostra alguns sinais de melhora no primeiro jogo de Seedorf, mas ainda precisa evoluir muito para escapar do rebaixamento.

Emerson Melo

10/20/2026

O Corinthians voltou a pontuar no Campeonato Brasileiro depois de uma sequência desastrosa de oito derrotas consecutivas. O problema é que o empate por 1 a 1 com o Vitória, na Neo Química Arena, ficou com aquele gosto de oportunidade desperdiçada. Jogando em casa, diante de um adversário que também precisa somar pontos para não se complicar na parte de baixo da tabela, o Timão poderia ter saído com a vitória. Por outro lado, considerando o momento terrível que a equipe atravessava, o primeiro jogo de

Clarence Seedorf como treinador e alguns sinais de melhora apresentados em campo, não consigo olhar para o resultado apenas pelo lado negativo.

É claro que ninguém queria esse empate. Depois de tantas derrotas, a torcida precisava de uma vitória para respirar um pouco mais aliviada. Mas gostei de alguns aspectos do que vi. O Corinthians teve momentos um melhor futebol, um pouco mais intenso. Mostrou mais disposição para brigar pelas jogadas e criou oportunidades para vencer. Ainda há muita coisa para melhorar, mas não acho que o resultado tenha sido uma tragédia completa. Para mim, o copo está meio cheio, embora eu entenda perfeitamente quem terminou a partida revoltado por deixar dois pontos pelo caminho.

Corinthians mostrou alguns sinais de melhora no primeiro jogo de Seedorf

Não dá para exigir que um treinador transforme completamente uma equipe de um dia para o outro. O Corinthians vinha de oito derrotas seguidas no Brasileirão, sob o comando de Fernando Diniz, e atravessava um período de enorme desgaste emocional. Uma troca no comando pode até trazer aquele ânimo inicial, o famoso fato novo, mas não apaga automaticamente os problemas acumulados nem devolve totalmente a confiança dos jogadores.

Por isso, acredito que seja necessário analisar o primeiro jogo de Seedorf com um pouco de cautela. Não seria justo colocar o empate inteiramente na conta do treinador, assim como também não dá para atribuir a ele todos os méritos pelos bons momentos da equipe. O holandês teve pouquíssimo tempo para trabalhar e ainda está conhecendo o elenco, entendendo as características dos jogadores e identificando quais peças podem funcionar melhor em seu sistema.

Mesmo assim, já consegui perceber algumas coisas interessantes. O Corinthians procurou trabalhar mais a bola, aproximar os jogadores e construir jogadas por meio de triangulações e passes rápidos. Em determinados momentos, a equipe tentou fazer a bola circular com mais velocidade, buscando movimentação e alternativas para encontrar espaços na defesa adversária.

Durante a transmissão, chegou a ser mencionada a ideia de um carrossel, possivelmente em referência ao famoso carrossel holandês. Ainda é cedo para dizer até que ponto essa será uma característica marcante do trabalho de Seedorf, mas gostei de perceber uma tentativa de implementar uma maneira diferente de jogar.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o espírito de luta do time. Não estou dizendo que o Corinthians fez uma partida perfeita ou que, de repente, voltou a ser aquela equipe que gostaríamos de ver. Longe disso. Mas senti os jogadores um pouco mais participativos, brigando mais pelas jogadas.

Fica aquela frustração de que o Corinthians poderia ter aproveitado melhor a pausa para a Data Fifa. Se a diretoria já não tinha tanta convicção no trabalho de Fernando Diniz, talvez tivesse sido melhor tomar a decisão antes e permitir que Seedorf utilizasse esse período para conhecer o elenco e começar a implementar suas ideias. Agora, o treinador precisa fazer esse trabalho com o campeonato em andamento e com o time pressionado por resultados.

As escolhas de Seedorf e o que ainda precisa melhorar

Outro ponto interessante foi a escolha de algumas peças diferentes em relação às formações que vínhamos vendo anteriormente. Um dos exemplos foi a entrada de Angileri na lateral esquerda, no lugar de Matheus Bidu. Inicialmente, cheguei a pensar que a mudança tivesse ocorrido por causa dos incômodos físicos que vinham sendo comentados sobre Bidu, mas, pelo que foi possível entender, a escolha foi técnica pois Bidu acabou entrando posteriormente na partida.

