Corinthians perde para o Fluminense e chega à sétima derrota seguida: até quando vai essa crise?

O Corinthians parece não encontrar saída para a crise. Depois da eliminação traumática para o Estudiantes nas quartas de final da Libertadores, o torcedor esperava pelo menos uma reação no Campeonato Brasileiro. O que aconteceu na tarde deste domingo, porém, foi mais uma derrota.

Emerson Melo

9/21/2026

O Fluminense venceu o Corinthians por 3 a 1 na Neo Química Arena, pela 28ª rodada do Brasileirão, e aumentou ainda mais a pressão sobre o clube.

Foi a sexta derrota consecutiva do Corinthians no Campeonato Brasileiro e, somando a eliminação para o Estudiantes, a equipe chegou à sétima derrota seguida em seus últimos compromissos. O Timão permanece com 32 pontos e ocupa a 14ª posição, apenas quatro pontos acima da zona de rebaixamento.

E, sinceramente, depois de mais uma atuação como essa, fica cada vez mais difícil encontrar argumentos para defender o momento do Corinthians.

A Fiel protestou antes mesmo de a bola rolar

A partida já começou com um cenário que retrata bem o momento vivido pelo clube.

Antes da entrada dos times em campo, integrantes da Gaviões da Fiel e de outras torcidas organizadas ficaram de costas para o gramado durante a execução do Hino Nacional. Também foram entoados cantos de cobrança ao elenco, como forma de protestar contra a sequência de resultados ruins e a situação do clube.

Quando o árbitro autorizou o início da partida, os torcedores voltaram a ficar de frente para o campo e o apoio apareceu novamente.

E esse é um ponto que merece ser destacado.

A torcida pode estar revoltada, pode protestar e pode cobrar. Mas, mais uma vez, a Fiel compareceu. Foram 38.686 torcedores na Neo Química Arena, mantendo o público do Corinthians acima da média da temporada.

Ou seja: não faltou torcida.

Não faltou gente para apoiar.

O que continua faltando é futebol.

O primeiro tempo foi muito ruim

O placar de 1 a 0 para o Fluminense no intervalo não chegou a ser injusto. Na realidade, o Corinthians poderia ter ido para o vestiário perdendo por uma diferença ainda maior.

O Timão teve mais posse de bola em alguns momentos, mas era aquela posse que pouco significava. O Fluminense parecia confortável em deixar o Corinthians trocar passes e esperar o momento certo para atacar.

E quando atacava, criava perigo.

Hugo Souza precisou fazer uma boas defesas em chegadas do adversário. O Fluminense encontrava espaços e parecia muito mais confortável dentro da partida.

O Corinthians, por outro lado, tinha dificuldade para transformar a posse em chances reais.

Esse é um problema que está virando rotina para o time de Fernando Diniz: a equipe muitas vezes consegue ter a bola, mas não consegue transformar essa posse em uma pressão efetiva sobre o adversário.

E, contra um Fluminense tecnicamente qualificado, isso é perigoso.

Aos 23 minutos, Hulk abriu o placar. O lance ainda passou por uma longa revisão do VAR. Inicialmente, o gol chegou a ser anulado por impedimento, mas o sistema semiautomático confirmou que o atacante estava em posição legal. O gol foi validado após 2 minutos e 26 segundos de revisão, com o calcanhar de Gustavo Henrique dando condição para Hulk.

O atacante recebeu cruzamento de Lucho Acosta e finalizou para colocar o Fluminense na frente.

E, logo depois, quase veio o segundo.

O Corinthians simplesmente não conseguia controlar o jogo.

Pouco se salvou no primeiro tempo

Se houve alguns jogadores que tentaram apresentar alguma coisa, Kaio César e o jovem Iago Machado foram os que mais chamaram atenção dentro de uma atuação bastante apagada do Corinthians.

André também tentou participar mais do jogo, embora tenha cometido erros e, em alguns momentos, tenha prendido excessivamente a bola. O volante acabou substituído no segundo tempo depois de um passe errado, dando lugar a Lingard.

Enquanto isso, os jogadores dos quais se esperava maior protagonismo novamente ficaram devendo.

Rodrigo Garro teve uma atuação apagada.

Memphis Depay, que já vinha de uma noite extremamente frustrante contra o Estudiantes, também não conseguia assumir o protagonismo que se esperava dele.

E isso pesa ainda mais quando lembramos que o Corinthians precisava dar uma resposta à torcida depois da eliminação da Libertadores.

