
Estudiantes 1 x 1 Corinthians: Timão reage na Argentina e leva decisão para Itaquera
Estudiantes 1 x 1 Corinthians: O Corinthians conseguiu arrancar um empate importante diante do Estudiantes, na Argentina, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Libertadores.
Emerson Melo
9/10/2026
O 1 a 1 no estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, pode não ser exatamente o resultado que o torcedor queria quando a bola começou a rolar, mas, diante das circunstâncias da partida, acabou sendo um placar para comemorar.
Principalmente pelo jeito que tudo começou.
O Estudiantes precisou de apenas três minutos para abrir o placar, aproveitando uma falha da defesa corintiana após uma jogada de bola
aérea. (Se bem que tenho sérias dúvidas se não houve falta sobre o Gustavo Henrique). O cenário que já era complicado ficou ainda mais preocupante para um Corinthians que vinha de quatro derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro e chegava à Argentina pressionado.
Mas o time de Fernando Diniz conseguiu reagir.
No início do segundo tempo, Kaio César recebeu uma assistência espetacular de Rodrigo Garro e mostrou tranquilidade para finalizar, empatando a partida. O gol não apenas devolveu o Corinthians ao jogo como também encerrou um longo jejum: o Timão não marcava como visitante em um mata-mata de Libertadores desde 2012.
Agora, tudo será decidido em Itaquera.
Gol aos quatro minutos assustou o torcedor
Não dava para começar pior. O Corinthians ainda estava se encontrando em campo quando o Estudiantes aproveitou uma bola levantada na área. Guido Carrillo cabeceou e obrigou Hugo Souza a fazer a defesa, mas o goleiro não conseguiu ficar com a bola.
No rebote, Alexis Castro apareceu livre na pequena área e mandou para as redes.
Era o 1 a 0 para os argentinos.
O lance expôs uma deficiência que vem incomodando o torcedor corintiano: a dificuldade da equipe para defender algumas jogadas de bola aérea e, principalmente, para reagir rapidamente depois da primeira intervenção do goleiro.
Tomar um gol com apenas quatro minutos, em uma partida eliminatória fora de casa, é tudo que um time não quer.
E para o Corinthians havia ainda um componente emocional.
A equipe vinha de uma sequência extremamente negativa no Campeonato Brasileiro, com derrotas para Cruzeiro, Coritiba, Santos e Chapecoense. A última delas, diante do lanterna, aconteceu justamente poucos dias antes do confronto com o Estudiantes e aumentou muito a pressão sobre o elenco e Fernando Diniz.
Por isso, naquele momento, era fácil imaginar que o jogo poderia desandar.
Felizmente, não aconteceu.
Corinthians demora, mas começa a equilibrar a partida
Depois do gol, o Corinthians levou algum tempo para entrar efetivamente na partida.
O Estudiantes tentou aproveitar o momento para pressionar e quase chegou ao segundo gol em uma nova falha defensiva. Aos poucos, porém, o Timão começou a respirar.
A equipe passou a ter mais posse de bola e encontrou alguns espaços para atacar.
O problema continuava sendo o último passe.
Memphis Depay, titular novamente, teve uma atuação bastante discreta. O holandês ainda parece buscar sua melhor condição física e não conseguiu ser o jogador decisivo que o Corinthians espera.
É claro que existe um contexto.
Memphis voltou recentemente a atuar com mais regularidade e ainda está recuperando ritmo. Além disso, a ausência de Yuri Alberto continua sendo um problema para o setor ofensivo. O Corinthians tem encontrado dificuldade para colocar um atacante de referência em condições de receber as bolas dentro da área e transformar as jogadas em oportunidades reais.
Mesmo assim, contra o Estudiantes, Memphis pouco conseguiu produzir.
Rodrigo Garro também não teve um primeiro tempo brilhante, mas a história mudaria completamente depois do intervalo.
Garro aparece e Kaio César empata
Se o primeiro tempo terminou com a sensação de que o Corinthians poderia ter feito mais, o segundo começou da melhor maneira possível.