No ataque, Seedorf apostou em Lingard e Vitinho ao lado de Yuri Alberto. São jogadores que não vinham recebendo tantas oportunidades com os treinadores anteriores, e é natural que o novo comandante queira observar alternativas para encontrar a melhor formação possível.

O Vitinho não foi nada demais, mas também não comprometeu, me pareceu uma opção interessante dentro da proposta apresentada. Já Lingard teve alguns momentos em que pareceu perdido em campo. Ele até participou de uma boa tabela que terminou com uma finalização, mas, no geral, não achei que tenha feito uma grande atuação. Particularmente, teria preferido ver Kaio César naquela função, ao lado de Vitinho e Yuri Alberto.

É claro que essa é apenas a minha opinião. Seedorf está começando a conhecer os jogadores, provavelmente também recebeu informações da equipe de análise de desempenho e precisa testar alternativas para descobrir o que funciona melhor. Não podemos esperar que ele acerte todas as escolhas logo no primeiro jogo.

Rodrigo Garro também me pareceu mais participativo. Ainda está muito distante daquele jogador que vimos em 2024, e seria exagero dizer que voltou a apresentar o mesmo futebol. Mas percebi algumas boas jogadas e uma participação maior na construção ofensiva. É um sinal positivo, embora ainda exista um longo caminho para que ele recupere seu melhor nível.

Yuri Alberto, por sua vez, conseguiu marcar de pênalti, mas ainda parece precisar de ritmo e confiança. O gol é sempre importante para um atacante, mas o Corinthians vai precisar muito dele na sua versão "prime" pra sair dessa posição incomoda na tabela.

Corinthians jogou melhor no primeiro tempo, mas sofreu aquele gol ...

Na minha avaliação, o primeiro tempo foi o melhor momento do Corinthians na partida. A equipe procurou pressionar o Vitória, teve iniciativa ofensiva e tentou construir jogadas para abrir o placar. Era aquele tipo de atuação que fazia a gente pensar que, finalmente, o Timão poderia conseguir uma vitória para começar a sair do buraco.

Só que a fase é tão complicada que parece que qualquer coisa pode acontecer para estragar o nosso dia.

Quando o Corinthians vinha apresentando um futebol interessante e tentando chegar ao gol, sofreu o gol do Vitória no fim da primeira etapa. Naquele momento, foi impossível não lembrar de outras partidas recentes, especialmente da goleada sofrida diante do Palmeiras, quando Matheus Bidu até marcou contra... PARECE QUE TUDO DÁ ERRADO!

É aquela sensação de olhar para a televisão e pensar: “Puta merda, será que vai acontecer tudo de novo?”. O time começa a jogar bem, parece que finalmente vai conseguir um resultado positivo, mas, de repente, toma um gol e tudo fica mais difícil.

Esse tipo de situação também mostra como a confiança de uma equipe pode ficar abalada depois de uma sequência tão negativa. O Corinthians precisava de uma resposta, mas não poderia simplesmente esquecer o que aconteceu nas últimas semanas. Mesmo quando o time fazia algumas coisas certas, ainda existia o medo de que algo desse errado novamente.

Felizmente, dessa vez o Timão conseguiu reagir e evitar mais uma derrota. Não foi o resultado que queríamos, mas, depois de oito derrotas consecutivas, voltar a somar pontos no Campeonato Brasileiro já representa uma pequena mudança no cenário.

Yuri Alberto marca de pênalti e Corinthians empata

O Corinthians voltou para o segundo tempo tentando manter a pressão. Em determinado momento, Vitinho e Garro chegaram a ficar próximos para decidir quem cobraria uma falta, que acabou sendo batida por Vitinho e defendida pelo goleiro do Vitória.

Mas os lances que realmente marcaram a etapa final foram as jogadas envolvendo possíveis pênaltis.

No lance que resultou no empate corinthiano, André foi derrubado dentro da área. Inicialmente, a arbitragem entendeu que havia ocorrido simulação e aplicou cartão amarelo ao jogador do Corinthians. Depois da revisão do VAR, porém, a decisão foi alterada e a penalidade foi marcada.

