
Palmeiras 4 x 1 Corinthians: vexame no Dérbi, críticas a Memphis e a aposta em Seedorf
Corinthians perde por 4 a 1 para o Palmeiras, chega à oitava derrota seguida no Brasileirão e entra no Z-4. Veja a análise do Dérbi, as críticas a Memphis Depay e os questionamentos sobre a contratação de Clarence Seedorf.
Emerson Melo
10/13/2026
O torcedor corinthiano já estava acostumado a sofrer nas últimas semanas, mas o que aconteceu no Dérbi deste domingo foi difícil de engolir... O Corinthians perdeu por 4 a 1 para o Palmeiras, no Nubank Parque, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, em uma partida na qual o rival pareceu entender muito melhor o tamanho do clássico e a importância dos três pontos. Se não fosse Hugo Souza, que fez defesas importantes e ainda defendeu um pênalti, a goleada poderia ter sido ainda maior.
E, como se o resultado já não fosse suficiente para aumentar a preocupação da Fiel, o clube anunciou no mesmo dia a contratação de Clarence Seedorf como novo treinador, com contrato até o fim de 2027. Um nome gigantesco quando falamos do jogador, mas que chega cercado de dúvidas quando o assunto é sua experiência como técnico. É uma aposta que pode dar certo? Pode. Mas, sinceramente, diante da situação em que o Corinthians se encontra, é difícil não questionar o critério por trás dessa escolha.
Palmeiras entendeu o tamanho do Dérbi, enquanto o Corinthians parecia desligado
Desde os primeiros minutos, ficou evidente a diferença de postura entre as equipes. O Palmeiras entrou pressionando, disputando cada bola e mostrando a urgência de quem precisava vencer para continuar na briga pela liderança do Campeonato Brasileiro. O Corinthians, por outro lado, até começou com um meio-campo com um jogador a mais no 4-4-2 invés do 4-3-3 usual, dando a impressão de que William Batista tentaria proteger a defesa e dificultar a vida do rival. Na prática, porém, o time não conseguiu executar esse plano.
O Hugo Souza já precisou trabalhar nos primeiros minutos, fazendo defesas que impediram o Palmeiras de abrir o placar ainda mais cedo. O problema é que não dava para depender do goleiro durante os 90 minutos. O rival encontrava espaços, chegava com perigo e mostrava uma organização que simplesmente não víamos do lado corintiano.
O primeiro gol saiu aos 16 minutos, quando Alexander Barboza aproveitou uma jogada aérea para abrir o placar. O Corinthians não conseguiu reagir de maneira convincente e, nos acréscimos do primeiro tempo, Agustín Giay marcou o segundo, deixando o Palmeiras com uma vantagem de 2 a 0 no intervalo.
O que mais irrita não é simplesmente perder para o Palmeiras. Clássicos são jogos em que qualquer resultado pode acontecer. O problema é a maneira como o Corinthians perdeu. A equipe parecia não ter a mesma intensidade, não conseguia controlar as ações e deixava o adversário jogar com uma tranquilidade que não deveria existir em um Dérbi dessa importância.
O gol contra de Matheus Bidu acabou com qualquer esperança
Se o torcedor ainda tinha alguma esperança de ver uma reação no segundo tempo, ela praticamente acabou logo na volta do intervalo. Com menos de um minuto da etapa final, Matheus Bidu se atrapalhou em um lance com Raniele e acabou cabeceando contra o próprio gol. Foi um daqueles lances que parecem resumir a fase de uma equipe: falta de comunicação, insegurança e um erro que torna ainda mais difícil uma missão que já era complicada.
É claro que o Bidu não entrou em campo querendo fazer um gol contra. Não faz sentido transformar um erro individual em motivo para atacar pessoalmente o jogador. Mas o lance foi emblemático porque expôs a desorganização e a falta de confiança de um Corinthians que já vinha acumulando derrotas e atuações preocupantes.
E nem deu tempo de o time se reorganizar. Aos seis minutos do segundo tempo, Giay marcou novamente e fez 4 a 0 para o Palmeiras. O argentino teve uma atuação de destaque, com dois gols no clássico, enquanto o Corinthians praticamente assistia ao rival construir a goleada.
A partir dali, a preocupação passou a ser evitar um vexame ainda maior. O Palmeiras continuou encontrando espaços, e Hugo Souza precisou aparecer mais uma vez para impedir que o placar ficasse ainda mais humilhante. Aos 36 minutos, o goleiro defendeu uma cobrança de pênalti de Paulinho, mais uma intervenção que evitou um quinto gol palmeirense.
Quando o goleiro é um dos poucos jogadores que se salvam em uma derrota por 4 a 1, fica difícil encontrar algum aspecto positivo para destacar. Hugo fez sua parte, mas não havia como compensar sozinho tantos problemas coletivos.
