
Internacional 2 x 0 Corinthians: Timão precisa de remontada na Neo Química Arena
Matheus Bahia e Alan Patrick (pênalti) marcaram no segundo tempo e o Inter abriu grande vantagem nas oitavas da Copa do Brasil. Corinthians que vinha de cinco jogos sem perder, perdeu feio — e vai precisar de 3 a 0 ou mais na volta para avançar no tempo normal
Emerson Melo
8/3/2026
O futebol é maluco. Corinthians cinco jogos sem perder. Inter cinco jogos sem ganhar. NÃO DEU A LÓGICA. Dois gols em seis minutos no segundo tempo e agora a montanha ficou enorme para quinta-feira.
O Corinthians foi derrotado por 2 a 0 pelo Internacional, neste domingo, no Beira-Rio, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Depois de um primeiro tempo equilibrado e sem gols, a equipe de Fernando Diniz caiu de rendimento na etapa final e viu o Colorado construir a vantagem em
um intervalo de apenas seis minutos. Matheus Bahia abriu o placar aos 15 minutos do segundo tempo, enquanto Alan Patrick, de pênalti, ampliou aos 21.
O resultado ao meu ver, talvez foi justo pelo que aconteceu no segundo tempo — mas injusto pelo que o jogo apresentou durante os primeiros 60 minutos, em que o Corinthians se portou razoavelmente bem e criou a chance mais clara da partida logo no início, com Breno Bidon obrigando o goleiro Matheus Cunha a fazer grande defesa. O problema é que no futebol quem não mata, morre. E o Inter matou rápido.
✅ Ficha técnica
Resultado - Internacional 2 x 0 Corinthians
Competição - Copa do Brasil 2026 · Oitavas (jogo de ida)
Data e horário - 02/08/2026 · 19h30 (Brasília)
Gols - Matheus Bahia 15'/2°T · Alan Patrick 21'/2°T (pênalti)
Público / Renda - 30.864 torcedores · R$ 1.630.000
Cartões amarelos - Mercado e Alerrandro (INT) · Raniele, Garro, Carrillo, Kaio César e Pedro Raul (COR)
Árbitro - Alex Gomes Stefano
Primeiro tempo: equilíbrio que deu esperança
O Corinthians entrou em campo com a escalação esperada: Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele, André, Breno Bidon e Garro; Kaio César e Gui Negão. Com André ainda na equipe — ele saiu machucado no decorrer da partida após levar uma mão no olho numa dividida — e o time mais encorpado do que na quinta-feira contra o Athletico-PR, o Corinthians logo nos primeiros minutos mostrou que vinha para buscar o jogo.
Breno Bidon arriscou e obrigou Matheus Cunha a uma grande defesa logo no início. Era o sinal que o Timão poderia competir de igual para igual. Na sequência, porém, o mesmo Bidon errou um passe que gerou boa oportunidade para o Inter — e ali ficou o retrato do primeiro tempo: disputado, de erros dos dois lados, com o Inter tentando ser mais eficiente nas transições e o Corinthians com mais posse mas sem objetividade para converter.
Parte dessa posse pode ser explicada pelo estilo do próprio Inter — um time que gosta de ceder a bola ao adversário e se organizar defensivamente para atacar nos espaços. O Corinthians de Diniz, que ama o toque de bola, pode ter alimentado exatamente o tipo de jogo que o Inter queria. As duas propostas se encaixaram de forma perigosa para o lado corintiano.
Gabriel Paulista foi outro ponto de atenção. Seguro como zagueiro, mas insistiu em tentar armar o jogo saindo com bola pelo chão — e em pelo menos três ou quatro momentos entregou a posse para o Inter em situações perigosas. A função do Gabriel Paulista não é ser o organizador de saída de bola do Corinthians, e quando ele tentou ser o resultado foi péssimo, com bolas atravessadas erroneamente cedendo oportunidades ao Inter.
Seis minutos que definiram a noite — (Espero que não o confronto...)
O segundo tempo começou parecido com o primeiro — Gui Negão, quase marcou de cabeça logo cedo. Mas o jogo mudou aos 15 minutos, de forma rápida e dolorosa.
Em cinco minutos o Inter resolveu o jogo de ida. Matheus Bahia abriu o placar aos 15 minutos, enquanto Alan Patrick, de pênalti, ampliou aos 21. O primeiro gol veio de rebote, Kaio César não percebeu o jogador do Inter chegando por trás e perdeu a bola, que sobrou limpa para a finalização. Discussão sobre falha de Hugo Souza ou desvio à sua frente é válida, mas o fato é que o gol entrou.
O segundo foi pênalti de Gustavo Henrique — chegada atrasada, sem muita contestação possível. Alan Patrick converteu sem dó. 2 a 0. Fim de jogo na prática.
Deu até para torcer para o Hugo pegar o pênalti — ele já pegou antes, é um goleiro que inspira confiança nessas situações. Não foi dessa vez.
O árbitro que ganhou a Copa do Brasil de presente
Alex Gomes Stefano apitou o clássico desta noite — o mesmo árbitro que havia sido alvo de fortes críticas numa partida envolvendo o Vitória contra o Palmeiras, cujos jogadores e dirigentes saíram revoltados com a arbitragem. A CBF, fiel ao seu estilo criativo de gestão, premiou o árbitro com a Copa do Brasil.
No jogo desta noite, a arbitragem não foi o fator determinante — o pênalti de Gustavo Henrique foi legítimo e não há lance que mude o resultado de 2 a 0. (Apesar de um possível pênalti em Matheus Bidu que parece que quando é pró Corinthians o VAR nunca chama!) Mas a questão não é o que aconteceu aqui, é o princípio: árbitro com atuação polêmica na rodada anterior, sendo escalado para um jogo de mata-mata de nível nacional é exatamente o tipo de decisão que alimenta a desconfiança que o torcedor brasileiro já tem da CBF. Não surpreende, mas cansa.
As substituições — e o que não funcionou
André saiu com lesão no olho após levar uma mão de adversário numa dividida. Lingard entrou no lugar. Depois vieram Alan e Matheus Pereira — jogadores que entram e dificilmente mudam a história de um jogo. Gustavo Henrique, que é um bom cabeceador e que ainda poderia ser útil em jogadas aéreas no final do jogo com o Inter atacando, saiu e Pedro Raul entrou. Discutível — se a intenção era cruzar bola na área no desespero, manter um zagueiro forte no jogo aéreo faria sentido.
Raniele tentou uma finalização no final que quase trouxe um alento — acabou em defesa do goleiro. Pequeno detalhe que ilustra bem a noite: o Corinthians quase fez um gol com o volante defensivo.
O que o Corinthians precisa fazer na quinta-feira
Com o resultado, o Timão precisará vencer por três gols de diferença para avançar às quartas de final no tempo normal, e uma vitória corintiana por dois gols leva a decisão para os pênaltis. O jogo de volta será na próxima quinta-feira, 6 de agosto, na Neo Química Arena.
Dois gols de diferença leva aos pênaltis. Três ou mais avança direto. É difícil? Muito. Impossível? Não. O Corinthians já mostrou do que é capaz em casa nesses mata-matas improváveis.
A Neo Química Arena vai estar cheia, quente e barulhenta. A Fiel vai fazer sua parte. Agora é a vez do time fazer a dele — com Garro em dias melhores, talvez com Memphis de volta se possível, e com o espírito de não deixar o Inter respirar, quinta-feira o Corinthians precisa atacar desde o primeiro minuto e acreditar.
É difícil. Mas a Fiel já viu coisas mais difíceis acontecerem com esse time. Vai Corinthians!

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