Aos três minutos, o Timão conseguiu fazer exatamente o que o Estudiantes havia feito no início da etapa anterior: marcar rapidamente.
E dessa vez foi uma bela jogada.
Rodrigo Garro encontrou Kaio César nas costas da defesa argentina com um passe preciso. O atacante teve tranquilidade para olhar a posição do goleiro e finalizar com categoria.
Gol do Corinthians!
Gol importantíssimo!
O 1 a 1 recolocou o Timão definitivamente na partida e mostrou que a equipe poderia buscar até mesmo uma vitória na Argentina.
Kaio César, aliás, merece destaque especial. Além de marcar o gol corintiano, o atacante foi um dos jogadores que mais deram trabalho à defesa argentina.
E o passe de Garro também merece ser valorizado.
O argentino vinha de uma atuação apagada contra a Chapecoense, mas voltou a aparecer justamente quando o Corinthians mais precisava de seu talento. Foi aquela jogada que explica por que o torcedor ainda deposita tanta confiança no camisa 8.
O próprio Kaio César destacou a qualidade da assistência após a partida.
Timão teve chances de virar
Depois do empate, o Corinthians passou a jogar com muito mais confiança. E aí fica aquela sensação de que poderia ter voltado para São Paulo com algo ainda melhor.
O Estudiantes continuou perigoso, principalmente pelos lados do campo, mas o Corinthians encontrou espaços para contra-atacar.
Em algumas dessas oportunidades, faltou capricho.
Uma delas terminou com Breno Bidon recebendo em boa condição, mas sem conseguir dominar a bola da maneira ideal. Se o controle tivesse sido perfeito, o jogador poderia ter avançado em direção ao gol em uma situação bastante interessante.
Foi justamente esse tipo de lance que deixou a sensação de que a vitória não era impossível.
O Corinthians não foi brilhante na Argentina, longe disso. Mas também não foi um time dominado durante os 90 minutos.
Os números mostram um confronto equilibrado: o Estudiantes terminou com 51% de posse contra 49% do Corinthians, além de 14 finalizações contra sete. Os argentinos tiveram seis chutes no alvo, enquanto o Timão acertou três.
Ou seja: o empate não veio por acaso. O Corinthians sofreu, mas também competiu.
Hugo Souza salva o Corinthians no fim
Se Kaio César e Garro foram fundamentais para buscar o empate, Hugo Souza foi decisivo para garantir que o resultado permanecesse igual.
O goleiro teve uma atuação segura e fez uma defesa gigantesca nos minutos finais.
Aos 47 minutos do segundo tempo, Cetré cruzou e Joaquín Correa apareceu para cabecear. A bola parecia destinada ao gol, mas Hugo Souza fez uma defesa espetacular e evitou o 2 a 1 do Estudiantes.
Foi o tipo de defesa que vale ponto. E, em uma partida de mata-mata, pode valer classificação.
Não por acaso, Hugo foi apontado como um dos grandes nomes da partida. O ge atribuiu nota 7 ao goleiro e destacou justamente a intervenção nos minutos finais.
Depois da convocação para a Seleção Brasileira, Hugo respondeu dentro de campo. E respondeu muito bem.
Libertadores também é jogo físico e catimba
Outro aspecto que chamou atenção foi a intensidade do confronto.
Estudiantes e Corinthians protagonizaram uma partida bastante física, com sete cartões amarelos distribuídos pelo árbitro uruguaio Esteban Ostojich. Foram quatro advertências para jogadores corintianos e três para os argentinos.
Gabriel Paulista, inclusive, terminou a partida com um grande inchaço na cabeça depois de uma disputa.
É Libertadores. É Argentina. É mata-mata!
E é justamente por isso que o empate precisa ser valorizado.
O Corinthians sabia que enfrentaria um ambiente complicado em La Plata. O Estudiantes tentou fazer valer o mando de campo, utilizou bastante o jogo físico e explorou as bolas aéreas.
Ainda assim, o Timão conseguiu sobreviver.
