Garro no Flamengo, Memphis no Besiktas e Adidas chegando

Garro no Flamengo? Memphis no Besiktas? Rumores de saída dos dois principais jogadores do Timão circulam enquanto a troca de fornecedora de material esportivo parece encaminhada — e a bagunça política do clube explica muito de tudo isso

Emerson Melo

6/14/2025

Garro insatisfeito e com o empresário ouvindo propostas. Memphis com prêmio atrasado e de olho no Besiktas. Adidas chegando para dobrar o que a Nike paga. O Mundial de Clubes rolando sem o Corinthians. É muita coisa para uma semana de recesso.

O feriadão veio com notícias. Enquanto o mundo acompanha o Mundial de Clubes nos Estados Unidos — infelizmente sem o Corinthians —, os bastidores do

Parque São Jorge fervilham com rumores que, se confirmados, redesenhariam completamente o elenco para o segundo semestre. Rodrigo Garro no Flamengo. Memphis Depay no Besiktas. E a Adidas prestes a substituir 22 anos de Nike no clube. Vamos por partes — e com o pé no chão.

Garro pro Flamengo e Memphis pro Besiktas: onde tem fumaça...

Circulam informações de que Rodrigo Garro pode deixar o Corinthians rumo ao Flamengo, e que Memphis Depay teria o Besiktas, da Turquia, como destino após o encerramento do contrato no fim de julho. Antes de entrar em pânico ou descartar tudo como clickbait — e parte certamente é —, vale a pena analisar o contexto.

No caso do Garro, as más línguas dizem que o argentino está insatisfeito com a situação política do clube e que autorizou seu empresário a ouvir propostas. A troca da camisa 10 pela 8 gerou desconforto público — o próprio jogador admitiu que não gostou, mas sinalizou que havia superado e que entendia o peso histórico da camisa 8 no Corinthians. Pode ser que seja isso mesmo: uma questão superada. Ou pode ser que seja o sintoma visível de um incômodo maior.

No caso de Memphis, o cenário é mais simples de entender. O holandês tem contrato até 31 de julho. Recebe R$ 3,5 milhões por mês. O Corinthians deve R$ 40 milhões em luvas e prêmios — e segundo as últimas informações, a premiação do Paulistão ainda não havia sido quitada até a gravação deste vídeo. A renovação foi proposta, mas a conta não fecha sem vendas de outros jogadores. E o Besiktas, com dinheiro para oferecer, aparece no horizonte.

A pergunta não é se esses rumores são verdade. A pergunta é: dado o que está acontecendo no clube, por que alguém se surpreenderia se fossem?

A instabilidade que afasta jogadores — e ninguém pode criticar

Aqui está o ponto central que precisa ser dito sem rodeios. O Corinthians vive um cenário de instabilidade que vai muito além de resultados em campo. Presidente indiciado pela Polícia Federal. Salários em atraso. Prêmios não pagos. Escândalos políticos que dominam as manchetes com mais frequência do que as vitórias. Ex-presidentes expulsos do quadro associativo.

Coloque-se no lugar de um jogador profissional. Você trabalha numa empresa, recebe uma proposta de outra que paga igual ou mais, com estrutura mais sólida, sem risco de ver o salário atrasar no quinto dia útil. Você não vai, no mínimo, ouvir? Claro que vai. E não há nada de errado nisso — é a mesma decisão que qualquer profissional tomaria em qualquer outra área.

O jogador não ama o clube da mesma forma que o torcedor. Já falamos sobre isso antes aqui no canal. O que a gente pode — e deve — exigir é comprometimento enquanto o jogador está dentro do campo. Garro entregou isso. Memphis entregou isso. Se eles saírem, será por conta das condições que o clube oferece — não por falta de caráter ou amor ao escudo.

Quem tem que ser cobrado não é o jogador que sai. É a gestão que tornou o clube um lugar difícil de ficar.

Cuidado com os sites sensacionalistas — um recado importante

Vale um alerta que o Thiago Leifert já deu e que merece ser repetido: faltou notícia, fale do Corinthians. O clube é um imã de cliques — qualquer rumor com o nome do Timão gera engajamento imediato. E tem sites que usam isso descaradamente: publicam uma manchete bombástica, você clica, entra numa página abarrotada de anúncios e mal consegue ler o conteúdo. Os caras já ganharam com o seu clique antes mesmo de você saber se a notícia é real.

Isso não significa que Garro e Memphis vão ficar. Significa que antes de entrar em desespero, vale esperar que fontes confiáveis — jornalistas com histórico sólido e que respondem pelo que publicam — confirmem as informações. Rumor é rumor. Notícia é outra coisa.

Adidas chegando: 22 anos de Nike no fim

No meio de tanta coisa ruim, tem uma notícia que anima. Tudo indica que a Adidas vai fechar com o Corinthians, encerrando uma parceria de 22 anos com a Nike. O principal atrativo? A Adidas topou pagar o dobro do que a Nike paga atualmente — e o contrato da fabricante americana com o clube estava, segundo diversas fontes, bastante defasado em relação ao mercado.

O acordo com a Adidas também incluiria um compromisso de disponibilidade de estoque — ponto sensível para qualquer corintiano que tentou comprar a All Black no lançamento e não encontrou. A situação foi absurda: uma das camisas mais bonitas que o Corinthians já teve, com demanda enorme, e a Nike fez 150.000 unidades — num clube cuja camisa de maior sucesso histórico vendeu 750.000. A conta simplesmente não fechava.

Do ponto de vista financeiro, a troca é inevitável e necessária. Do ponto de vista sentimental — e sim, existe esse lado — é difícil não ter uma pontada de nostalgia. A Nike fez camisas memoráveis para o Corinthians: a All Black, a do Ayrton Senna, a do São Jorge. Modelos que ficam na memória independente de quem faz o próximo uniforme.

Mas 22 anos é tempo suficiente para saber o que a parceria entregou e o que deixou a desejar. E o que a Nike deixou a desejar — em logística, em exclusividade de design, em tratamento do Corinthians como clube de primeira prateleira — pesa na decisão tanto quanto o valor financeiro.

Enquanto tudo isso acontece nos bastidores, o mundo assiste ao Mundial de Clubes nos Estados Unidos. Fluminense jogando de igual para igual com o Borussia Dortmund. Botafogo enfrentando o PSG. Times brasileiros que mostraram que o futebol do país tem nível para competir com o europeu.

O Corinthians não está lá. E isso dói de um jeito específico — não porque o clube seja pior que os outros, mas porque o potencial existe e as condições para realizá-lo simplesmente não foram criadas. Um clube com mais de 30 milhões de torcedores, localizado na maior cidade da América do Sul, com história de títulos mundiais, deveria ser presença obrigatória nesse torneio. Não é.

A esperança é que tudo que está acontecendo agora — a limpeza institucional, a nova gestão tentando reorganizar as finanças, os novos patrocinadores chegando, a possibilidade da Adidas — seja o começo de um caminho que leve o Corinthians de volta ao lugar que ele merece ocupar. Não amanhã. Mas um dia.

Por enquanto, a gente acompanha o Mundial aguardando, com esperança e com realismo, o que o segundo semestre vai trazer para o Timão.

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