
Internacional 2 x 1 Corinthians: derrota derruba Fernando Diniz e aumenta o drama do Timão
Corinthians perde por 2 a 1 para o Internacional, chega à sétima derrota seguida no Brasileirão e demite Fernando Diniz. Veja os detalhes do jogo, a situação na tabela e os possíveis substitutos, com Ramón Díaz como favorito e Zubeldía fora dos planos.
Emerson Melo
10/8/2026
O Corinthians voltou a decepcionar no Campeonato Brasileiro e deixou o Beira-Rio com mais uma derrota dolorosa. Na noite desta quarta-feira (7), o Timão perdeu por 2 a 1 para o Internacional, pela 29ª rodada, chegou à sétima derrota consecutiva no Brasileirão e viu a crise ganhar um novo capítulo: Fernando Diniz foi demitido logo depois da partida. Agora, além de tentar sair dessa sequência terrível, o clube precisa encontrar rapidamente um novo treinador para comandar a equipe no clássico contra o Palmeiras.
O resultado foi daqueles que deixam a gente com uma mistura de raiva e frustração. O Corinthians teve volume de jogo, acertou a trave três vezes e criou oportunidades para sair de Porto Alegre com pelo menos um empate. Mas voltou a pagar caro pelos próprios erros, desperdiçou chances importantes e terminou a noite sem pontos. Para completar, a situação na tabela ficou ainda mais perigosa.
O gol relâmpago que complicou tudo
A partida mal havia começado quando o Internacional abriu o placar. Com menos de um minuto de jogo, Alan Patrick encontrou Vitinho em uma jogada rápida, e o atacante finalizou para vencer Hugo Souza. Um golpe duríssimo para um Corinthians que precisava justamente de tranquilidade para tentar encerrar a sequência negativa.
O gol precoce obrigou o Timão a correr atrás do resultado desde os primeiros instantes. Fernando Diniz apostou em uma formação ofensiva, com Rodrigo Garro recuado no meio-campo e um trio de ataque formado por Kaio César, Memphis Depay e Yuri Alberto, que voltava a ficar disponível depois de um período afastado por lesão. (E mostrou porque faz falta, pois fez boa partida)
A proposta era ter a bola e pressionar o adversário, mas o começo mostrou novamente como o Corinthians pode ficar vulnerável quando perde a posse em regiões perigosas. O Internacional aproveitou os espaços e, com a vantagem no placar, pôde explorar os contra-ataques e os erros do Corinthians...
Corinthians teve a bola, mas faltou transformar o domínio em gols
Ao longo da partida, o Corinthians chegou a registrar aproximadamente 72% de posse de bola, contra 28% do Internacional. O Timão também finalizou mais: foram 22 chutes corintianos, diante de 17 do Colorado. Os números mostram que a equipe conseguiu construir volume ofensivo, mas também escancaram um problema que vem se repetindo: ter a bola e finalizar não significa, necessariamente, jogar bem o suficiente para vencer.
O Corinthians acertou a trave três vezes e teve oportunidades para buscar o empate. Em alguns momentos, a equipe conseguiu empurrar o Internacional para perto da própria área, mas faltou precisão na conclusão das jogadas. O goleiro Anthoni também teve participação importante, fazendo defesas que impediram uma reação do Timão.
É difícil não ficar com a sensação de que havia espaço para um resultado melhor. O desempenho ofensivo teve momentos positivos, mas o time voltou a cometer erros individuais em situações decisivas. Em uma partida tão importante na luta contra o rebaixamento, não dá para oferecer um gol logo no primeiro minuto e depois desperdiçar tantas oportunidades para reagir.
Alan Patrick amplia, e André ainda recoloca o Timão no jogo
No segundo tempo, Diniz promoveu a entrada de André no lugar de Breno Bidon, tentando dar mais força ao meio-campo. O Corinthians continuou buscando o empate e conseguiu criar perigo, mas foi o Internacional que voltou a marcar.
