Ronaldo Giovanelli crava: Memphis Depay não deve renovar com o Corinthians

Comentarista Ronaldo Giovaneli cravou que o holandês deixa o Timão em julho. BYD preferiu fechar acordo de naming rights com o São Paulo, deixando o Corinthians sem o patrocinador que viabilizaria a permanência do camisa 10

Emerson Melo

5/13/2026

Memphis Depay aceitou ganhar menos. O Corinthians disse que estava buscando parceiros. A BYD parecia ser a peça que faltava — até escolher o Morumbi. Agora, o quebra-cabeça não fecha mais.

A novela da renovação de Memphis Depay com o Corinthians ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira — e não foi um bom capítulo para a torcida alvinegra. O comentarista Ronaldo Giovaneli, ex-goleiro do clube e figura habitual do programa

Jogo Aberto, da Band, foi direto ao ponto: o holandês não ficará no Timão após o encerramento do contrato, em julho de 2026.

O diagnóstico de Giovaneli bate com o que se apurou nos bastidores: a montadora chinesa BYD, que era apontada como o patrocinador capaz de viabilizar financeiramente a permanência do atacante, retirou-se das negociações com o Corinthians. O motivo? A empresa fechou um acordo de naming rights com o Morumbi, estádio do São Paulo — rival direto do Timão. Com a BYD fora do páreo, o Corinthians perdeu a principal aposta para equilibrar o orçamento que sustentaria o novo contrato de Memphis.

O que disse Ronaldo Giovaneli

No Jogo Aberto desta quarta, Giovaneli resumiu a situação sem rodeios: o clube não tem um projeto financeiro estruturado para viabilizar a renovação, e sem um patrocinador que banque pelo menos metade do salário do jogador, a conta simplesmente não fecha.

Segundo o comentarista, o Corinthians tentou montar essa equação, mas chegou ao limite do que consegue oferecer sozinho. O resultado, na avaliação dele, é que Memphis encerrará o vínculo com o clube ao fim do contrato, sem renovação.

A estratégia do Corinthians: dividir o salário com parceiros

Para entender por que a saída da BYD é tão impactante, é preciso entender a lógica da negociação. O Corinthians não pretende — e provavelmente não consegue — arcar sozinho com o salário atual de Memphis Depay. A estratégia adotada pelo departamento de marketing do clube era encontrar patrocinadores dispostos a bancar pelo menos 50% da remuneração do atacante como contrapartida de visibilidade.

Segundo apuração do jornalista Thiago Rodrigues, a casa de apostas Esporte da Sorte já tem um acordo verbal para cobrir metade desse custo. O problema é a outra metade. Era exatamente essa fatia que a BYD deveria cobrir.

Com a montadora optando pelo Morumbi, o Corinthians voltou à estaca zero em busca de um segundo parceiro. E o tempo está passando: o contrato de Memphis expira em julho.

O status da negociação

✓ Memphis aceitou reduzir salário para ficar no Corinthians

✓ Esporte da Sorte tem acordo verbal para cobrir ~50% do salário

✗ BYD desistiu — fechou naming rights do Morumbi com o São Paulo

? Corinthians busca outro parceiro para cobrir os outros 50% restantes

⏱ Contrato encerra em 31 de julho de 2026

A escolha da BYD pelo Morumbi não é apenas um revés comercial para o Corinthians — é também um sinal de como as negociações de patrocínio no futebol brasileiro funcionam. A montadora chinesa, em expansão no Brasil, avaliou as duas propostas e optou pelo naming rights de um estádio, forma de patrocínio que oferece visibilidade permanente e valor de marca de longo prazo.

Para o Corinthians, a saída da BYD é especialmente amarga porque as conversas pareciam avançar. Segundo informações apuradas, as negociações chegaram a evoluir nos últimos dias antes de esfriarem abruptamente, quando a montadora sinalizou preferência pelo acordo com o rival. Ainda há, nos bastidores do clube, um certo otimismo de que a permanência de Memphis possa ser viabilizada por outro caminho — mas as peças precisariam se encaixar rápido.

O que Marcelo Paz disse sobre a renovação

Na semana passada, o executivo de futebol do Corinthians, Marcelo Paz, havia dado uma declaração que soava otimista. Em entrevista ao programa Derby Todo Dia, ele afirmou que Memphis havia entendido e aceitado que, para seguir no clube, o contrato precisaria ser consideravelmente menor do que o atual. A sinalização era de que o jogador estava disposto a abrir mão de parte do salário para continuar em Itaquera.

Paz também deixou claro, porém, que a renovação estava condicionada à chegada de parceiros comerciais. Sem eles, o clube não consegue fechar a conta — mesmo com Memphis aceitando um contrato reformulado. A saída da BYD tornou essa equação ainda mais difícil de resolver.

A Copa do Mundo no horizonte de Memphis

Enquanto o futuro no Corinthians segue indefinido, Memphis Depay tem outro compromisso no radar: a Copa do Mundo. A Holanda divulgará sua lista de convocados no dia 28 de maio, e o atacante vive a expectativa de estar entre os escolhidos para o torneio.

Esse fator complica ainda mais o cenário. Se Memphis for convocado — o que é bastante provável, dado seu nível técnico e seu histórico com a seleção holandesa — sua atenção nas próximas semanas estará dividida entre o clube e a preparação para o mundial. Negociar um novo contrato nesse contexto exige agilidade de ambos os lados, e o Corinthians ainda não tem a estrutura financeira para fechar o negócio.

O que Memphis representa para o Corinthians

Desde que chegou ao Parque São Jorge em setembro de 2024, Memphis Depay acumulou 77 jogos, 20 gols e 15 assistências — números que qualquer atacante do Brasileirão assinaria embaixo. Mais do que isso, ele levantou três taças pelo clube: a Copa do Brasil 2025, o Campeonato Paulista 2025 e a Supercopa 2026.

Para um clube que ainda carrega uma dívida bilionária e que entrou na rodada 15 do Brasileirão na zona de rebaixamento, ter um jogador desse nível no elenco é um diferencial enorme — tanto dentro de campo quanto na geração de receita com patrocinadores e visibilidade. Perder Memphis não seria apenas uma perda esportiva; seria também um recuo na narrativa de recuperação que o clube tenta construir.

É por isso que a diretoria insiste em buscar alternativas, mesmo com o tempo correndo e a BYD fora do jogo. A permanência do holandês continua sendo tratada como prioridade — mas, como disse Giovaneli, prioridade e viabilidade são coisas diferentes.

O que vem pela frente

O Corinthians tem pouco mais de dois meses para resolver a situação. O departamento de marketing segue em busca de uma marca que queira associar seu nome ao camisa 10 alvinegro — e que esteja disposta a bancar a fatia que a BYD deixou disponível. A tarefa não é impossível, mas ficou significativamente mais difícil.

Enquanto isso, Memphis joga, se prepara para a Copa do Mundo e aguarda. Por enquanto, não há sinalização de que ele recusou a proposta do clube — o problema é que a proposta, de fato, ainda não existe. Sem o patrocinador, não tem contrato. E sem contrato, o melhor jogador do Corinthians nos últimos dois anos pode encerrar sua passagem pelo clube de forma silenciosa, em julho, sem despedida à altura.

A Fiel torce para que o quebra-cabeça se encaixe...

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