
Memphis Depay fica no Corinthians! Toda a polêmica e a reviravolta da permanência até 2028
A novela envolvendo Memphis Depay e o Corinthians terminou, mas deixou pelo caminho uma das negociações mais controversas da história recente do clube. Confira toda a novela da renovação no artigo de hoje.
Emerson Melo
8/18/2026
Em poucos dias, o atacante holandês passou de jogador praticamente descartado pela diretoria a reforço novamente confirmado para o elenco de Fernando Diniz. A reviravolta aconteceu depois de semanas de impasse, críticas públicas, pressão da torcida, divergências internas, discussão sobre dívidas e até ameaça de uma disputa na Fifa.
O desfecho aconteceu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, quando o presidente Osmar Stábile confirmou que Memphis continuará no
Corinthians por mais dois anos, com contrato até julho de 2028. O acordo, porém, é bem diferente daquele que inicialmente havia assustado a diretoria pelo tamanho dos compromissos financeiros envolvidos
A origem da novela
Memphis chegou ao Corinthians em setembro de 2024 cercado de enorme expectativa. O holandês rapidamente se transformou em uma das principais referências técnicas do time e teve participação importante nas conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil em 2025, além da Supercopa do Brasil em 2026.
Até o momento de sua renovação, Memphis havia disputado 79 partidas pelo clube, com 20 gols e 15 assistências.
O problema, entretanto, nunca foi apenas esportivo. Desde os primeiros meses de 2026, o Corinthians discutia como conseguir manter um jogador cujo pacote financeiro era considerado pesado para a realidade do clube.
A diretoria chegou a procurar empresas interessadas em ajudar a bancar a permanência do atacante. Em abril, o clube negociava com possíveis parceiros para assumir parte ou até a totalidade dos custos relacionados ao salário do jogador.
A questão se tornou ainda mais complicada porque o Corinthians já acumulava uma dívida significativa com Memphis. Em determinado momento das negociações, o valor devido ao atleta chegou a ser estimado em dezenas de milhões de reais, tornando a renovação também uma forma de reorganizar uma obrigação financeira que já existia.
A dívida virou o centro do problema
A situação financeira do Corinthians foi fundamental para entender por que uma renovação que parecia desejada pelo departamento de futebol se transformou em uma enorme crise política.
Segundo as informações divulgadas durante a negociação, a dívida com Memphis poderia chegar a aproximadamente R$ 77 milhões considerando valores atrasados, premiações, juros e outros compromissos.
Isso colocava o clube em uma posição delicada. Não renovar não significava simplesmente deixar de pagar Memphis. O Corinthians continuaria obrigado a honrar os compromissos assumidos anteriormente e ainda corria o risco de enfrentar uma disputa internacional caso o jogador acionasse a Fifa.
Por outro lado, renovar significava assumir novos compromissos justamente em um momento no qual o clube enfrentava graves dificuldades financeiras.
Esse dilema esteve no centro de praticamente toda a novela.
O acordo que assustou a diretoria
Depois de meses de negociações, Corinthians e Memphis chegaram a avançar bastante em um novo contrato de dois anos.
O problema foi o custo total do pacote.
As informações divulgadas pela imprensa apontavam que, além dos salários e da renegociação da dívida, existiam compromissos de marketing, ações comerciais e uma ajuda de custo mensal de R$ 250 mil. Somados, esses componentes poderiam elevar o custo total do acordo para algo próximo de R$ 130 milhões em dois anos.
Foi justamente esse número que mudou o rumo da negociação.
A diretoria passou a entender que o salário, isoladamente, não era necessariamente o principal problema. O risco estava no conjunto de obrigações assumidas pelo clube, principalmente aquelas que dependiam da capacidade de arrecadar dinheiro com ações comerciais e de marketing em um prazo relativamente curto.
O Corinthians então decidiu não seguir adiante.
Em 11 de agosto, o clube divulgou oficialmente que não renovaria com Memphis. A justificativa apresentada foi exclusivamente financeira.
A reação de Memphis
A decisão provocou uma reação imediata do jogador.