Aos 31 minutos da etapa final, Alan Patrick aproveitou um erro na saída de bola corintiana. Rodrigo Garro acabou (ridiculamente) desarmado dentro da área, e o lance terminou com o meia colorado ampliando a vantagem para 2 a 0. Foi mais um golpe em uma equipe que já estava pressionada e que não poderia se dar ao luxo de cometer erros dessa natureza.
Mesmo assim, o Corinthians não desistiu. Pouco depois, aos 34 minutos, André aproveitou uma oportunidade e diminuiu o placar para 2 a 1, devolvendo alguma esperança ao torcedor. O gol premiou a entrada do volante e colocou o Timão novamente na disputa nos minutos finais.
O problema é que o tempo era curto, e a reação não se transformou em empate. O Corinthians ainda tentou pressionar, mas o Internacional conseguiu administrar a vantagem até o apito final. Ficou a impressão de uma equipe capaz de competir em determinados momentos, mas que continua sem conseguir reunir eficiência ofensiva e segurança defensiva na mesma partida.
Fernando Diniz é demitido após a sétima derrota consecutiva
A derrota teve uma consequência imediata. Ainda em Porto Alegre, o Corinthians anunciou a demissão de Fernando Diniz e de sua comissão técnica. O executivo de futebol Marcelo Paz justificou a decisão pela necessidade de uma mudança de rumo e afirmou que o clube precisava de um “fato novo” para voltar a pontuar.
Diniz deixa o Timão depois de cerca de seis meses de trabalho. Em 33 partidas oficiais, somou 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas, com aproveitamento de aproximadamente 47,5%. O início de sua passagem teve resultados mais animadores, mas o rendimento caiu de forma significativa depois da pausa para a Copa do Mundo. Nos 17 jogos disputados após a retomada das competições, foram quatro vitórias, quatro empates e nove derrotas, segundo levantamento do ge.
A sequência recente tornou a situação insustentável. O Corinthians vinha de derrotas para Cruzeiro, Coritiba, Santos, Chapecoense, Flamengo, Fluminense e, agora, Internacional. A equipe também foi eliminada da Libertadores pelo Estudiantes e caiu na Copa do Brasil, acumulando frustrações em competições diferentes.
É possível discutir se a demissão deveria ter acontecido antes da pausa para a Data Fifa, quando a diretoria teve tempo para planejar uma troca. O clube optou por manter Diniz, deu a ele um período de preparação e tomou a decisão logo após o primeiro jogo da retomada. A escolha agora deixa uma pergunta inevitável: quem chegará terá tempo para mudar alguma coisa antes do clássico?
Ramón Díaz é o favorito, mas a situação não é tão simples
O nome que ganhou força imediatamente após a saída de Diniz foi o de Ramón Díaz. O argentino é considerado o plano A da diretoria, principalmente porque já conhece o elenco e o ambiente do Corinthians. Em sua primeira passagem, entre 2024 e 2025, ajudou o time a escapar do rebaixamento e conquistou o Campeonato Paulista de 2025. Ao lado do auxiliar Emiliano Díaz, comandou o Timão em 60 partidas, com 31 vitórias, 16 empates e 13 derrotas.
A experiência anterior pesa a favor de Ramón. Em uma reta final de campeonato tão delicada, a diretoria pode preferir um treinador que não precise começar do zero, que conheça parte dos jogadores e que já tenha enfrentado uma situação de pressão semelhante no clube.
Mas existe um obstáculo importante: Ramón Díaz recebeu uma suspensão de seis partidas do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), em razão de uma declaração feita quando treinava o Internacional. A punição ainda pode ser contestada, mas, caso seja mantida, limita a possibilidade de o argentino comandar a equipe à beira do campo durante boa parte da reta final. Com apenas nove rodadas restantes, esse é um problema que o Corinthians não pode ignorar.