E, mais importante, conseguiu sair de uma situação que começou da pior maneira possível.
Diniz mexe na equipe e tenta segurar o resultado
Fernando Diniz também fez alterações durante a segunda etapa. André Carrillo deixou o campo para a entrada de Charles, em uma tentativa de reforçar a marcação pelo lado em que o Estudiantes vinha conseguindo criar algumas jogadas.
Mais tarde, Matheus Pereira entrou no lugar de Rodrigo Garro. Já nos minutos finais, Pedro Raul substituiu Memphis Depay.
A ideia naquele momento era clara: manter o resultado e evitar que o Estudiantes encontrasse uma última oportunidade para vencer. E foi exatamente o que aconteceu.
O Corinthians conseguiu resistir à pressão final, contando principalmente com Hugo Souza, e voltou para São Paulo com o empate.
O empate foi bom?
Foi. E muito. É claro que, depois de conseguir o empate e perceber que havia espaços para contra-atacar, o torcedor pode ficar com aquela sensação de que dava para buscar uma vitória.
Mas precisamos lembrar onde o jogo aconteceu. Foi na Argentina. Contra o Estudiantes. Pelas quartas de final da Libertadores...
O Corinthians sofreu um gol com quatro minutos, conseguiu reagir, empatou no começo do segundo tempo e ainda teve personalidade para competir até o final.
Se alguém oferecesse esse 1 a 1 antes da partida, provavelmente a maioria dos corintianos aceitaria.
E existe outro fator ainda mais importante: a decisão será em Itaquera!
Agora é tudo na Neo Química Arena
A vaga na semifinal será decidida na próxima quarta-feira, dia 16, na Neo Química Arena, às 21h30.
E aí o cenário muda completamente. O Corinthians terá sua torcida ao lado e saberá que uma vitória simples coloca o time na semifinal da Libertadores.
Não existe vantagem por gol fora de casa. Se o segundo jogo terminar novamente empatado, a classificação será decidida nos pênaltis.
Ou seja: está tudo aberto. O vencedor enfrentará na semifinal quem passar do confronto entre Flamengo e Independiente del Valle. E existe ainda uma curiosidade que aumenta a expectativa para a decisão.
Corinthians e Estudiantes já haviam se enfrentado em um mata-mata recentemente. Em 2023, pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, o Timão venceu em São Paulo por 1 a 0, perdeu pelo mesmo placar na Argentina e avançou nos pênaltis por 3 a 2.
Agora, três anos depois, a história se repete em outro torneio.
O empate em La Plata não apaga os problemas que o Corinthians vem apresentando.
O time ainda precisa melhorar muito ofensivamente. Memphis precisa recuperar ritmo, Garro precisa aparecer mais durante os jogos e o sistema defensivo não pode continuar cometendo erros que colocam a equipe em situações tão complicadas.
Mas existe uma diferença importante. Na Argentina, o Corinthians mostrou capacidade de reação. Depois de sofrer um gol praticamente no primeiro ataque do adversário, não desmoronou. Foi buscar o empate e saiu vivo.
Isso pode parecer pouco para quem olha apenas para o resultado, mas, considerando o momento vivido pelo clube, é algo que pode ter um peso enorme.
Agora é esquecer o que aconteceu no Campeonato Brasileiro por alguns dias e concentrar todas as forças na Libertadores.
O Corinthians terá o Flamengo pelo Brasileirão antes da decisão, em um jogo extremamente complicado no Maracanã. Mas a partida contra o Estudiantes já mostrou que o time ainda consegue competir quando a pressão aumenta.
E talvez seja justamente isso que o torcedor esteja esperando.
Não precisa ser bonito.
Não precisa ser uma goleada.
Não precisa dominar todos os adversários.
Mas precisa ter entrega, concentração e personalidade.
Porque quarta-feira será uma daquelas noites em que a Neo Química Arena vai jogar junto com o time.
O Corinthians voltou da Argentina vivo. E agora a decisão é em casa.
Que venha quarta feira em Itaquera.
Vai, Corinthians!

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