Memphis ficou particularmente incomodado porque, segundo as informações divulgadas por diferentes veículos, a negociação já estava muito avançada. O jogador teria aceitado reduzir valores, havia participado das tratativas e chegou a realizar exames médicos pensando na continuidade.
A ruptura também teve um componente simbólico: Memphis entendia que havia feito concessões para permanecer no Corinthians.
Após o anúncio da saída, o holandês afirmou que havia sido desrespeitado e prometeu reagir para proteger seus interesses. O cenário chegou a levantar a possibilidade de uma disputa na Fifa para cobrar valores que o Corinthians ainda lhe devia.
O risco para o Corinthians era enorme. Além da possibilidade de uma cobrança elevada, uma nova punição internacional poderia agravar uma situação que já era complicada, pois o clube enfrentava outros problemas relacionados a transfer bans e dívidas com jogadores e clubes.
A pressão da torcida e a divisão interna
A decisão de não renovar também provocou uma forte reação entre os torcedores.
Memphis havia construído uma relação muito particular com a Fiel. Apesar das críticas ao seu desempenho em determinados períodos, ele foi importante em títulos recentes e se tornou uma das figuras mais populares do elenco.
O departamento de futebol, por sua vez, defendia a permanência.
O ge revelou que existia uma divisão dentro do próprio Corinthians: enquanto setores do Parque São Jorge pressionavam Osmar Stábile para não assinar o novo contrato, a área de futebol defendia a manutenção do jogador.
O técnico Fernando Diniz também demonstrou publicamente sua frustração com a saída. O treinador admitiu que a negociação parecia encaminhada e que havia expectativa dentro do elenco pela continuidade do atacante.
O problema ganhou, portanto, uma dimensão que ultrapassava o futebol. A permanência de Memphis passou a envolver interesses políticos, financeiros e eleitorais dentro do Corinthians.
A questão política
Foi justamente nesse ponto que a negociação ficou ainda mais controversa.
Reportagens da Folha apontaram que a decisão de não renovar não teria sido apenas econômica e que a política interna do clube teve peso importante na escolha de Stábile. O presidente estaria sofrendo pressão de setores influentes do Corinthians em um momento marcado pela proximidade das eleições presidenciais.
Ao mesmo tempo, havia uma situação curiosa: a torcida queria Memphis, o futebol queria Memphis, mas parte da estrutura política do clube entendia que a renovação era financeiramente irresponsável.
O caso também levantou questionamentos sobre a autonomia do departamento de futebol e do executivo Marcelo Paz. A demora na definição fez surgir dúvidas sobre quem efetivamente tinha a palavra final dentro do clube.
Durante alguns dias, parecia que Memphis realmente havia encerrado sua passagem pelo Corinthians.
Mas a história ainda teria outra reviravolta.
A proposta que mudou tudo
Nos bastidores, o estafe de Memphis voltou a apresentar condições mais favoráveis.
A principal mudança foi financeira.
Segundo o UOL, Memphis abriu mão de aproximadamente R$ 13,7 milhões para viabilizar a renovação. A exigência de marketing caiu de R$ 15,4 milhões para R$ 7,7 milhões, enquanto o jogador também abriu mão da ajuda de custo de R$ 250 mil mensais, que representaria R$ 6 milhões durante os dois anos.
Foi uma mudança significativa.
Além disso, a Fatal Fans anunciou um aporte de R$ 5 milhões para ajudar na renovação, com possibilidade de ampliar o valor por meio de investimentos de outros parceiros. Outra empresa também teria sinalizado um aporte de R$ 2,4 milhões.
Com isso, o pacote que inicialmente assustava a diretoria foi reformulado.
A proposta passou a prever aproximadamente R$ 54 milhões em remuneração ao jogador durante os dois anos, além de premiações e bonificações, enquanto a dívida anterior seria reorganizada.
O Corinthians encontrou uma saída para a dívida
Talvez o aspecto mais importante da nova negociação esteja justamente na dívida acumulada.