A discussão sobre o lance também apareceu durante a transmissão. Um dos comentaristas inicialmente demonstrou discordância, enquanto outros integrantes da equipe entenderam que houve contato suficiente para a marcação. Após a revisão, a penalidade foi confirmada, e Yuri Alberto assumiu a responsabilidade pela cobrança.

O camisa 9 bateu muito bem e deixou tudo igual. Foi um gol importante, não apenas por recolocar o Corinthians na partida, mas também pelo aspecto psicológico. Depois de um período tão complicado, voltar a marcar e ajudar a equipe a conquistar um ponto pode contribuir para recuperar um pouco da confiança.

Corinthians ainda teve outras oportunidades de pênalti

Depois do empate, o Corinthians continuou buscando o gol da virada e teve outros lances que geraram reclamações.

Em uma das jogadas, Matheus Bidu recebeu a bola pela ponta esquerda e a bola acabou tocando no braço de um jogador do Vitória dentro da área. A princípio, o lance seria pênalti claro, mas havia um impedimento anterior do lateral corinthiano. Pelas imagens, Bidu parecia estar ligeiramente adiantado, o que acabou impedindo que a jogada resultasse em pênalti.

Confesso que tenho minhas ressalvas em relação a algumas aplicações do VAR semiautomático, mas, nesse lance específico, a posição de Bidu parecia estar adiantada o suficiente para justificar a decisão. É frustrante porque, sem o impedimento, o toque no braço certamente seria penalidade.

Já nos minutos finais, surgiu outra jogada polêmica. Gui Negão tentou finalizar, mas houve um puxão em sua camisa no momento da conclusão. A dúvida era se o contato tinha intensidade suficiente para impedir o atacante de executar o chute e, consequentemente, justificar a marcação de outro pênalti.

Na minha visão, ficou a impressão de que o puxão atrapalhou a finalização. Quando um jogador está prestes a chutar e sofre um contato que o desequilibra ou impede a conclusão da jogada, acredito que o lance merece uma análise cuidadosa. Ao mesmo tempo, entendo que a arbitragem precisa avaliar a intensidade do contato e se ele realmente foi determinante para atrapalhar a finalização.

A jogada seguiu, e Garro ainda conseguiu finalizar. O goleiro do Vitória fez uma bela defesa e evitou o gol da virada corinthiana.

No fim das contas, o Corinthians não conseguiu marcar o segundo gol e a partida terminou empatada em 1 a 1. Fica a frustração por não ter aproveitado melhor as chances, mas também a percepção de que o time teve condições de conquistar a vitória.

Faixa pedindo intervenção volta a chamar a atenção na Neo Química Arena

Além do que aconteceu dentro de campo, um detalhe nas arquibancadas chamou a minha atenção: a faixa pedindo intervenção no Corinthians permaneceu exposta no estádio.

Digo isso porque já vimos episódios em que manifestações contrárias à diretoria foram alvo de restrições. Houve, por exemplo, a discussão envolvendo a tentativa de entrada de torcedores com bonés e faixas ligados à SAFiel. Em outras ocasiões, manifestações desse tipo acabaram sendo retiradas rapidamente.

Dessa vez, a faixa permaneceu estendida, e a mensagem expressava um sentimento que vem crescendo entre parte da torcida: a insatisfação com o modelo de gestão e com a situação política e administrativa do clube.

Particularmente, sou favorável a uma mudança profunda na maneira como o Corinthians é administrado. A crise não se resume aos resultados do futebol. Ela também envolve decisões de gestão, planejamento, contratações e a capacidade de transformar o potencial financeiro e esportivo do clube em resultados concretos.

E o próprio jogo contra o Vitória acabou oferecendo um exemplo que ajuda a entender essa discussão.

O caso de Renê e a discussão sobre o modelo de gestão do Corinthians

Um dos assuntos que mencionei durante a resenha foi a situação de Renê, jogador do Vitória que marcou contra o Corinthians. O atleta foi uma oportunidade de contratação que o Timão deixou escapar.

A informação que circulou era de que o Corinthians teve a possibilidade de contratar Renê por um valor na casa dos R$ 700 mil, mas a negociação não avançou porque a preferência de Stabile seria por um empréstimo. O Vitória acabou contratando o jogador, que vem apresentando números expressivos no Campeonato Brasileiro.

