
Corinthians 1x2 Chapecoense: Timão perde em casa e torcida perde a paciência
Corinthians perde de virada para a Chapecoense na Neo Química Arena, chega à quarta derrota seguida e aumenta a pressão antes do jogo pela Libertadores. Torcida dessa vez não poupou os atletas
Emerson Melo
9/7/2026
O Corinthians conseguiu transformar uma noite que parecia perfeita para acabar com a sequência negativa em mais uma enorme frustração para o torcedor. Diante de mais de 44 mil pessoas na Neo Química Arena, em uma noite fria e chuvosa, o Timão saiu na frente, mas voltou a apresentar um futebol abaixo do esperado e perdeu de virada por 2 a 1 para a Chapecoense.
O resultado é ainda mais doloroso porque o adversário era o lanterna do Campeonato Brasileiro e, até então,
nunca havia vencido o Corinthians na Neo Química Arena. Depois de três derrotas consecutivas, a expectativa era justamente de uma reação diante da própria torcida.
Não aconteceu.
E o pior: o Corinthians teve a oportunidade de controlar a partida depois de abrir o placar logo nos primeiros minutos, mas novamente não conseguiu transformar a superioridade inicial em tranquilidade.
Corinthians sai na frente, mas não consegue controlar o jogo
O Timão precisou de menos de cinco minutos para abrir o placar. Mateus Bidu apareceu bem pelo lado direito e marcou o gol que parecia colocar o Corinthians no caminho de uma vitória importante para recuperar a confiança.
Bidu, aliás, foi talvez o único jogador que realmente deixou uma impressão positiva na partida. O lateral participou de boa parte das principais jogadas ofensivas do Corinthians e funcionou como uma das principais válvulas de escape da equipe.
O problema foi o comportamento do time depois do gol. Em vez de aproveitar o momento para pressionar e tentar definir a partida, o Corinthians passou a administrar demais a posse de bola. O jogo ficou morno, com muitos passes e poucas finalizações perigosas.
A impressão era de que o fato de estar enfrentando o último colocado fez o time diminuir a intensidade.
E esse é justamente o tipo de coisa que o Corinthians não pode fazer.
Depois de três derrotas consecutivas, uma partida contra o lanterna, dentro de casa, precisava ser encarada como uma decisão. Não necessariamente pela dificuldade técnica do adversário, mas pela necessidade de recuperar confiança e somar três pontos.
O Corinthians até cresceu novamente no final do primeiro tempo. Mateus Bidu continuou aparecendo pela esquerda, Memphis teve uma oportunidade e Garro também arriscou, mas parou no goleiro adversário.
Foi justamente quando o Corinthians começava a melhorar que a Chapecoense conseguiu marcar.
Chapecoense aproveita falha e empata
A equipe catarinense vinha apresentando evolução nas últimas rodadas (perdeu para o Grêmio num jogo onde claramente merecia ganhar e complicou o jogo para o São Paulo). Isso merece ser reconhecido.
Mas reconhecer a evolução da Chapecoense não muda o fato de que o Corinthians tinha obrigação de fazer uma partida muito melhor.
O empate aconteceu justamente em um momento em que o Timão começava a criar mais perigo. A defesa não conseguiu controlar a jogada e a Chapecoense aproveitou para deixar tudo igual.
O Corinthians ainda chegou a marcar novamente no primeiro tempo, em um lance que terminou anulado por impedimento.
O gol de Breno Bidon, que seria uma bela finalização de letra, acabou invalidado pelo VAR.
A tecnologia semiautomática de impedimento (digo esta que a CBF implementou, que não é igual àquela utilizada na Copa do Mundo) também gera uma discussão importante. O problema não está necessariamente em reconhecer a marcação, mas na dificuldade que o torcedor encontra para entender exatamente qual foi o momento utilizado para determinar a posição dos jogadores.
Em lances extremamente milimétricos, quanto mais transparente for o processo (que pra mim não é, quando mostra só o frame escolhido já transformado digitalmente), menor será o espaço para questionamentos.
Segundo tempo começa sem mudança e Corinthians volta a sofrer
O Corinthians voltou para o segundo tempo sem alterações e continuou encontrando dificuldades para transformar a posse de bola em oportunidades reais.
A primeira grande chance da etapa final foi da Chapecoense. Pouco depois, o Corinthians teve sua oportunidade com Garro, que finalmente conseguiu participar de uma jogada mais incisiva. Ele recuperou a bola e cruzou para Carrillo, que precisou finalizar com a perna direita e acabou mandando por cima.
A partida continuava aberta, mas o Corinthians não demonstrava a intensidade que o momento exigia.
Fernando Diniz começou a mexer na equipe. Memphis Depay deixou o campo, dando lugar a Lingard, enquanto outras alterações também foram realizadas para tentar aumentar o poder ofensivo.