Em vez de simplesmente encerrar a relação e deixar uma cobrança potencialmente explosiva para o futuro, o novo acordo prevê uma reorganização dos valores.
A dívida, estimada em aproximadamente R$ 77 milhões no cenário mais amplo, seria fixada em R$ 42 milhões, sem juros e multas, com pagamento parcelado entre 2027 e 2028.
Na prática, a renovação passou a ser apresentada pela diretoria não apenas como uma contratação, mas também como uma maneira de reorganizar um passivo que já existia.
Essa é uma das principais justificativas para quem defende a permanência de Memphis.
O papel do Cori
A nova proposta foi encaminhada ao Conselho de Orientação do Corinthians, o Cori.
A votação terminou empatada em 6 a 6, e o presidente do órgão, Miguel Marques e Silva, utilizou o voto de minerva para recomendar a renovação.
O detalhe importante é que o Cori entendeu que os novos termos eram significativamente melhores do que os apresentados anteriormente.
Segundo o próprio presidente do conselho, se os valores originais fossem mantidos, a recomendação não seria favorável. A redução dos compromissos financeiros e a participação de empresas no financiamento foram determinantes para a mudança de posição.
Memphis fica até 2028
Depois de toda a turbulência, Osmar Stábile confirmou nesta terça-feira que Memphis permanecerá no Corinthians por mais dois anos.
O presidente afirmou que conversou pessoalmente com o jogador e confirmou a continuidade da parceria. O holandês deve ser reintegrado ao elenco de Fernando Diniz e existe expectativa de que possa voltar a atuar já na Libertadores, dependendo da regularização de sua documentação.
A reviravolta é impressionante: apenas uma semana antes, o próprio Corinthians havia anunciado oficialmente que não renovaria com Memphis.
Agora, o jogador tem contrato até julho de 2028.
A permanência foi uma boa decisão?
Essa é a grande questão que ficará para os próximos meses.
Do ponto de vista esportivo, existe um argumento forte a favor da permanência. Memphis é um jogador tecnicamente diferenciado, tem identificação com a torcida e participou diretamente de conquistas importantes desde que chegou ao clube.
Além disso, o Corinthians atravessa um momento de escassez de atacantes. Durante a ausência de Memphis, Fernando Diniz precisou modificar o estilo de jogo da equipe justamente pela falta de opções ofensivas.
Por outro lado, o argumento financeiro não pode ser ignorado.
O Corinthians continua enfrentando uma situação econômica extremamente delicada. O clube registrou déficit de R$ 168 milhões apenas até abril de 2026 e trabalha com uma necessidade de arrecadar cerca de R$ 147 milhões em vendas de jogadores para equilibrar as contas.
É por isso que a discussão sobre Memphis não pode ser reduzida a "gosta ou não gosta do jogador".
A questão é saber se o custo da permanência é compatível com o benefício esportivo que ele pode entregar.
O que fica da novela Memphis
A permanência de Memphis Depay encerra uma novela, mas não encerra a discussão.
O Corinthians conseguiu reduzir consideravelmente o custo inicialmente previsto, o jogador abriu mão de valores importantes, empresas entraram no financiamento e a dívida anterior foi reorganizada. Esses fatores tornam o novo acordo muito diferente daquele que havia provocado a desistência inicial.
Ao mesmo tempo, o episódio expôs novamente a fragilidade financeira e política do Corinthians exposto nacional e internacionalmente.
Em poucos dias, o clube anunciou a saída de um dos seus principais jogadores, enfrentou uma reação enorme da torcida, viu surgir a ameaça de uma disputa na Fifa e, posteriormente, voltou atrás para confirmar justamente a permanência que havia descartado.
A novela terminou com Memphis no Corinthians até 2028. Agora começa a parte realmente importante: transformar toda essa turbulência em resultado dentro de campo e provar que a aposta financeira fez sentido.
Porque, depois de tanta polêmica, a cobrança sobre Memphis e principalmente sobre a diretoria será ainda maior (inclusive com protestos agendados pelas principais organizadas nos próximos dias).


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