Zubeldía recusou, e Corinthians avalia outras alternativas
A diretoria também procurou Luis Zubeldía, ex-técnico do São Paulo e do Fluminense, para saber se haveria interesse em assumir o Corinthians. A resposta, porém, foi negativa. Segundo informações divulgadas nesta quinta-feira, o treinador não pretende iniciar um novo trabalho neste momento e só deve voltar a comandar uma equipe em 2027. Com isso, a possibilidade de contratar Zubeldía perdeu força.
Outros nomes também apareceram nas discussões sobre o futuro do comando técnico. Juan Pablo Vojvoda foi citado entre as possibilidades, mas há resistência interna em relação ao seu perfil para a situação atual. Sylvinho, ex-treinador do Corinthians e atualmente associado ao trabalho à frente da seleção da Albânia, também foi mencionado como uma alternativa considerada por parte dos dirigentes. Até o momento, porém, Ramón Díaz continua sendo o nome mais forte, enquanto o clube avalia opções para não ficar sem uma solução a tempo do Dérbi.
O cenário é complicado. Ramón conhece o clube, mas existe a questão da suspensão. Zubeldía não aceitou a abordagem, e os demais nomes não aparecem com a mesma força. A diretoria precisa encontrar um treinador capaz de organizar a equipe rapidamente, sem perder de vista que o problema do Corinthians não se resume a quem fica na área técnica.
Corinthians está a um ponto da zona de rebaixamento
Com a derrota no Beira-Rio, o Corinthians permaneceu com 32 pontos e caiu para a 16ª colocação, a primeira posição fora da zona de rebaixamento. O Internacional chegou aos 31 pontos, assumiu o 17º lugar e encostou ainda mais no rival paulista. A diferença entre os dois é de apenas um ponto.
É uma situação alarmante para um clube do tamanho do Corinthians. Depois de sonhar com uma campanha mais tranquila e de disputar competições importantes, o Timão agora precisa olhar para baixo e fazer contas para permanecer na Série A (mais um ano...). Cada rodada passa a ter um peso enorme, e a sequência negativa não deixa margem para novos tropeços.
O próximo compromisso será justamente contra o Palmeiras, neste domingo (11), às 17h30, no Nubank Parque, pela 30ª rodada do Brasileirão. É difícil imaginar um cenário mais delicado para uma troca de treinador: o Corinthians chega pressionado, está muito perto do Z-4 e terá pela frente um clássico fora de casa.
A crise vai muito além do treinador
A demissão de Fernando Diniz pode ser necessária para tentar provocar uma reação, mas não resolve automaticamente os problemas que levaram o Corinthians a essa situação. A equipe voltou a cometer erros individuais, desperdiçou chances claras e não conseguiu transformar a superioridade na posse de bola em pontos. São problemas que precisam ser corrigidos rapidamente, independentemente de quem assumir.
Também seria simplista colocar toda a responsabilidade no treinador. O Corinthians atravessa uma temporada marcada por eliminações, dificuldades financeiras, limitações para reforçar o elenco e pressão constante nos bastidores. A comissão técnica tem sua parcela de responsabilidade pelos resultados e pelas escolhas dentro de campo, mas a diretoria também precisa explicar como pretende evitar que a crise se repita.
O torcedor está cansado de promessas e de mudanças que chegam tarde. A saída de Diniz abre espaço para um novo começo, mas esse começo precisa vir acompanhado de decisões coerentes, organização e, principalmente, resultados. Neste momento, não basta anunciar um nome conhecido ou apostar em alguém que já passou pelo clube: é preciso escolher uma solução que faça sentido para as nove rodadas finais. E mudanças obviamente na parte de cima para que 2027 seja diferente! (Eu particularmente acredito na intervenção judicial e Safiel)
O Corinthians perdeu para o Internacional, viu seu treinador cair e terminou a rodada perigosamente perto da zona de rebaixamento. Agora, a diretoria tem poucos dias para definir o próximo comandante e preparar o time para o Palmeiras.

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