Gustavo Henrique diminuiu no fim, mas não há muito o que comemorar
Já nos acréscimos, aos 45 minutos do segundo tempo, Gustavo Henrique marcou de cabeça após cobrança de escanteio e descontou para o Corinthians. O detalhe é que, dessa vez, a bola chegou à área sem que Memphis Depay fosse o responsável pela cobrança. O gol serviu para diminuir um pouco o tamanho do placar, mas não mudou absolutamente nada sobre o que aconteceu durante a partida.
O resultado final foi Palmeiras 4 a 1 Corinthians. Nas estatísticas, a superioridade alviverde também apareceu: foram 22 finalizações do Palmeiras, oito delas no alvo, contra 12 do Timão, com apenas três na direção do gol. O rival ainda teve mais posse de bola, com 55%, diante de 45% do Corinthians.
Ou seja, não foi apenas uma questão de azar ou de um gol contra. O Palmeiras criou mais, finalizou melhor e teve muito mais capacidade de transformar suas oportunidades em gols. O Corinthians até conseguiu alguns momentos de posse, mas esteve longe de oferecer uma resposta à altura de um clássico desse tamanho.
Memphis Depay precisa ser cobrado como qualquer outro jogador
Quero abrir um capítulo à parte para Memphis Depay porque, sinceramente, minha relação com o jogador neste momento é de profunda frustração. E digo isso como torcedor, não como alguém que espera que todo atleta seja perfeito. No Corinthians, já tivemos uma relação de amor e ódio com diversos jogadores. Marcelinho Carioca, Cássio e tantos outros tiveram momentos em que foram amados pela torcida e outros em que receberam críticas pesadas. Faz parte do futebol.
Quando Memphis chegou ao clube, criou-se a expectativa de que estávamos diante de um jogador capaz de fazer a diferença. Ele tem currículo, qualidade técnica e uma carreira internacional respeitável. Também teve participação em momentos importantes do Corinthians, incluindo as conquistas de 2025. Não estou apagando isso. A questão é o que ele vem entregando agora.
Contra o Palmeiras, foi difícil apontar uma sequência de jogadas em que Memphis realmente tenha conseguido fazer a diferença. Tentativas de passes difíceis, jogadas de primeira sem precisão e pouca efetividade. Em vez de simplificar algumas situações, parecia tentar resolver tudo com recursos técnicos que não estavam funcionando. E, quando o time precisa de alguém para assumir a responsabilidade, isso pesa.
Também é difícil entender por que ele parece ter um lugar tão garantido entre os titulares, mesmo quando seu rendimento está abaixo do esperado. Por que outros jogadores são substituídos, enquanto Memphis costuma permanecer em campo? É uma pergunta legítima, e não deveria ser tratada como perseguição ao atleta. Nenhum jogador pode estar acima das necessidades do Corinthians.
Outro ponto é a cobrança de escanteios. O Corinthians precisa aproveitar melhor as bolas paradas, e não faz sentido insistir em uma escolha quando a execução não está funcionando. No Dérbi, o gol de Gustavo Henrique saiu em uma cobrança que não foi feita por Memphis. Não é uma prova definitiva de que ele nunca deva bater escanteios, mas é um motivo para a comissão técnica avaliar alternativas.
A chegada de Seedorf torna essa questão ainda mais interessante. Os dois são holandeses, mas isso não significa que o novo treinador vá proteger Memphis ou concordar automaticamente com suas escolhas. Pelo contrário: espero que Seedorf tenha autonomia para cobrar o jogador, colocá-lo no banco se necessário e exigir que todos entreguem o máximo. O Corinthians não tem condições de sustentar privilégios enquanto luta para escapar do rebaixamento.
Seedorf é um craque histórico, mas isso não faz dele um grande treinador automaticamente
O anúncio de Clarence Seedorf foi uma surpresa. Como jogador, estamos falando de um dos grandes nomes do futebol europeu, multicampeão e protagonista de uma carreira que passou por clubes como Ajax, Real Madrid e Milan. Para quem acompanhou sua trajetória, não existe discussão sobre a qualidade que ele tinha dentro de campo.
Mas o Corinthians não contratou Seedorf para jogar. Contratou um treinador, e são funções completamente diferentes.
A carreira de Seedorf como técnico é curta e irregular. Ele passou pelo Milan, pelo Shenzhen, da China, pelo Deportivo La Coruña e pela seleção de Camarões, cujo trabalho terminou em 2019. Desde então, ficou anos sem comandar uma equipe profissional. Agora, aos 50 anos, retorna ao futebol brasileiro para assumir justamente um dos trabalhos mais pressionados do país.
Isso não significa que ele necessariamente fracassará. Futebol está cheio de treinadores que não tiveram sucesso em uma primeira experiência e depois conseguiram construir uma carreira melhor. Também existem profissionais que chegam sem grande currículo e conseguem encaixar rapidamente um time. Torço para que seja esse o caso de Seedorf no Corinthians.
