
Corinthians vive novo terremoto político: agora é Osmar Stabile quem enfrenta pedido de impeachment
Se o torcedor corinthiano imaginava que a turbulência política terminaria após a saída de Augusto Melo da presidência, a realidade mostra o contrário, a "limpeza" continua e a bola da vez é Osmar Stabile
Emerson Melo
6/3/2026
O Parque São Jorge voltou a ser palco de mais uma batalha nos bastidores, e desta vez o alvo é o atual presidente do clube, Osmar Stabile.
Um grupo de sócios e conselheiros protocolou um novo pedido de impeachment contra o dirigente, alegando supostas irregularidades administrativas envolvendo contratos de empresas ligadas à segurança do Corinthians. O caso amplia ainda mais a sensação de instabilidade que tomou conta do clube nos últimos anos.
O que motivou o novo pedido?
Segundo o documento apresentado pelos opositores, a gestão de Stabile teria contratado empresas sem a devida formalização contratual e sem aprovação prévia dos órgãos internos responsáveis pela fiscalização das contas do clube. Entre as empresas citadas estão a Mega Assessoria Operacional Ltda. e a Bear Security Ltda.
Os autores do pedido afirmam que houve descumprimento do Estatuto Social do Corinthians, possíveis conflitos de interesse e falta de transparência administrativa. O documento também pede auditoria independente e comunicação dos fatos ao Ministério Público de São Paulo.
De acordo com as informações divulgadas, a Mega teria recebido aproximadamente R$ 676 mil do clube, enquanto a Bear Security teria recebido cerca de R$ 587 mil. Os opositores questionam a regularidade das contratações e os procedimentos adotados pela atual gestão.
Não é o primeiro pedido
O curioso é que esta não é a primeira tentativa de afastar Osmar Stabile.
Em abril deste ano, outro grupo de sócios e conselheiros já havia protocolado um pedido de impeachment. Na ocasião, o foco das críticas estava relacionado ao acordo firmado entre o Corinthians e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para renegociar uma dívida que ultrapassava R$ 1,2 bilhão.
Os opositores alegaram possíveis violações ao Estatuto do clube e à Lei Geral do Esporte, especialmente pela utilização de patrimônios do Corinthians como garantias na negociação.
A situação avançou a ponto de a Comissão de Ética emitir parecer favorável à abertura do processo, dando prazo para que Stabile apresentasse sua defesa.
O Corinthians virou uma máquina de impeachment?
Talvez a pergunta que mais incomode o torcedor seja justamente essa.
Nos últimos anos, o Corinthians passou a conviver com uma sequência quase interminável de disputas políticas, investigações, afastamentos e processos internos.
O caso mais recente e emblemático foi o de Augusto Melo. Eleito com o discurso de renovação, o dirigente acabou afastado da presidência após processo de impeachment aprovado pelo Conselho Deliberativo. Depois disso, a crise continuou escalando até culminar em sua expulsão do quadro associativo do clube em junho de 2026.
Antes dele, as gestões ligadas ao grupo político que comandou o Corinthians por mais de uma década também foram alvo de fortes críticas por parte da torcida.
Andrés Sanchez
Presidente em diferentes períodos da história recente do clube, Andrés foi responsável por conquistas importantes e pela construção da Neo Química Arena. Ao mesmo tempo, seu nome frequentemente aparece nos debates sobre o crescimento do endividamento do Corinthians.
Duílio Monteiro Alves
Assumiu o clube prometendo reorganização financeira, mas encerrou sua passagem deixando um cenário econômico ainda delicado, apesar de algumas reduções pontuais de passivos.
Augusto Melo
Chegou ao poder com o discurso de romper com a antiga política do clube, mas acabou se tornando mais um personagem da crise institucional corinthiana. Seu impeachment e posterior expulsão representam um dos capítulos mais turbulentos da história política recente do Timão.
O maior prejudicado continua sendo o Corinthians
Independentemente de quem esteja certo ou errado na disputa política, existe um fato que parece incontestável: o Corinthians passa mais tempo discutindo política do que futebol.
Enquanto os bastidores seguem consumidos por acusações, processos e disputas de poder, o clube continua tentando lidar com uma das maiores dívidas do futebol brasileiro e com a pressão constante por resultados dentro de campo.
Osmar Stabile ainda terá direito à defesa, e o pedido de impeachment precisará seguir os trâmites internos antes de qualquer decisão definitiva. Porém, o simples fato de mais um presidente estar no centro de uma crise política reforça a sensação de que o Corinthians entrou em um ciclo perigoso de instabilidade institucional.
E a pergunta que fica para o torcedor é simples: quando o Corinthians voltará a ser notícia principalmente pelo que acontece dentro das quatro linhas?


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