
Corinthians 2 x 1 Internacional: Sobrou transpiração, faltou inspiração....
Diante de 45 mil torcedores na Neo Química Arena, o Corinthians buscou a virada com raça mas não conseguiu o gol derradeiro. Gustavo Henrique e Pedro Raul marcaram — Bernabei fez o que complicou tudo
Emerson Melo
8/7/2026
45 mil pessoas na Neo Química Arena. Dois gols. Raça do começo ao fim. E uma bola na trave do Matheuzinho no final que resume bem a noite: quando não é para ser, não é. O Corinthians caiu da Copa do Brasil — e pelo menos saiu de cabeça erguida.
Era uma missão difícil— e o Corinthians correu atrás até o último segundo. Precisando reverter 2 a 0 do jogo de ida, o Timão fez 2 a 1 na Neo Química Arena lotada, com 45 mil torcedores empurrando, mas não
conseguiu o terceiro gol que teria levado aos pênaltis. Eliminação confirmada. E uma sensação amarga de que faltou aquele algo a mais para transformar uma noite de luta em classificação.
A torcida, recebeu os jogadores com respeito quando eles foram agradecer o apoio após o apito final. Em outras noites difíceis, o ambiente foi mais hostil. Desta vez, a Fiel reconheceu que não faltou entrega — e isso diz algo sobre como o jogo foi disputado, mesmo que o resultado não tenha vindo.
Primeiro tempo: o gol que deu esperança
O Corinthians foi a campo com a missão clara: atacar, pressionar e criar situações de gol desde o início. O Inter, com a vantagem de dois gols do jogo de ida, instalou-se defensivamente — e fez isso bem. Não foi fácil furar aquele bloco compacto, e por boa parte do primeiro tempo o Timão pecou na qualidade das chegadas ofensivas.
Kaio César foi um dos que ficaram abaixo do esperado. Em vez de aparecer com aquele futebol atrevido que o caracteriza — enfrentar o marcador, driblar, criar desequilíbrio — o atacante ficou ciscando, tocando para trás, sem a agressividade necessária para um jogo que exigia imposição. Parece que o peso da partida pesou nele de uma forma que não pesa em jogadores com mais experiência em momentos decisivos.
O primeiro cruzamento minimamente bem executado já criou perigo — Matheuzinho mandou no segundo pau, a bola foi desviada para o meio, o Bidon chegou e quase fez. Deu para perceber que quando o Corinthians acertava o cruzamento, poderia sair algo O problema é que a maioria dos cruzamentos foi rasteira, cruzada ou errada — o que tornava a presença de Pedro Raul quase irrelevante.
Mas no final do primeiro tempo, veio o que a Neo Química Arena precisava: Gustavo Henrique subiu de cabeça e fez. O gol passou por uma checagem do impedimento — e não estava impedido. 1 a 0! (1 a 2 no agregado.)
A matemática ficou mais simples: um gol no segundo tempo levaria aos pênaltis, dois avançaria diretamente. O estádio acordou.
Segundo tempo: Bernabei na gaveta
O Inter voltou para o segundo tempo ainda mais recolhido. Paulo Pezzolano sabia que qualquer contra-ataque seria perigoso — e foi. Em um desses momentos, numa jogada em que o Corinthians reclamava de falta no ataque e o árbitro não marcou, o Internacional saiu em velocidade e Bernabei acertou um chute na gaveta de Hugo Souza que tirou qualquer possibilidade de defesa. 1 a 1 parcial, 1 a 3 no agregado.
O tipo de gol que faz o torcedor xingar não pelo erro defensivo, mas pela crueldade do futebol. Um chute daquele canto, naquele ângulo, naquele momento — se Bernabei tentar mais vinte vezes provavelmente não repete. Mas entrou. E a montanha ficou enorme.
O Corinthians não desistiu — e isso precisa ser dito. O time voltou a ir para cima, e Pedro Raul (que poderia ter cabeceado melhor momentos antes) apareceu para fazer o segundo. 2 a 1, faltando uns 20 minutos. Ainda dava para sonhar.
Nos minutos finais, com o Corinthians inteiro no ataque e jogadores mais ofensivos entrando, Matheuzinho acertou a trave num chute que o goleiro do Inter nem viu. A bola foi nopostee saiu. É o tipo de lance que define eliminações — não a falta de empenho, não a falta de vontade, mas aquele centímetro que separa a classificação da queda.
Muito suor, pouca inspiração — o diagnóstico justo
A análise honesta é que o Corinthians foi valente mas não foi bom o suficiente. Faltou inspiração para complementar a transpiração. Em vez de um time que dominava, criava chances claras e obrigava o goleiro adversário a trabalhar o jogo todo, foi um Corinthians que brigou, disputou cada bola, mas não transformou volume em situações de gol de forma consistente.
A ausência de Yuri Alberto pesou. Com Pedro Raul como titular, o estilo ofensivo muda — o centroavante de área ocupa espaço diferente, pede cruzamento, mas não aparece nas combinações com Garro e Kaio César da mesma forma. O jogo ficou mais dependente de jogadas individuais e menos fluido do que o habitual.
Garro também ficou abaixo. No primeiro tempo especialmente, não apareceu com aquela frequência que o time precisa. Melhorou um pouco na segunda etapa, mas chegou tarde, quando o contexto do jogo já era de desespero, não de construção, acabou substituído no fim
O detalhe que (me) incomodou
Um detalhe pequeno, mas que chamou atenção: com o Corinthians precisando de mais um gol para ir aos pênaltis, a câmera da transmissão foi em Yuri Alberto — lesionado, de fora do jogo — e o atacante estava com um sorriso aberto no rosto. Em meio a 45 mil pessoas com o coração na boca, a imagem passou uma certa desconexão.
Pode ser que alguém tenha contado uma piada no momento errado. Pode ser que a câmera tenha capturado um segundo fora de contexto. Pode ser, sim, besteira de torcedor amargurado analisando o que não devia. Mas futebol é emoção — e num momento de eliminação, a torcida espera ver os jogadores que não estão em campo tão sofrendo como a torcida está.
O que fica — e o que vem pela frente
O Corinthians sai da Copa do Brasil antes das quartas de final. Dói. Mas seguimos buscando recuperação no Brasileirão e temos nada mais nada menos que o mata-mata da Libertadores pela frente. Agora essa missão ficou ainda mais importante.
A torcida, ao menos, saiu da Neo Química Arena reconhecendo que o time lutou. Em jogos como este, isso não é suficiente para classificar — mas é suficiente para manter a confiança de que o grupo segue comprometido. O Brasileirão continua, a Libertadores continua, e o Corinthians precisa levantar rápido.
A bola na trave do Matheuzinho vai ficar na memória. Esse centímetro. Essa maldita trave.

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