O problema é o risco da escolha. O clube está perto da zona de rebaixamento, atravessa uma crise administrativa e esportiva e tem pouco tempo para corrigir a rota. Não estamos falando de uma equipe em situação tranquila, que pode dar ao treinador meses para conhecer o elenco, experimentar ideias e construir um projeto com calma.
A contratação foi anunciada com vínculo até o fim de 2027, uma decisão que merece questionamento em um momento de incerteza política. A eleição presidencial do Corinthians está marcada para novembro, e a atual gestão pode não permanecer no comando no próximo ano. O UOL também noticiou que Seedorf foi o único nome a receber uma proposta com duração até o fim de 2027, enquanto outros treinadores consultados haviam recebido propostas mais curtas.
É justamente aí que entra minha crítica à diretoria. Não estou dizendo que a escolha é necessariamente ruim apenas porque Seedorf não tem um currículo extenso como treinador. Estou questionando o critério e o momento. Qual é o planejamento para contratá-lo? Quais são as condições oferecidas? Por que um vínculo tão longo em um período de tanta incerteza institucional?
Também existe a possibilidade de Memphis ter ajudado a aproximar as partes, considerando que os dois são holandeses e que Seedorf conhece o ambiente do futebol brasileiro. Mas, até que isso seja confirmado por fontes confiáveis, não dá para tratar a participação do atacante como fato. O que sabemos é que o clube fez uma aposta surpreendente e que agora precisará dar condições para o trabalho funcionar.
Mais uma decisão que deixa o futuro do Corinthians nas mãos da próxima gestão
O contrato de Seedorf até o fim de 2027 levanta uma questão que vai além do campo. O Corinthians vive um período de instabilidade administrativa, com mudanças de comando, problemas financeiros e incerteza sobre o futuro político do clube. Em um cenário assim, decisões que comprometem a próxima temporada deveriam ser tomadas com critérios muito claros.
Se Seedorf chegar, organizar o time e conseguir uma arrancada de vitórias, serei o primeiro a reconhecer que a aposta deu certo. Não tenho qualquer interesse em torcer contra um treinador do Corinthians. Já torci por profissionais que não me convenciam no início e continuarei torcendo para que o próximo consiga recuperar o time.
Mas, se o trabalho não funcionar, o clube corre o risco de ter mais um problema contratual para resolver justamente quando precisa economizar e reorganizar suas contas. E, se houver uma mudança de gestão, o próximo presidente poderá herdar um treinador que não escolheu, com contrato longo e expectativas que talvez não correspondam ao seu próprio planejamento.
O Corinthians precisa parar de tomar decisões como se o futuro fosse problema de outra pessoa. Não basta contratar um nome famoso, anunciar uma novidade e esperar que tudo se resolva. O clube precisa de planejamento, transparência e responsabilidade para que cada mudança tenha uma justificativa esportiva e administrativa.
O Corinthians está em situação desesperadora, mas a Fiel não pode desistir
A derrota para o Palmeiras aumenta ainda mais a preocupação com o rebaixamento. O Corinthians já vinha de uma sequência terrível de resultados e, com o 4 a 1 no Dérbi, acumulou oito derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro. O Timão terminou a rodada dentro da zona de rebaixamento, na 17ª colocação, com 32 pontos.
É impossível não estar preocupado. Quem acompanha o Corinthians sabe que a camisa pesa, mas ela não entra em campo sozinha. É preciso organização, entrega, concentração e jogadores que assumam a responsabilidade. O que vimos no Dérbi foi um time que não conseguiu competir de igual para igual com o rival e que sofreu com erros que não podem se repetir nessa reta final.
Ao mesmo tempo, não vou entrar nessa de decretar o rebaixamento antes da hora. Enquanto houver possibilidade matemática de escapar, vou acreditar. Pode ser uma situação desesperadora, pode exigir uma arrancada improvável, mas torcer para o Corinthians também significa acreditar até o último momento. Isso não impede a cobrança; pelo contrário, é justamente por se importar que o torcedor exige mais.
Seedorf chega com uma missão enorme. Vai precisar recuperar a confiança do elenco, organizar a defesa, encontrar soluções para o ataque e mostrar que consegue transformar sua experiência como jogador em trabalho efetivo como treinador. E a diretoria, por sua vez, precisa parar de colocar todas as esperanças em uma única contratação e assumir sua responsabilidade pelo cenário atual.
O Dérbi foi um vexame, Memphis precisa ser cobrado, a escolha por Seedorf envolve riscos e a situação na tabela é alarmante. Nada disso significa que o Corinthians já caiu. Significa que o clube chegou a um ponto em que não há mais espaço para improvisação.
Agora quero saber a opinião de vocês: o que acharam da goleada para o Palmeiras e da contratação de Seedorf? Vocês acreditam que o holandês pode dar certo no Corinthians ou a diretoria está fazendo mais uma aposta arriscada em um momento em que não poderia errar?
Vai Corinthians!

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