
Coritiba 2 x 1 Corinthians: Pedro Raul ineficaz e a nota ridícula sobre o clipe do Memphis
No Couto Pereira, o Corinthians sofreu com a ausência de Garro e Yuri Alberto, viu Memphis fazer diferença nos 20 minutos que jogou — e ainda perdeu tempo com uma polêmica que diz mais sobre os dirigentes do clube do que sobre o holandês
Emerson Melo
8/24/2026
Dois dias depois de um dos momentos mais emocionantes da temporada — o gol do Bidon que classificou para as quartas da Libertadores — o Corinthians foi ao Paraná com um time misto e perdeu para o Coritiba por 2 a 1. Previsível. Doloroso. E talvez evitável, se Memphis tivesse entrado antes quem sabe...
Antes de falar do jogo, preciso falar do elefante na sala: a nota oficial que o Corinthians publicou sobre o clipe do Memphis Depay, onde o atacante faz uma metáfora visual de
"colocar fogo no Parque São Jorge". A diretoria considerou isso uma ofensa à imagem do clube e sinalizou punição.
Calma, respira pois sou apenas um torcedor comum e não tenho advogado....
Os mesmos dirigentes que ficam em berço esplêndido enquanto o departamento jurídico engaveta processos contra quem desviou dinheiro do clube — como o caso do uso indevido do cartão corporativo que foi admitido publicamente — resolveram usar a energia institucional para ir atrás de um clipe artístico de um jogador que claramente quis dizer que o clube está "pegando fogo" adminstrativamente. Sabe o que realmente mancha a imagem do Corinthians? As matérias nas páginas policiais. Os escândalos financeiros. Os presidentes expulsos. Não um clipe de um atacante que está entre os melhores do elenco. É melancólico.
O jogo — ressaca da quinta-feira
O Corinthians foi ao Couto Pereira claramente em modo de gestão de elenco. Com a euforia da classificação nas quartas da Libertadores e um calendário pesado, Diniz optou por um time mesclado: Kauê no gol no lugar de Hugo Souza, Pedro Milans na lateral direita por Matheuzinho e Angeleri na esquerda por Matheus Bidu. Raniele e Alan no meio, sem Garro suspenso e sem Yuri Alberto ainda lesionado. Na frente, Caio César e Pedro Raul.
É muita ausência ofensiva para uma partida fora de casa. E o Corinthians sentiu. No primeiro tempo, até por volta dos 25 minutos, o time conseguiu controlar razoavelmente o jogo — a parte defensiva tem evoluído bastante sob Diniz, que chegou a ficar 14 jogos sem tomar gol em algum recorte da temporada, uma marca expressiva para quem o conhecia pelo estilo kamikaze dos times anteriores. Mas criar? Criar foi difícil sem tantas peças.
A jogada ensaiada e o gol do Coritiba
O Coritiba foi crescendo ao longo do primeiro tempo, especialmente pelo lado esquerdo do ataque. Quando teve a oportunidade da bola parada, o time paranaense executou uma jogada ensaiada com perfeição — os comentaristas da transmissão destacaram que era claramente estudada. Kaio César foi driblado e no chute a bola passou naquele espaço entre a trave e o goleiro Kauê, que não conseguiu segurar. Para mim, foi falha do goleiro — quando a bola entra no único espaço que existe entre a trave e o arqueiro, é difícil não atribuir responsabilidade. A enquete que fiz no meu facebook mostrou que a torcida ficou dividida, mas minha leitura foi essa.
O Corinthians ainda tentou responder antes do intervalo. Um chute do Milans que Pedro Raul desviou de cabeça foi em cima do goleiro. Um chute cruzado do Angeleri não foi chute nem cruzamento — e Pedro Raul chegou de carrinho sem alcançar. Mais do mesmo.
Memphis entra no intervalo — e o jogo muda
A decisão de Diniz de colocar Memphis Depay no intervalo teve efeito imediato. Na primeira matada de bola do holandês, já deu para ver a diferença de qualidade: dominou pensando no que ia fazer a seguir. O comentarista da transmissão apontou dois impactos: o que Memphis oferece diretamente e o que ele exige da defesa adversária indiretamente que passa a ter com o que se preocupar, diferente de quando está o Pedro Raul... O Coritiba passou a ter que se preocupar de verdade com o ataque corintiano.
Por uns 15 ou 20 minutos no segundo tempo, o Corinthians foi claramente superior. Dava a sensação de que o empate era questão de tempo. Mas o futebol não recompensa sensações — recompensa finalizações. E o Timão desperdiçou as chances que teve.
Memphis ainda pediu pênalti num lance em que, sendo honesto com o clubismo de lado, o defensor apenas colocou a mão próxima ao ombro — não segurou, não puxou. Memphis já estava desequilibrado antes do contato.
Aqui cabe uma distinção importante: não é proibido criticar o Memphis. Até a Copa ele teve um desempenho abaixo do esperado em vários momentos, e isso foi dito. Mas hoje o Memphis foi positivo — entrou e mudou o jogo. Isso também precisa ser dito. Elogia-se quando merece, critica-se quando não merece. Simples assim.
O segundo gol que fechou o jogo
Quando o Corinthians estava bem e pressionando, o Coritiba saiu em contra-ataque com falha corintiana e o centroavante que havia acabado de entrar pelos paranaenses subiu nas costas do Allan e cabeceou para o fundo das redes. 2 a 0. Kauê voou mas não alcançou. Maionese azedou.
Com pouco tempo restante, Raniele ainda fez um gol de cabeça numa jogada de cruzamento. 2 a 1. Mas não havia tempo para mais.
Pedro Raul...
Seria desonesto não falar. Pedro Raul é ineficaz. Cabeceia fraco, perde bolas simples, não segura a posse e não cria espaços para os companheiros. A comparação com Memphis é cruel mas justa: o holandês,mesmo sem ser o "pivozão" clássico, segura a bola, pensa rápido, combina — coisas que deveriam ser características de um centroavante de área moderno.
Existe quem defenda que o Corinthians deveria montar um esquema em torno de Pedro Raul — jogar com chuveirinho na área para aproveitar sua característica de cabeceador. Mas há uma diferença enorme entre montar um esquema em torno de um craque — como a Argentina fazia com Messi, ou como o Corinthians poderia ter feito com Ronaldo Fenômeno — e montar um esquema em torno de um jogador que, quando a chance chega, não converte. O Pedro Raul tem contrato longo ainda. É uma situação que o Corinthians vai conviver por um tempo.
O que fica — e o que vem
A derrota tem contexto. Time misto, ressaca emocional de uma noite histórica, sem Garro, sem Yuri, depois de uma sequencia de jogos pesadíssima. Não é desculpa — é fato. E o Diniz precisa encontrar um jeito de manter o nível no Brasileirão sem comprometer a Libertadores, porque as duas competições importam.
No próximo domingo tem Santos — o clássico que a torcida quer ganhar sempre, qualquer que seja o momento. A esperança é que Memphis esteja fisicamente pronto para começar como titular, que Yuri Alberto se recupere e que Garro cumpra a suspensão e volte ligado.
A Libertadores continua sendo o foco principal. Mas o Brasileirão não pode ser descuidado. Essa maratona de jogos — uma média de um a cada três dias em alguns períodos — cobra seu preço. A gestão agora, com apenas duas competições na mão, fica um pouco mais simples.

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