
Corinthians recusa proposta do Las Palmas por Gui Negão — mais um não numa fila que já virou rotina
Clube espanhol da segunda divisão ofereceu empréstimo com opção de compra de 6 milhões de euros, mas o Corinthians considerou o valor abaixo do esperado e fechou a porta. É a mais recente de uma série de recusas que mostra o quanto o mercado bate à porta do Parque São Jorge
Emerson Melo
7/22/2026
Arábia Saudita, Rússia, Turquia, Internacional — e agora a Espanha. O Las Palmas tentou levar Gui Negão para a LaLiga 2 por empréstimo. O Corinthians disse não. Mais uma vez, o clube segura sua joia da base e espera por quem pague o que ela vale.
O mercado não para de olhar para Gui Negão — e o Corinthians não para de dizer não. A mais recente recusa aconteceu nesta quarta-feira, 22 de julho: o Las Palmas, da segunda divisão espanhola, apresentou uma proposta de empréstimo por uma
temporada com opção de compra fixada em aproximadamente 6 milhões de euros, cerca de R$ 34,7 milhões na cotação atual. A diretoria alvinegra analisou a oferta e descartou a negociação, considerando os valores abaixo do esperado para um jogador do perfil do atacante de 19 anos.
Além do aspecto financeiro, o Corinthians levou em conta o destino. A LaLiga 2 — a segunda divisão da Espanha — não é o cenário ideal para o desenvolvimento de uma joia com o potencial que o clube enxerga em Gui Negão. Mandar um jovem de 19 anos para brigar por acesso num campeonato secundário europeu, ainda que por empréstimo, não faz parte do plano que a diretoria tem para o atacante.
Quem é o Las Palmas — e por que o destino também importa
O Las Palmas é um clube da Ilha de Gran Canária, nas Ilhas Canárias, e um dos times mais tradicionais da Espanha fora do eixo Madrid-Barcelona. Na última temporada, disputou a LaLiga — a primeira divisão — mas foi rebaixado e agora busca retornar à elite. É um destino respeitável dentro do futebol espanhol, mas que, na avaliação do Corinthians, não oferece o protagonismo e a visibilidade necessários para valorizar um ativo do nível de Gui Negão.
O raciocínio da diretoria é legítimo. Um empréstimo bem direcionado pode valorizar um jogador exponencialmente — mas um empréstimo para a segunda divisão de qualquer país, sem garantia de sequência e com nível de competição menor, pode ter o efeito contrário. Para um clube que está construindo a narrativa de que Gui Negão vale muito mais do que as propostas que chegam, mandar o jogador para a LaLiga 2 seria contraproducente.
O histórico de recusas — um mapa do interesse pelo jogador
Para entender o tamanho do que o Corinthians está segurando, vale listar o que já foi recusado até aqui. Em 2024, quando Gui Negão ainda estava no Sub-20, o Montpellier, da França, ofereceu 14 milhões de euros. Recusado — a gestão Augusto Melo queria o pagamento à vista e os franceses queriam parcelar. No fim do ano passado e início de 2026, vieram mais duas propostas significativas: um clube da Arábia Saudita com 20 milhões de dólares e o Zenit, da Rússia, com 18 milhões de euros. Ambas rejeitadas.
Em junho deste ano, o Erzurumspor FK, da Turquia, recém-promovido à primeira divisão do país, apresentou uma proposta de empréstimo com obrigação de compra. Recusada sem nem divulgar os valores — o que sugere que o número nem chegou perto do mínimo esperado. O Internacional também consultou a situação do jogador, mas não chegou a formalizar uma proposta oficial. E agora o Las Palmas.
O que o Corinthians tem e o que o mercado oferece
Aqui está o nó da situação. O Corinthians detém 80% dos direitos econômicos de Gui Negão — os outros 20% estão divididos entre o staff e a família do jogador. O contrato vai até junho de 2030, o que dá tranquilidade para negociar sem pressa. O Transfermarkt avalia o atacante em 7 milhões de euros — número que provavelmente já está desatualizado dado o volume de interesse recebido.
O clube pediu 20 milhões de euros como piso em negociações anteriores e não aceita menos. O Zenit ofereceu 18 milhões e foi recusado. A Arábia Saudita ofereceu 20 milhões de dólares — convertendo, ficou abaixo dos 20 milhões de euros — e também foi recusada. O Las Palmas ficou muito longe com 6 milhões de euros pela opção de compra.
O mercado continua chegando, mas ninguém chegou ainda no valor que o Timão considera justo. E enquanto isso não acontece, Gui Negão segue no Parque São Jorge — aguardando oportunidades com Fernando Diniz, que ainda não o utilizou desde que assumiu o comando do time.
O jogador que não atua desde março — e o paradoxo da situação
Há uma ironia considerável nessa história toda. O Corinthians recusa propostas por Gui Negão com a firmeza de quem tem um ativo valiosíssimo — e tem razão nisso. Mas o mesmo jogador não entra em campo desde 22 de março, quando participou do empate com o Flamengo pelo Brasileirão. Uma lesão por estiramento muscular na coxa direita, sofrida durante treino da Seleção Brasileira Sub-20 em março, tirou o jogador por meses e ele retornou às atividades apenas em maio.
Desde então, acumula jogos seguidos no banco sem ser acionado por Diniz. O treinador explicou que outros jogadores do setor ofensivo estavam em estágio físico mais avançado nos treinamentos. Mas o fato é que o jogador que o mercado europeu, russo, saudita e espanhol quer contratar está sentado no banco do Corinthians há quase quatro meses.
É uma situação que precisa ser resolvida. Ou Gui Negão volta a jogar e se reafirma dentro do clube — o que seria o melhor cenário para todos —, ou a falta de minutagem vai corroendo o valor que o Corinthians tanto quer preservar. Jogador parado não se valoriza. E propostas de 6 milhões de euros, como a do Las Palmas, podem ser o teto em vez do piso se o atacante continuar sem jogar.
O que vem a seguir
A janela de transferências está aberta. Novas propostas devem chegar — o histórico de interesse é grande demais para que o mercado simplesmente pare de olhar. A tendência do Corinthians é manter a postura: só negocia por um valor que considere vantajoso financeiramente e num destino que faça sentido para o desenvolvimento do jogador.
O próximo passo ideal seria Diniz encontrar espaço para Gui Negão na equipe principal — alguns minutos por jogo, regularidade, confiança reconstruída. Com o jogador em campo e mostrando qualidade, as propostas que chegam tendem a ser mais robustas. E o Corinthians, que precisa de receita mas não quer vender abaixo do preço, teria mais argumentos para dizer não até aparecer a oferta certa.
Por enquanto, o Las Palmas ficou pelo caminho. Como tantos outros antes.


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