O Corinthians chegou a apresentar uma pequena melhora novamente.
E foi justamente aí que aconteceu o segundo golpe.
Chapecoense vira e aumenta a crise
Aos 32 minutos do segundo tempo, a Chapecoense encontrou espaço no meio-campo e conseguiu atacar uma defesa corintiana desguarnecida.
O lance terminou no segundo gol dos visitantes.
Mais uma vez, o Corinthians melhorava no jogo e coincidentemente no mesmo momento sofria o gol...
A situação defensiva ficou ainda mais preocupante com as alterações e a necessidade de buscar o resultado. O time precisava atacar, mas também dava espaços perigosos para a Chapecoense explorar.
Depois disso, Garro e Carrillo deixaram o campo, enquanto Pedro Raul entrou para tentar resolver o problema ofensivo.
O centroavante ainda teve uma oportunidade de cabeça, mas finalizou justamente na direção do goleiro. Era uma chance que poderia ter mudado o destino da partida, mas novamente o Corinthians não conseguiu aproveitar.
E assim terminou mais uma noite para o torcedor corintiano esquecer.
Garro apagado e saudade de Yuri Alberto
Entre os jogadores que ficaram abaixo do esperado, Rodrigo Garro novamente teve uma atuação discreta.
É difícil apontar falta de vontade no argentino, que normalmente demonstra muita entrega, mas a realidade é que ele participou pouco da partida e não conseguiu ser o jogador decisivo que o Corinthians precisa.
Memphis também ainda parece estar buscando sua melhor condição física após o retorno. Por isso, sua atuação precisa ser analisada com algum cuidado.
Mas uma ausência começa a chamar atenção: Yuri Alberto.
Por mais que tenha sido muito criticado em diversos momentos, a falta de um atacante com suas características parece estar fazendo diferença. O Corinthians sente a ausência de um jogador capaz de atacar a profundidade e ocupar a área com mais frequência.
É até estranho admitir isso, mas em uma noite como essa fica impossível não pensar no atacante.
Torcida apoia até o fim, mas perde a paciência
Se dentro de campo o Corinthians não correspondeu, nas arquibancadas não faltou apoio.
Mais de 44 mil torcedores encararam frio e chuva para acompanhar uma equipe que vinha de três derrotas consecutivas. E, mesmo com o time perdendo para o lanterna dentro de casa, a torcida continuou apoiando durante os 90 minutos deixando para cobrar apenas após o apito final.
E a cobrança dessa vez foi pesada.
Os torcedores passaram a cantar “time sem vergonha”, demonstrando toda a frustração com o desempenho da equipe.
É compreensível. O torcedor não exige que o Corinthians vença todos os jogos. Mas existem partidas em que a postura precisa ser diferente. Depois de três derrotas, enfrentar o lanterna em casa era uma dessas ocasiões.
O empate já seria um resultado extremamente decepcionante. A derrota, então...
Quatro derrotas seguidas e um calendário assustador
A situação fica ainda mais complicada por causa do calendário.
O Corinthians agora tem pela frente uma partida importantíssima pela Libertadores, fora de casa, na Argentina. É um daqueles jogos que podem definir o semestre.
E o problema é chegar para uma partida desse tamanho depois de quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro.
Como se não bastasse, depois do compromisso pela Libertadores, o Corinthians terá outro desafio gigantesco pelo Brasileirão: enfrentará o líder Flamengo fora de casa.
Ou seja, o cenário não poderia ser mais complicado.
Normalmente, depois de uma derrota inesperada, existe a possibilidade de recuperação imediata no jogo seguinte. Só que o Corinthians não terá pela frente um adversário qualquer.
A recuperação terá que acontecer justamente em uma partida de enorme pressão, contra o líder do campeonato.
Corinthians precisa reagir imediatamente
A derrota para a Chapecoense não pode ser tratada apenas como um tropeço isolado.
O resultado escancara problemas que já vêm aparecendo nas últimas partidas: dificuldade para transformar posse em chances, pouca intensidade e a dependência evidente de Yuri Alberto.
O Corinthians precisava vencer.
Precisava vencer pela tabela, pela confiança, pelo ambiente e, principalmente, pelo torcedor que lotou a Neo Química Arena em uma noite fria e chuvosa.
Em vez disso, saiu derrotado pelo lanterna.
Agora não existe muito espaço para lamentação. A cobrança da torcida está feita. O elenco terá que responder dentro de campo.
A partida da Libertadores aparece como uma oportunidade de reação, mas também como um enorme teste de personalidade.
Depois de uma derrota tão inexplicável, o Corinthians precisa mostrar que ainda tem força para reagir.

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