
Corinthians 1 x 2 Cruzeiro: Garro sumiu e golaço do Gustavo Henrique não foi suficiente
Na Neo Química Arena, o Corinthians fez uma partida razoável mas pecou na eficácia — e o contra-ataque do Cruzeiro no segundo tempo sentenciou a derrota. Lesões de Gabriel Paulista e Breno Bidon são o ponto de atenção antes da Libertadores
Emerson Melo
8/16/2026
O Corinthians não fez um jogo tão ruim quanto o placar sugere. Fez chances, teve situações e ainda viu Gustavo Henrique marcar um voleio espetacular. Mas Garro não entregou o que deveria, Pedro Raul não assustou, e o Cruzeiro aproveitou o contra-ataque para fechar o jogo. Derrota que dói — e na pior hora possível.
O Corinthians perdeu para o Cruzeiro por 2 a 1 na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado interrompe uma sequência positiva e
chega num momento delicado: quinta-feira tem Rosario Central pela Libertadores, com vaga nas quartas de final em jogo. E as lesões de Gabriel Paulista e Breno Bidon durante a partida deixam a comissão técnica em alerta máximo.
Os ex-corintianos do outro lado — e o Fagner que surpreendeu
Sempre há uma camada emocional extra quando o Corinthians enfrenta times com ex-jogadores ilustres. Hoje o Cruzeiro trouxe Fagner no lado direito da defesa — e o lateral, aos 37 anos, fez uma partida acima do esperado. Em um dos lances mais simbólicos da noite, o veterano conseguiu tirar a bola dos pés de Garro numa corrida disputada. Se Fagner está ganhando a bola de Garro, algo não está certo com o argentino.
Cássio, outro ex-ídolo do clube que hoje defende a Raposa, não jogou. Wesley, que estava sendo cogitado para voltar ao Corinthians antes do transfer ban inviabilizar qualquer contratação, também está no elenco do Cruzeiro (mas também não jogou) — mais uma das ironias dolorosas que o momento financeiro do clube produz. João Costa, revelado nas categorias de base do Timão, também esteve em campo pelo adversário.
Primeiro tempo equilibrado — até o gol do Cruzeiro
O Corinthians escalou o que tinha de melhor disponível — Hugo Souza no gol, Matheuzinho e Matheus Bidu nas laterais, Gustavo Henrique e Gabriel Paulista na zaga, Alan e Carrillo no meio, Breno Bidon, Garro e Caio César mais avançados, com Pedro Raul como referência no ataque.
O começo foi equilibrado. Aos 15 minutos, Pedro Raul cabeceou com perigo. Carrillo foi um dos destaques positivos da noite — deu um toque de calcanhar precioso para Caio César numa das jogadas mais bonitas da partida, além de manter a intensidade durante todo o tempo em que ficou em campo. Um Carrillo nesse nível tem espaço no time.
O problema veio numa jogada que misturou uma bela defesa do Hugo Souza com um rebote fatal. O goleiro espalmou com categoria (alguns acharam falha), mas a bola sobrou limpa para o Cruzeiro, que abriu o placar. Foi daqueles lances em que o goleiro tenta fazer o impossível e o futebol não o recompensa.
Segundo tempo: o golaço que animou e o contra-ataque que matou
O Corinthians voltou para o segundo tempo com Lingard no lugar de Breno Bidon — o volante saiu com bolsa de gelo na coxa, o que acende um alerta para quinta-feira. O jogo ficou mais aberto, o Cruzeiro cresceu com a entrada da cavalaria do banco, mas foi exatamente nesse momento de pressão adversária que o Corinthians igualou.
Gustavo Henrique — que deveria ser o zagueiro mas virou o centroavante de área mais eficiente do time nesta noite — bateu de voleio com uma qualidade que Pedro Raul jamais entregou nos 90 minutos. Golaço. 1 a 1. A Neo Química Arena acordou.
Mas o jogo estava com o Cruzeiro. E numa jogada que resumiu os problemas da noite, o Corinthians tinha um contra-ataque promissor com Gui Negão — que, para o registro, fez mais nos minutos em que entrou do que Pedro Raul fez em todo o jogo. A bola chegou no pé de Garro. Ali precisava de uma decisão: deixar para Dieguinho que chegava por trás ou finalizar. O argentino não fez nem uma coisa nem outra, perdeu a bola, e o Cruzeiro saiu em espetada no contra-ataque para fazer o segundo. Jogo fechado.
Garro abaixo — e o que pode estar por trás disso
Rodrigo Garro foi o ponto mais preocupante da noite. Não pelo empenho — ele nunca deixa de correr — mas pela eficácia. A bola chegava nos seus pés em situações promissoras e morria ali. Perdeu divididas que não costuma perder, perdeu a bola até pra Fagner numa corrida, desperdiçou o contra-ataque do segundo gol. Uma noite bem abaixo do que é capaz de entregar.
A interpretação mais benevolente — e possivelmente a mais correta — é que Garro ressente a ausência de Yuri Alberto. O camisa 9 é o jogador que se desloca, que aparece nos espaços, que dá opções de passe entre as linhas. Pedro Raul não faz isso. Fica estático na área esperando cruzamento. E quando o centroavante não cria esses espaços, Garro fica sem referência de onde mandar a bola — o que o força a carregar mais, a segurar mais, e eventualmente a perder o timing das decisões.
Não é desculpa. É contexto. Mas é um contexto que o Corinthians precisa resolver — seja com o retorno de Yuri, seja com o retorno de Memphis.
Pedro Raul: a questão que não tem resposta fácil
Pedro Raul cabeceia fofo. Finaliza sem força. Ficou estático na área esperando cruzamentos que não vinham na altura certa — e quando vinham, não convertia. É difícil construir um argumento a favor da titularidade do centroavante quando Gustavo Henrique, um zagueiro, parece mais perigoso no jogo aéreo dentro da área.
Mas aqui cabe uma reflexão honesta: Pedro Raul é um centroavante de área que precisa de cruzamentos precisos para funcionar. O sistema de Diniz não foi construído para isso. O time joga com combinações curtas, trocas de passes rápidas e transições — não com cruzamentos sistemáticos de laterais. Colocar Pedro Raul num sistema que não foi desenhado para ele e depois criticá-lo por não funcionar tem uma contradição embutida. Ou se monta o esquema para ele — o que faz pouco sentido para um centroavante que não é o craque do time — ou se reconhece que ele simplesmente não é o perfil que o Corinthians de Diniz precisa.
As lesões que preocupam antes da Libertadores
Gabriel Paulista sentiu durante a partida e precisou ser substituído. Breno Bidon saiu com bolsa de gelo na coxa no intervalo. Os dois são titulares importantes no sistema de Diniz — Gabriel como zagueiro seguro e experiente, Bidon como volante com qualidade técnica acima da média. Perder os dois para quinta-feira seria uma complicação séria num jogo que vale vaga nas quartas de final da Libertadores.
O Corinthians vai precisar dos seus melhores para superar o Rosario Central em casa e avançar. A derrota para o Cruzeiro dói, mas pode ser esquecida rapidamente se a quinta-feira for boa. Primeiro passo: torcer para que as lesões não sejam graves.

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