É justamente esse tipo de situação que me faz questionar a maneira como o Corinthians trabalha no mercado. Se um atleta está sendo monitorado e apresenta características que podem ajudar o time, não seria necessário avaliar com cuidado o custo da contratação, o potencial de valorização e a possibilidade de ele se tornar um ativo do clube?

Não estou dizendo que toda oportunidade de mercado vai dar certo, porque futebol não funciona assim. Um jogador pode apresentar bons números em uma equipe e não conseguir repetir o desempenho em outra. Mas é justamente por isso que o trabalho de análise de desempenho precisa ser sério, com critérios claros e planejamento de longo prazo.

Quando o clube deixa passar oportunidades que poderiam ser interessantes e, ao mesmo tempo, mantém compromissos financeiros elevados com jogadores que não entregam o esperado, fica difícil não questionar a qualidade das decisões tomadas.

Na minha visão, um modelo de gestão que trate o futebol com planejamento empresarial, como propõe a SAFiel, poderia ajudar a estruturar melhor esse processo. Isso não significa que uma SAF resolveria todos os problemas automaticamente, mas uma administração com metas, análise de mercado, responsabilidade financeira e cobrança por resultados seria um caminho interessante para o Corinthians.

Por isso, a faixa pedindo intervenção representa, para mim, uma insatisfação que vai muito além de um resultado ruim. É uma cobrança por mudanças estruturais e por uma gestão que consiga aproveitar melhor o tamanho e o potencial do clube.

Empate mantém o Corinthians fora do Z-4, mas a situação continua preocupante

Apesar da frustração pelo empate em casa, o resultado teve uma consequência importante na classificação. Com as derrotas de Internacional e Grêmio na rodada, o Corinthians conseguiu permanecer fora da zona de rebaixamento por mais uma rodada.

É claro que isso não pode ser motivo para comemoração. O Corinthians continua em uma situação delicada e precisa melhorar muito para não terminar o campeonato entre os últimos colocados. Um empate ajudou a manter o time fora do Z-4 momentaneamente, mas não resolve os problemas que levaram à sequência de oito derrotas.

Ainda assim, é importante reconhecer que o time finalmente voltou a pontuar. Depois de tanto tempo perdendo, conquistar um ponto pode representar o início de uma recuperação, desde que a equipe consiga dar continuidade aos sinais positivos apresentados contra o Vitória.

Agora, Seedorf terá mais tempo para conhecer os jogadores, trabalhar suas ideias e preparar o Corinthians para o próximo compromisso. A expectativa é que, com o treinador regularizado para comandar a equipe à beira do campo, seja possível observar uma evolução ainda maior.

O holandês já teve um primeiro contato com a torcida e participou do tradicional “poropopó”, sentindo um pouco do ambiente que envolve o Corinthians. É um começo, mas a relação com o torcedor será construída principalmente dentro de campo, com desempenho e resultados.

O copo está meio cheio ou meio vazio?

Eu entendo quem terminou a partida irritado. O Corinthians jogou em casa, teve momentos melhores, criou oportunidades e poderia ter conquistado três pontos fundamentais na luta contra o rebaixamento. Em uma situação normal, deixar uma vitória escapar dessa maneira já seria frustrante. No contexto atual, com a equipe precisando desesperadamente de pontos, a tristeza é ainda maior.

Mas também acho necessário considerar o cenário em que o clube se encontrava. Foram oito derrotas consecutivas no Brasileirão, uma troca de treinador e pouquíssimo tempo para o novo comandante trabalhar. Não dá para esperar que todas as deficiências desapareçam de uma hora para outra.

Por isso, fico com a visão do copo meio cheio. Gostei de alguns sinais apresentados pelo Corinthians, percebi uma equipe mais participativa em determinados momentos e acredito que Seedorf pode conseguir melhorar o desempenho conforme conhecer melhor o elenco. Isso não significa passar pano para os erros ou aceitar empates em casa como se fossem grandes resultados.

O Corinthians precisa melhorar muito, a torcida não quer apenas ver o time jogar um pouco melhor: quer voltar a vencer e ter tranquilidade para acompanhar o restante do campeonato.

E você, torcedor, ficou do lado do copo meio cheio ou do copo meio vazio? Acredita que o empate contra o Vitória pode marcar o início de uma reação sob o comando de Seedorf ou acha que o Corinthians deixou escapar dois pontos preciosos?

Vai, Corinthians!

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