Corinthians vence o Bragantino por 2 a 0 e ganha fôlego no Brasileirão

Corinthians vence o Bragantino por 2 a 0 em Bragança Paulista pelo Brasileirão. Confira a análise da partida, os gols de Garro e Pedro Raul, os principais destaques e os números do jogo.

Emerson Melo

8/10/2026

O Corinthians voltou de Bragança Paulista com três pontos importantíssimos na bagagem. Mesmo sem apresentar um futebol brilhante, o Timão venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 0 neste domingo (9), pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, e conseguiu se aproximar novamente da parte de cima da tabela.

Os gols da vitória foram marcados por Rodrigo Garro e Pedro Raul, ambos no segundo tempo. O resultado é ainda mais importante porque veio fora de casa e diante de um

adversário que vinha fazendo uma campanha competitiva no Brasileirão. Mas é preciso separar duas coisas: o resultado foi excelente; a atuação, nem tanto.

Um primeiro tempo de poucas emoções

O Corinthians começou a partida tentando controlar o jogo e conseguiu, em boa parte do primeiro tempo, evitar que o Bragantino transformasse a posse de bola em grandes oportunidades.

A principal chance corintiana nos primeiros 45 minutos veio em uma bola parada. Gabriel Paulista apareceu bem pelo alto e cabeceou com perigo, mas a bola passou perto da meta adversária.

De resto, foi um primeiro tempo bastante pobre em oportunidades.

O Bragantino teve algumas tentativas, mas Hugo Souza também não precisou fazer uma série de defesas difíceis. Os números confirmam a impressão de um jogo pouco movimentado: o Corinthians terminou a partida com nove finalizações, contra dez do adversário, e apenas quatro de seus chutes foram no alvo. O Bragantino acertou a meta duas vezes.

O empate sem gols no intervalo, portanto, refletia bem o que havia acontecido em campo.

Garro aproveita presente de Tiago Volpi

O jogo parecia caminhar para mais um daqueles 0 a 0 em que qualquer detalhe poderia decidir o vencedor.

E o detalhe apareceu.

Aos 13 minutos do segundo tempo, Tiago Volpi tentou sair jogando e acabou entregando a bola nos pés de Rodrigo Garro. O argentino não desperdiçou o presente: recebeu livre e finalizou para abrir o placar para o Corinthians.

Garro ainda teve outra boa oportunidade pouco depois. kaio César fez uma boa jogada pelo lado do campo e cruzou para dentro da área. Volpi conseguiu sair bem e evitar a finalização, mas a sobra ficou praticamente à disposição de Garro. Um defensor do Bragantino apareceu no momento certo e impediu o segundo gol corintiano.

Ainda assim, o 1 a 0 já colocava o Timão em uma situação muito mais confortável.

Pedro Raul fecha a conta

Se o primeiro gol nasceu de um erro individual do adversário, o segundo teve participação importante na construção da jogada.

Carrillo que tinha entrado à pouco, recebeu a bola no meio e enxergou Matheuzinho completamente livre do outro lado do campo. O passe de primeira desmontou a organização defensiva do Bragantino e deixou o lateral em ótima condição para avançar.

Matheuzinho fez o restante do trabalho com muita qualidade e colocou a bola na área.

E aí apareceu Pedro Raul.

O centroavante, que vinha sendo bastante questionado por suas atuações, mostrou justamente a característica que melhor domina: o jogo aéreo.

Pedro Raul subiu bem e cabeceou para marcar o segundo gol do Corinthians, aos 41 minutos da etapa final.

Foi um gol que também levanta uma discussão interessante sobre a utilização do atacante.

Pedro Raul é ruim ou está sendo utilizado da maneira errada? Essa talvez seja uma das principais questões que ficam depois da partida.

Pedro Raul não parece ser um atacante naturalmente adaptado ao modelo de jogo que Fernando Diniz tenta implementar no Corinthians. O centroavante tem como uma de suas principais características a presença dentro da área e o jogo aéreo. Ele não é o tipo de atacante que oferece a mesma movimentação e profundidade de Yuri Alberto, por exemplo. Durante boa parte do jogo contra o Bragantino, isso ficou evidente.

Em algumas jogadas, Rodrigo Garro carregava a bola esperando encontrar um jogador atacando o espaço pelos lados ou entrando em profundidade. É uma movimentação que Yuri Alberto costuma oferecer com mais frequência.

Pedro Raul, por outro lado, tende a permanecer mais próximo da área.

Isso não significa necessariamente que ele seja um jogador inútil. Talvez signifique que o Corinthians precise encontrar uma maneira diferente de utilizá-lo. E o segundo gol mostrou exatamente isso.