O Corinthians teve pouquíssimas finalizações realmente perigosas e praticamente não incomodou Fábio. Os números ajudam a explicar a partida: apesar da maior posse corintiana, o Fluminense terminou o jogo com 20 finalizações contra 10 do Corinthians.

Diniz muda no intervalo e Corinthians finalmente reage

No intervalo, Fernando Diniz fez uma alteração que mudou completamente o comportamento do time.

Iago Machado saiu para a entrada de Gui Negão, enquanto Raniele passou a atuar mais recuado. A mudança deixou o Corinthians mais agressivo e, finalmente, apareceu aquilo que o torcedor vinha esperando desde o início.

Senso de urgência.

O segundo tempo do Corinthians foi completamente diferente do primeiro.

Durante aproximadamente 20 minutos, o Timão pressionou o Fluminense e criou uma sequência de ataques. Não significa que tudo tenha funcionado perfeitamente — houve erros, como uma cobrança de falta ruim de Garro e uma finalização de Bidu por cima do gol —, mas finalmente parecia existir um time realmente interessado em buscar o resultado.

E foi justamente dessa pressão que nasceu o empate.

André fez uma boa jogada pelo lado direito e cruzou para Gustavo Henrique, que teve uma chance incrível praticamente embaixo do gol e conseguiu desperdiçar.

Naquele momento, parecia que era mais uma daquelas tardes em que nada daria certo.

Mas Gustavo Henrique teria a oportunidade de se redimir.

Depois de uma cobrança de escanteio, Memphis tentou uma bicicleta e Fábio fez a defesa. No rebote da jogada, Gustavo Henrique apareceu bem posicionado e mandou para as redes.

Corinthians 1 a 1 Fluminense.

A Neo Química Arena voltou a acreditar.

Quando parecia que a virada estava perto...

Esse foi provavelmente o momento em que o torcedor corintiano mais acreditou que poderia sair alguma coisa daquela partida.

O Corinthians estava melhor.

O Fluminense havia recuado.

A torcida voltou a empurrar.

E Memphis parecia finalmente começar a participar mais do jogo.

Pouco depois do gol, o holandês deu um lindo passe de calcanhar para Matheus Bidu, que sofreu uma falta. Memphis cobrou e obrigou Fábio a fazer uma grande defesa.

Aliás, falando do goleiro adversário: é impossível não reconhecer o que Fábio vem fazendo.

Aos 45 anos, o goleiro novamente foi importante para o Fluminense e evitou que o Corinthians virasse a partida naquele momento.

Só que quando a fase é ruim, tudo parece dar errado...

O gol de Hulk acabou com a reação do Corinthians

Quando o Corinthians estava melhor e parecia mais próximo de fazer o segundo gol do que o Fluminense, Hulk apareceu novamente.

Aos 31 minutos do segundo tempo, Ganso encontrou o atacante, que avançou e bateu forte para colocar o Fluminense novamente na frente.

Corinthians 1 a 2 Fluminense.

E aí o jogo mudou completamente.

O Corinthians precisou se lançar ao ataque todo desorganizado e naturalmente, ficou mais exposto.

Diniz colocou Pedro Raul e Lingard nos lugares de Memphis e André, tentando aumentar a presença ofensiva. O problema é que, naquele momento, o time já estava completamente aberto.

Não havia mais muito espaço para organização.

Era o Corinthians tentando buscar o empate de qualquer maneira.

Garro ainda conseguiu uma bela finalização de fora da área. Mas, pouco depois, apesar de mostrar muita determinação para ajudar com um carrinho na defesa, tentou resolver sozinho e perdeu a bola no campo de ataque, proporcionando um contra-ataque perigoso.

O Fluminense aproveitou. Kevin Serna recebeu em velocidade, ficou diante de Hugo Souza e marcou o terceiro gol.

Corinthians 1 a 3 Fluminense.

Fim de jogo.

Mais uma derrota.

Não dá mais para separar o campo do que acontece fora dele

É evidente que existe responsabilidade de Fernando Diniz e dos jogadores pelos resultados dentro de campo. O próprio treinador reconheceu depois da partida a gravidade do momento e classificou os últimos 40 dias como possivelmente o pior recorte de seu trabalho.

Mas também é cada vez mais difícil olhar para o futebol do Corinthians e fingir que tudo começa e termina dentro das quatro linhas.

O Corinthians está submetido a três transfer bans, que somam cerca de R$ 21,5 milhões em condenações, e está impedido de contratar desde maio. O clube também passou por atrasos salariais e tem direitos de imagem e premiações pendentes com jogadores.

