
Corinthians vence o São Paulo em clássico marcado por polêmica de arbitragem
Depois de um primeiro tempo equilibrado e de muita tensão dentro de campo, o Corinthians cresceu na etapa final, controlou as ações da partida e conquistou uma vitória importante diante do rival.
Emerson Melo
5/10/2026
O Corinthians voltou a sorrir no Campeonato Brasileiro ao vencer o São Paulo em mais um Majestoso disputado na Neo Química Arena. Depois de um primeiro tempo equilibrado e de muita tensão dentro de campo, o Timão cresceu na etapa final, controlou as ações da partida e conquistou uma vitória importante diante do rival.
O clássico também ficou marcado por uma forte reclamação da torcida corinthiana envolvendo um lance polêmico com Bobadilla
Corinthians 3 x 2 São Paulo: caos, papel na trave e uma vitória que a Fiel vai lembrar
Tinha papel no gol, cigarro eletrônico voando, VAR anunciando no microfone que alguém não tocou na própria genitália, e olé entoado em casa antes da hora. Esse é o Majestoso. E o Corinthians venceu por 3 a 2.
Se você estava esperando um clássico comportado, errou de jogo. O Majestoso deste domingo na Neo Química Arena foi daqueles que deixam a pressão alta — e não é metáfora. Confusão nas comemorações, paralisações que somaram quase vinte minutos, VAR com microfone aberto, papel cobrindo o gol, cigarro eletrônico arremessado nas arquibancadas e uma virada de segundo tempo que só confirmou o que o torcedor corintiano começa a sentir de novo: quando esse time está ligado, é difícil segurar.
O resultado final foi 3 a 2 para o Corinthians, em duelo válido pela 15ª rodada do Brasileirão. Raniele, Matheuzinho e Breno Bidon marcaram para os donos da casa. Luciano e um gol contra do próprio Matheuzinho descontaram para o São Paulo. Mas o placar sozinho não conta metade da história.
Um primeiro tempo de altos e baixos
O Corinthians entrou em campo com a proposta clara de Fernando Diniz: pressão alta desde o campo adversário, saída de bola construída, aproximações entre os jogadores. Nos primeiros vinte minutos, funcionou bem. O time sufocou o São Paulo, criou chances e converteu a mais clara delas aos 16 minutos: Rodrigo Garro cobrou escanteio pela direita, Raniele se antecipou à marcação e cabeceou no canto esquerdo de Rafael. 1 a 0, e a Neo Química Arena explodiu.
O que veio depois foi o típico alívio seguido de incômodo. O Corinthians baixou a intensidade, o São Paulo respirou e passou a explorar os espaços deixados pelas linhas altas alvinegras. Hugo Souza precisou aparecer mais de uma vez. Calleri assustou. Ferreira exigiu uma bela defesa do goleiro corintiano em finalização que iria no ângulo.
O empate saiu dos pés — ou da falta de atenção — de Raniele. Aos 40 minutos, pressionado dentro da própria área em saída de bola, o volante perdeu a posse para Bobadilla, que serviu Luciano na pequena área. O camisa 10 são-paulino só empurrou. 1 a 1 — e aí começou o circo.
Luciano correu até a bandeirinha de escanteio do Corinthians, fez pose, imitou tiros. A torcida reagiu arremessando objetos no gramado. Um cigarro eletrônico acertou Calleri no braço, derrubando o argentino. O árbitro Anderson Daronco precisou reunir os jogadores, acalmar os ânimos e, em seguida, foi chamado pelo VAR para revisar um possível gesto obsceno de Bobadilla durante a comemoração. O jogo ficou parado por quase treze minutos.
Daronco voltou do monitor com o microfone na mão e declarou, para todos os presentes: o volante são-paulino "não encostou a mão na genitália" e, portanto, não seria expulso. Frase histórica. Os jogadores do Corinthians reclamaram — e tinham motivo para a comparação, já que Allan e André foram expulsos recentemente em situações parecidas. Mas a decisão foi tomada e o primeiro tempo acabou empatado.
O segundo tempo que a Fiel precisava ver
Antes de a bola rolar para o segundo tempo, mais atraso. Torcedores corintianos arremessaram rolos de papel no gol norte, cobrindo a rede completamente. Os funcionários do estádio precisaram de minutos para limpar tudo.
Quando o jogo voltou, veio diferente. O Timão saiu com intensidade total, pressionando a saída de bola são-paulina e não dando espaço para o adversário respirar. Em seis minutos, o segundo gol: Andrés Carrillo tabela com Matheuzinho pela direita, o lateral entra na área, Ferreira escorrega na marcação, e Matheuzinho bate forte no canto. Um golaço. O mesmo homem que erraria feio minutos depois — mas isso vem depois.
O Corinthians não se contentou. Seguiu pressionando, trocando passes com confiança, controlando o jogo. Aos 12 minutos, Garro recebeu pela esquerda e encontrou Breno Bidon livre na intermediária. O jovem volante dominou, ajeitou e finalizou colocado no canto direito, sem qualquer possibilidade de defesa. 3 a 1. Perfeito na execução.
Com dois gols de vantagem, o Corinthians administrou. Reduziu o ritmo, deixou a posse circular e esperou o tempo passar. A torcida começou a entoar olé a cada sequência de passes.
Aos 44 minutos, escanteio do São Paulo pela esquerda. A bola cruzou toda a área, praticamente todo mundo deixou passar, e Matheuzinho, posicionado sobre a linha, tentou afastar. Mandou para dentro da própria meta. Sem chances para Hugo Souza. 3 a 2, reta final, jogo de novo em aberto — pelo menos no placar. O São Paulo tentou, a torcida nervosa se levantou, mas o apito final veio antes de qualquer catástrofe.
O que essa vitória significa
Fora do campo, o contexto dá ainda mais peso ao resultado. O Corinthians entrou nesta rodada na zona de rebaixamento e, mesmo após a vitória, segue na parte de baixo da tabela, com 18 pontos. A situação financeira do clube também não ajuda — os salários de abril foram atrasados, e as notícias extracampo raramente chegam boas.
Por isso o peso simbólico importa. Vencer o São Paulo, dentro de casa, no Brasileirão, com um futebol que teve momentos de qualidade real — isso alimenta a confiança de um elenco que precisa dela. Diniz vem construindo algo: um time que pressiona, que cria, que tem identidade. Nem sempre termina bem, como mostrou o primeiro tempo. Mas o segundo tempo deste domingo foi uma demonstração de que o grupo entende o que o treinador pede.
Raniele foi o nome mais completo em campo — abriu o placar, deu ritmo ao meio e só escorregou no erro que gerou o empate, algo que, pela leitura do jogo que mostrou no restante, parece exceção. Breno Bidon, uma das apostas da base para o futuro, confirmou que está pronto para o presente. E Matheuzinho viveu os dois extremos num intervalo de quarenta minutos — o golaço e o gol contra. Futebol.
O que vem pela frente
O Corinthians não tem tempo de celebrar muito. Na quinta-feira, dia 14, o time recebe o Barra pela volta da 5ª fase da Copa do Brasil, às 19h30, na Neo Química Arena. O resultado de ida foi 1 a 0 para o Timão — a vaga está perto, mas precisa ser confirmada.
Mas hoje é dia de Majestoso vencido. E de lembrar que, por mais bagunçado que o jogo tenha sido — e foi bastante —, o Corinthians saiu de campo com os três pontos e com uma atuação que dá motivo para acreditar. A Fiel pode dormir bem esta noite.

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