Quando a equipe conseguiu construir uma jogada pelo lado, encontrou Matheuzinho em condições de cruzar e colocou Pedro Raul na situação em que ele é mais forte, o atacante respondeu.

Depois da Copa, Pedro Raul já soma dois gols em duas partidas como titular, ambos de cabeça.

A pergunta, portanto, permanece: o problema é Pedro Raul ou a forma como o Corinthians tenta utilizá-lo?

Caio César ainda precisa ganhar consistência

Outro jogador que merece atenção é Caio César. O atacante teve alguns bons momentos pela ponta, principalmente quando conseguiu partir para cima dos defensores do Bragantino e criar jogadas individualmente.

Por outro lado, também houve momentos em que segurou demais a bola e acabou diminuindo a velocidade dos ataques.

É um jogador que ainda precisa ganhar consistência, mas que oferece uma alternativa interessante para o elenco justamente pela capacidade de jogar aberto e atacar o adversário no um contra um.

Contra o Bragantino, sua participação foi importante em alguns dos melhores momentos ofensivos do Corinthians, ainda que não tenha sido uma atuação perfeita.

Corinthians foi mais eficiente que o Bragantino

Os números ajudam a explicar por que o Corinthians conseguiu sair de Bragança Paulista com uma vitória relativamente tranquila apesar de não ter dominado completamente a partida.

O Timão teve 52% de posse de bola, contra 48% do Bragantino. Também teve vantagem no número de chances claras: foram três para o Corinthians e nenhuma para o adversário.

O dado de gols esperados (xG) também favoreceu bastante o time de Fernando Diniz: 1,27 contra apenas 0,37 do Bragantino.

Ou seja, embora tenha sido uma partida de poucas oportunidades, as melhores chances estiveram do lado corintiano.

O Bragantino finalizou dez vezes, mas apenas duas acertaram o gol. O Corinthians finalizou nove vezes e acertou quatro.

Foi uma vitória construída muito mais pela eficiência do que por uma superioridade avassaladora. E, sinceramente, neste momento do campeonato, ninguém vai reclamar disso.

Defesa segura e Hugo Souza novamente sem sofrer gols

Outro ponto positivo foi o desempenho defensivo.

O Corinthians não sofreu gol e permitiu poucas oportunidades realmente perigosas ao Bragantino. Hugo Souza precisou fazer apenas duas defesas durante a partida.

A dupla de zaga formada por Gabriel Paulista e Gustavo Henrique também teve uma atuação segura, enquanto os laterais conseguiram contribuir ofensivamente sem comprometer tanto o sistema defensivo.

Não foi uma atuação defensiva espetacular, mas foi uma atuação eficiente.

Uma vitória importante para o campeonato

O resultado tem um peso maior quando olhamos para a situação do Corinthians no Brasileirão.

A equipe entrou na rodada ainda tentando se afastar definitivamente da parte de baixo da tabela e, com a vitória, ganhou posições e passou a olhar mais para cima.

Mais do que simplesmente somar três pontos, o Corinthians começa a transmitir a sensação de que pode fazer uma campanha mais tranquila no campeonato.

Isso não significa que o Timão tenha virado candidato ao título ou que esteja pronto para disputar as primeiras posições. Ainda há muito futebol pela frente e vários problemas precisam ser resolvidos.

Mas a perspectiva de passar o restante do Brasileirão brigando contra o rebaixamento parece cada vez menos provável.

E isso já seria uma mudança importante em relação ao cenário que o torcedor vivenciou nos últimos anos...

O Corinthians precisa melhorar, mas a vitória veio na hora certa É impossível dizer que o Corinthians fez uma grande partida contra o Bragantino. Não fez.

O primeiro tempo foi bastante fraco ofensivamente e o segundo só ganhou emoção depois do erro de Tiago Volpi. Mesmo depois do 1 a 0, o Corinthians não controlou completamente a partida a ponto de transformar a vitória em uma demonstração de força.

Mas futebol também é resultado.

O Corinthians foi eficiente quando teve suas oportunidades, sofreu pouco defensivamente e voltou para São Paulo com uma vitória por 2 a 0 fora de casa.

Rodrigo Garro apareceu novamente em um momento importante. Matheuzinho teve participação decisiva na construção do segundo gol. Carrillo fez uma excelente virada de jogo antes da jogada que terminou no gol de Pedro Raul. E o próprio centroavante, sempre tão criticado, respondeu da melhor maneira possível: balançando as redes.

Agora, o desafio é transformar essas vitórias em uma sequência consistente.

O torcedor corintiano sabe que ainda há muita coisa para melhorar. O time precisa criar mais, precisa encontrar soluções para o ataque e precisa definir de uma vez por todas como pretende utilizar seus centroavantes.

O futebol pode não ter sido dos melhores. Mas os três pontos vieram. E, neste momento, isso é o que mais importa.

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