Marcelo Paz reconheceu que o elenco é curto e que a impossibilidade de contratar agravou os problemas quando jogadores importantes ficaram lesionados.

Yuri Alberto é um exemplo evidente.

Zakaria Labyad e Kayke também estão entre os jogadores que fizeram falta em um elenco que já não era dos mais profundos.

E aí chegamos a uma situação complicada: o Corinthians passou a janela de transferências sem conseguir contratar, enquanto seus concorrentes seguem encontrando alternativas.

O Fluminense, por exemplo, trouxe Hulk e hoje colhe resultados importantes com o atacante.

O Corinthians olha para o banco e encontra cada vez menos soluções.

O problema começa na diretoria e chega ao campo?

É aqui que a discussão fica mais profunda.

Durante muito tempo, o Corinthians conseguiu mascarar seus problemas administrativos com resultados dentro de campo. Quando o time ganha, ninguém quer saber se existe uma crise política ou financeira nos bastidores.

Mas quando os resultados desaparecem, todos os problemas começam a aparecer ao mesmo tempo.

O clube está sem poder contratar.

Tem problemas financeiros.

Tem jogadores importantes lesionados.

Tem salários e direitos de imagem atrasados.

Está eliminado da Copa do Brasil.

Foi eliminado da Libertadores.

E agora acumula seis derrotas consecutivas no Brasileirão.

Não é difícil entender por que o ambiente ficou tão pesado.

A própria diretoria admite que a reestruturação financeira tem um preço esportivo. Marcelo Paz afirmou que o clube precisa passar por um “remédio amargo”, evitando contratações de alto custo e contratos longos enquanto tenta reorganizar as contas.

O problema é que o torcedor não vive de balanço financeiro.

O torcedor quer ver o Corinthians jogar.

E, neste momento, não está vendo.

A situação ficou ainda mais preocupante no Brasileirão

Com a derrota para o Fluminense, o Corinthians permanece com 32 pontos na 14ª colocação. A equipe tem apenas quatro pontos de vantagem para a zona de rebaixamento, e a sequência de seis derrotas consecutivas aumentou consideravelmente a preocupação.

E agora haverá uma pausa.

O Corinthians só volta a campo no dia 7 de outubro, quando enfrenta o Internacional no Beira-Rio pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois, terá pela frente o Palmeiras.

Serão mais de duas semanas para tentar fazer aquilo que o time não conseguiu fazer nos últimos jogos: encontrar uma reação.

E essa pausa chega em uma hora decisiva.

Até quando vai essa crise?

É difícil saber.

O que sabemos é que o Corinthians chegou a um ponto em que não existe mais espaço para fingir que se trata apenas de uma sequência ruim.

São sete derrotas consecutivas, considerando todas as competições.

A eliminação para o Estudiantes ainda está fresca na memória.

A torcida está protestando.

O elenco enfrenta problemas financeiros e físicos.

O clube não pode contratar.

A diretoria está sob pressão.

E o time está cada vez mais próximo da parte perigosa da tabela.

Mesmo assim, uma coisa continua impressionando: a torcida.

Mais de 38 mil pessoas estiveram na Neo Química Arena debaixo de chuva depois de uma eliminação dolorosa na Libertadores. Protestaram quando entenderam que era necessário, mas depois apoiaram o time durante a partida.

A Fiel não se escondeu.

E talvez seja justamente por isso que doi tanto ver o Corinthians nessa situação.

Porque existe um potencial enorme desperdiçado por uma sequência de problemas que parecem se alimentar uns dos outros.

Uma má administração prejudica o futebol. O futebol ruim provoca eliminações. As eliminações significam menos premiações e menos receitas. A falta de dinheiro impede contratações. O elenco fica mais curto. Os resultados pioram.

E o ciclo continua.

Agora, o Corinthians terá a Data Fifa para tentar interromper esse ciclo.

Não dá para saber se os treinamentos serão suficientes, se Diniz conseguirá encontrar soluções ou se alguma mudança acontecerá nos bastidores. O que dá para afirmar é que, quando o Corinthians voltar a campo contra o Internacional, o espaço para novos erros estará ainda menor.

Depois de sete derrotas consecutivas, já não basta jogar bem durante 20 minutos.

Já não basta reagir depois de tomar um gol.

Já não basta ter posse de bola.

O Corinthians precisa começar a jogar como um time que entendeu o tamanho do problema em que está.

Porque a Fiel continua fazendo a sua parte.

Agora é a vez do Corinthians fazer a dele.

Vai Corinthians. Sempre!

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