
Corinthians quer Arthur, mas obstáculos travam: o salário do volante e o transfer ban da FIFA
Diniz pediu o ex-jogador de Grêmio e Juventus, mas Corinthians não pode registrar novos atletas enquanto não quitar dívida de US$ 1,5 mi com o Philadelphia Union — e o salário pedido pelo jogador já travou até o Grêmio
Emerson Melo
7/8/2026
Fernando Diniz quer Arthur. A diretoria gostou da ideia. A Juventus topa o empréstimo. Só que tem dois problemas: o Corinthians não pode registrar ninguém agora — e o salário que Arthur quer o Grêmio também não conseguiu pagar.
O nome de Arthur entrou no radar do Corinthians nesta semana. O volante de 29 anos, revelado pelo Grêmio e com passagens por Barcelona, Liverpool, Fiorentina e Juventus, encerrou seu período de empréstimo ao time gaúcho no último dia 30 de
junho e voltou à Itália sem um novo destino definido. Diniz gostou do perfil, indicou o nome à diretoria, e o clube fez uma sondagem inicial ao estafe do jogador. Até aí, tudo bem. O problema é o que vem depois.
Há dois obstáculos concretos para que a contratação saia do papel. O primeiro é financeiro — o salário que Arthur exige para jogar no Brasil é considerado incompatível com a realidade atual do clube. O segundo é burocrático — e talvez mais urgente: o Corinthians está com transfer ban ativo na FIFA e, neste momento, simplesmente não pode registrar nenhum jogador novo, independentemente de qualquer negociação.
Arthur — situação atual
Dono dos direitos: Juventus (contrato até junho de 2027)
Último clube: Grêmio (empréstimo até jun/2026)
Modelo pretendido: Empréstimo com opção de compra
Salário pedido: Mais de R$ 2 milhões/mês
Jogos no Grêmio (2026): 28 partidas · 23 como titular · 1 gol · 1 assist.
Situação na Juventus: Fora dos planos de Spalletti
Por que Diniz quer Arthur
A lógica do pedido de Diniz é clara. O técnico quer mais uma opção de qualidade para o setor de primeiro volante — posição que no atual elenco conta basicamente com Raniele e André como titulares, com Charles como alternativa. Arthur, apesar das polêmicas e das críticas que acumulou ao longo da carreira, é um jogador com características técnicas distintas: domínio de bola, visão de jogo para distribuir o ataque e capacidade de segurar a posse nos momentos em que o time precisa organizar. Exatamente o perfil que o sistema de Diniz valoriza.
Na segunda passagem pelo Grêmio, Arthur disputou 28 partidas e foi titular em 23 — números que mostram que o jogador, quando está bem fisicamente e motivado, ainda tem nível para ser relevante no futebol brasileiro. O técnico gaúcho Luis Castro confiava nele. E Diniz, que valoriza jogadores com qualidade técnica para sair jogando desde o setor defensivo, viu nele uma opção interessante para agregar ao elenco.
O salário que travou até o Grêmio
O principal entrave é o mesmo que impediu a permanência de Arthur no Grêmio: a pedida salarial. O jogador não seguiu no Grêmio justamente por questões financeiras, uma vez que desejava receber um salário maior que R$ 2 milhões mensais.
Para contextualizar: o Grêmio é um clube com finanças muito mais equilibradas do que o Corinthians. Se o time gaúcho — que tem identificação clara com o jogador, que foi revelado lá e que sempre demonstrou carinho pelo clube — não conseguiu bancar o salário, imagina o Timão, que atrasa pagamentos desde abril e carrega uma dívida de R$ 2,8 bilhões.
A Itatiaia apurou que Arthur não cogita reduzir sua pedida salarial. Uma fonte revelou que, se fosse para diminuir o salário, Arthur teria permanecido no Grêmio. Esse detalhe é devastador para as pretensões corintianas. Não é uma negociação travada por detalhes — é um impasse com pouco espaço para meio-termo.
O transfer ban: o obstáculo que vem antes de tudo
Mesmo que o Corinthians e Arthur chegassem a um acordo salarial miraculoso, ainda haveria outro problema a resolver antes: o transfer ban. O clube está com transfer ban ativo na FIFA por causa do não pagamento da contratação do volante José Martínez junto ao Philadelphia Union, dos Estados Unidos.
O Corinthians também terá de arcar com juros de 15% ao ano, calculados desde agosto de 2025, US$ 90 mil de multa destinada à FIFA e US$ 21 mil em custas processuais. O valor principal chega a US$ 1,5 milhão, cerca de R$ 7,7 milhões. O clube tenta reverter a decisão no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), mas enquanto a questão não for resolvida, nenhum novo jogador pode ser registrado.
Em outras palavras: o Corinthians está tentando contratar um jogador enquanto está proibido de registrar jogadores. A ordem das coisas precisa mudar antes que qualquer negociação avance de verdade.
Quem mais quer Arthur
O Corinthians não é o único clube brasileiro interessado. O Vasco também demonstrou interesse na contratação do volante por indicação de Renato Gaúcho, que já deixou o comando da equipe. Os altos valores envolvidos também inviabilizaram o avanço das tratativas. O padrão se repete: clube interessado, salário travando tudo.
A situação de Arthur no mercado é curiosa. É um jogador com passagens na Europa, ex-seleção brasileira, campeão da Copa América de 2019, com nome e histórico. Mas o salário que exige está acima do que os clubes brasileiros conseguem — ou querem — pagar no momento. E na Juventus, sem espaço com Spalletti, ele aguarda uma solução que ainda não chegou.
A lógica do empréstimo — e o que precisaria acontecer
O Corinthians aposta em um empréstimo com possibilidade de obrigatoriedade de compra mediante metas. É o modelo mais viável financeiramente — evita o desembolso imediato de uma compra e distribui o custo ao longo do tempo. A Juventus, sem pretensões para Arthur na próxima temporada, provavelmente toparia.
O problema, como já ficou claro, não está na Juventus. Está no salário e no transfer ban. Para a contratação sair do papel, o Corinthians precisaria: resolver a pendência com o Philadelphia Union e derrubar o transfer ban; e convencer Arthur a aceitar um salário abaixo de R$ 2 milhões — algo que o jogador já sinalizou que não pretende fazer.
São dois nós para desatar ao mesmo tempo. Possível? Sim, tecnicamente. Provável? As fontes ouvidas pelos principais veículos sugerem que não.
O que isso diz sobre o momento do Corinthians
A novela do Arthur é mais um retrato fiel do futebol corintiano em 2026. O clube quer contratar, tem necessidade técnica real e um treinador que sabe o que precisa — mas esbarra em limitações financeiras e burocráticas que tornam qualquer movimentação de mercado uma corrida de obstáculos.
A meta de R$ 151 milhões em vendas ainda está longe de ser atingida. O transfer ban precisa ser resolvido. Os salários de maio ainda não foram pagos. E a janela de transferências, que abriu em 20 de julho, já está correndo.
Diniz quer Arthur. A torcida gostaria de ver o volante com a camisa alvinegra. Mas entre o querer e o conseguir, há uma distância que o Corinthians de julho de 2026 ainda não sabe como percorrer.


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