
Corinthians x Racing: o jogo que virou decisão — e polêmica do Fagner que não precisava
A Sul-Americana que era secundária se tornou a única chance do Corinthians ir à Libertadores e à Copa do Brasil de 2025. Hoje não dá para vacilar. E fora de campo, notícias de descontentamento de Fagner complicam um momento que exige união
Emerson Melo
10/28/2024
Há algumas semanas, a Sul-Americana era tratada como competição secundária. Depois da eliminação na Copa do Brasil, virou a única boia de salvação para garantir Libertadores e Copa do Brasil em 2025. O peso do jogo de hoje mudou completamente — e o Corinthians precisa sentir isso em campo.
A Copa Sul-Americana nunca foi prioridade no planejamento do Corinthians em 2024. Com o time oscilando na parte de baixo do Brasileirão e toda a atenção voltada
para escapar do rebaixamento, poupamos titulares nas primeiras fases da competição — o foco era não cair, e a Sul-Americana ficou em segundo plano. Isso mudou. E mudou rápido.
Com a eliminação nas semis da Copa do Brasil, a Sul-Americana passou de competição secundária para a última fronteira do Corinthians em 2024. Vencer o torneio garante duas coisas extremamente valiosas: vaga na Libertadores de 2025 — o que significa visibilidade, atratividade para patrocinadores e premiações milionárias — e vaga automática na Copa do Brasil do ano que vem, que é outro torneio que rende muito financeiramente. Perder a Sul-Americana agora significa um 2025 muito mais pobre em todos os sentidos.
O jogo de hoje contra o Racing, na Neo Química Arena, é o jogo de ida das semifinais. É grande, é importante e é urgente.
Por que fazer o placar hoje é fundamental
Tem uma lógica simples que qualquer corintiano entende: jogar na Argentina é difícil. Não importa o nível do adversário — pode ser um time mediano do Campeonato Argentino, pode ser uma semifinal de copa continental, o fato é que os estádios argentinos têm uma atmosfera de hostilidade que pressiona qualquer visitante. E o Racing não é time mediano.
O retrospecto do Racing fora de casa nesta temporada da Sul-Americana, segundo informações que circulam nos bastidores, é ruim. O time atua muito melhor dentro da sua casa do que como visitante. Esse dado reforça a importância de fazer o trabalho hoje no próprio território, construir uma vantagem confortável e chegar à Argentina sem a obrigação de buscar o resultado lá.
Com Memphis liberado para jogar a Copa Sul-Americana — ele não podia disputar a Copa do Brasil —, o Corinthians entra com força máxima. Garro, Yuri Alberto, Kaio César, a defesa titular. Não há desculpa para poupar.
O Fagner e a polêmica que não precisava existir agora
Fora de campo, uma notícia trazida pelo jornalista Samir Carvalho criou ruído nos bastidores: Fagner estaria descontente com sua situação no clube, inconformado com a reserva para Matheuzinho e gerando desconforto interno. Igor Coronado, outro jogador com pouco espaço, também estaria insatisfeito.
Antes de qualquer julgamento, é preciso separar o Fagner jogador do Fagner situação. O Fagner jogador é uma das maiores histórias recentes do clube. Lateral direito de altíssimo nível por anos, elemento central em títulos importantes, um dos rostos do Corinthians moderno. Colocá-lo entre os maiores laterais da história recente do Parque São Jorge não é exagero, esse legado existe.
O problema não é o jogador. É a situação. E a situação é que Fagner, aos 36 anos, não tem mais as condições físicas que tinha antes — e o Matheuzinho, que muita gente duvidou, prova semana após semana que está em excelente fase. Reclamar de não jogar porque jogou muito bem no passado não é argumento técnico. É nostalgia disfarçada de liderança.
E o timing não poderia ser pior. O Corinthians está numa reta final do Brasileirão brigando para não cair, e ao mesmo tempo disputa uma semifinal de copa continental. É exatamente o momento em que o elenco precisa estar unido, cada um cumprindo sua função — seja como titular, seja como reserva que entra e ajuda. Criar turbulência agora é a última coisa que o clube precisa.
Compara com o Romero. Paraguaio que poderia reclamar de tudo — artilheiro da Neo Química Arena, sempre reserva, nunca o craque preferido da mídia. E você nunca vê uma notícia de Romero gerando polêmica interna. Quando ele é chamado, joga. Quando não é, espera. E quando aparece, decide. É isso que um líder de verdade faz dentro de um vestiário.
A renovação que já era questionável — e o que vem depois
Aqui está a raiz do problema: a renovação de Fagner por dois anos foi questionável desde o início. A ideia era ter um nome experiente como segurança caso Matheuzinho não desenvolvesse — o que faz sentido estrategicamente. Mas dar um contrato longo a um jogador de 35 anos sem saber se ele ainda teria condições de titular regular foi uma aposta arriscada.
Matheuzinho desenvolveu. Superou as expectativas. E agora o Corinthians tem dois laterais direitos — um em excelente fase, outro com contrato longo e insatisfeito. A equação não fecha bem, e o clube vai precisar resolver isso na próxima janela.
Por ora, o recado que qualquer torcedor corintiano quer dar ao Fagner é simples: você tem história aqui, tem respeito aqui, tem legado garantido. Mas o momento pede humildade — a mesma humildade que outros jogadores têm demonstrado. Se o Corinthians cair para a Série B por conta de desgaste interno desnecessário, ninguém vai se lembrar do legado. Vão se lembrar do momento em que as prioridades foram confundidas.
O Cruzeiro e o Cássio esperando na final
Se o Corinthians passar pelo Racing, o adversário na final será o Cruzeiro — e aí vem o detalhe que coloca arrepio em qualquer torcedor do Timão: Cássio está no Cruzeiro. O goleiro que durante anos defendeu o Corinthians com maestria, que pegou pênaltis decisivos em momentos históricos, estaria do outro lado numa eventual final.
A gente sabe o que Cássio representa em cobranças de pênalti. Ele tem histórico, ele tem técnica, ele tem a frieza de quem já passou por tudo. Do lado do Corinthians, o Hugo Souza também vem se provando — pegou pênaltis importantes ao longo da temporada. Seria o embate de dois goleiros com qualidade na disputa, num cenário que vai ser emotivo para todo mundo que acompanhou a história dos dois com o clube.
Mas primeiro vem o Racing. E hoje não é hora de pensar em Cássio nem em final. É hora de fazer o dever de casa na Neo Química Arena, construir uma vantagem que permita ir à Argentina com tranquilidade e mostrar que essa Sul-Americana é tratada com a seriedade que o momento exige.
Vai Corinthians. Hoje 2 a 0 — e que um seja do Memphis e outro do Garro.

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