Vasco 3 x 2 Corinthians: Timão joga bem, vira o placar, mas sofre apagão no fim e entra no Z-4

Corinthians vira contra o Vasco, mas sofre dois gols nos minutos finais e perde por 3 a 2 em São Januário. Veja a análise da derrota, as críticas às substituições de Seedorf e a entrada do Timão no Z-4.

Emerson Melo

10/24/2026

O Timão reage depois de sair atrás no placar, vira o jogo no segundo tempo e, durante boa parte da etapa final, dá a impressão de que estava muito mais perto de marcar o terceiro gol do que de sofrer o empate. Mas, quando faltavam poucos minutos para o apito final, tudo desmorona... Parece que a fase ruim não tem fim!

O Corinthians levou dois gols de Marino Hinestroza aos 42 e 44 minutos do segundo tempo e voltou para casa sem nenhum ponto. Uma partida que parecia encaminhada

para uma vitória importante na luta contra o rebaixamento terminou em mais uma frustração enorme para a Fiel. E o pior: além de perder, o Timão entrou na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

Confesso que está ficando difícil acompanhar esse roteiro. O Corinthians apresenta momentos de bom futebol, consegue criar oportunidades, mostra sinais de evolução sob o comando de Clarence Seedorf, mas simplesmente não consegue transformar isso em resultados. É aquela sensação de estar vendo o mesmo filme repetidamente: o time melhora, parece que vai conseguir reagir, mas alguma coisa acontece e a vitória escapa.

Corinthians reage no segundo tempo e consegue a virada

O Vasco começou melhor e abriu o placar aos 34 minutos do primeiro tempo. Depois de um cruzamento de Cuiabano pela esquerda, Hugo Souza não conseguiu encaixar a bola, Gustavo Henrique tentou afastar, mas ela sobrou para Puma Rodríguez, que finalizou para colocar os donos da casa em vantagem.

O Corinthians não conseguiu evitar que o Vasco fosse para o intervalo vencendo por 1 a 0. Mas o que aconteceu no início da segunda etapa parecia indicar que a história seria diferente.

Logo aos quatro minutos, Breno Bidon levantou a bola na área e Gustavo Henrique apareceu livre para cabecear e empatar a partida. Foi uma resposta rápida do Timão, que não demorou a encontrar o caminho do gol novamente.

Aos 11 minutos, veio a virada. Angileri tentou a finalização, mas o chute saiu torto e acabou encontrando Matheus Bidu, que desviou de peito e mandou para o fundo da rede. Um gol daqueles que fazia parecer que a sorte virava à nosso favor. O que parecia uma finalização sem direção acabou se transformando no gol da virada!

E foi justamente aí que comecei a acreditar que o Corinthians conseguiria sair de São Januário com os três pontos. O histórico recente do confronto também alimentava essa expectativa. O Vasco vinha sendo um dos principais fregueses do Corinthians nos últimos tempos.

Naquele momento, parecia muito mais provável o terceiro gol corinthiano do que um empate vascaíno. O time tinha conseguido mudar o cenário do jogo e demonstrava condições de aproveitar os espaços para matar a partida.

Só que o futebol não perdoa quando uma equipe deixa de aproveitar o momento favorável...

Seedorf recuou o Corinthians cedo demais?

Na minha opinião, o principal erro do Corinthians foi recuar muito cedo. E aqui entra uma questão que precisa ser discutida: as escolhas de Seedorf durante o segundo tempo.

Faltavam aproximadamente 20 minutos para o fim da partida quando o treinador começou a fazer mudanças que, na minha visão, tiraram do Corinthians boa parte de sua capacidade de criação. A impressão foi de que a prioridade passou a ser proteger o resultado, reforçando a marcação e abrindo mão de continuar atacando.

Eu entendo que jogar em São Januário, com aquela torcida empurrando o Vasco, não é uma tarefa simples. Os jogadores da equipe carioca seriam pressionados a buscar o empate até o último minuto, principalmente estando atrás no placar. Justamente por isso acredito que o Corinthians precisava continuar oferecendo perigo.

O time estava em um momento bom, tinha conseguido a virada e encontrava espaços para atacar. Por que abrir mão disso tão cedo? Naquele contexto, parecia muito mais interessante manter jogadores com capacidade de criação e tentar marcar o terceiro gol do que simplesmente entregar a iniciativa ao adversário.

Entre as mudanças, Charles entrou no lugar de Breno Bidon, Allan substituiu Rodrigo Garro e, mais tarde, Lingard entrou na vaga de Matheus Bidu, enquanto Gui Negão substituiu Yuri Alberto. Kaio César também entrou durante a etapa final, na vaga de Dieguinho.

Não estou dizendo que todas as substituições foram necessariamente erradas de maneira isolada. O problema, para mim, foi o efeito coletivo das alterações e a postura que o Corinthians assumiu depois delas. A equipe perdeu força ofensiva e passou a depender muito mais de sua capacidade de resistir à pressão vascaína.

Seedorf ainda está no começo do trabalho, e seria injusto ignorar os sinais positivos que o time apresentou desde sua chegada. Mas esse jogo também precisa servir de aprendizado. Não adianta conseguir jogar melhor, virar uma partida complicada e depois recuar tanto a ponto de permitir que o adversário cresça e passe a acreditar na virada.

Marino Hinestroza acaba com a festa corinthiana em dois minutos

O castigo veio nos minutos finais. Quando o Corinthians parecia próximo de confirmar uma vitória fundamental, Marino Hinestroza apareceu para mudar completamente o resultado.

Aos 42 minutos do segundo tempo, o atacante aproveitou uma sobra dentro da área e empatou a partida. Dois minutos depois, em uma jogada construída com David, recebeu a bola e marcou novamente, decretando a virada do Vasco.

Foram dois gols em um intervalo curtíssimo, justamente quando o Corinthians precisava de tranquilidade para administrar a vantagem. O time que estava vencendo por 2 a 1 passou a perder por 3 a 2 praticamente de uma hora para outra.

É difícil não ficar revoltado com uma situação dessas. O Corinthians tinha conseguido fazer o mais difícil, que era virar o placar fora de casa, mas não conseguiu sustentar a vantagem nos minutos finais.

E existe um detalhe que torna tudo ainda mais frustrante: Hinestroza ainda não havia marcado pelo Vasco. Justamente contra o Corinthians, o atacante colombiano desencantou e fez dois gols que garantiram a vitória vascaína.

A sensação é aquela que acompanha os clubes que estão brigando contra o rebaixamento: parece que tudo conspira contra. É uma verdadeira areia movediça, você faz esforço para sair e acaba afundando mais ainda...

Números mostram que o Vasco teve mais volume de jogo

Apesar de o Corinthians ter conseguido virar a partida, os números mostram que o Vasco teve maior domínio territorial e ofensivo durante o confronto.

De acordo com os dados estatísticos da partida, o time carioca terminou com aproximadamente 64% de posse de bola, contra 36% do Corinthians. O Vasco também finalizou 25 vezes, enquanto o Timão teve 12 tentativas. Foram oito finalizações vascaínas no alvo, contra quatro corinthianas.

Isso ajuda a entender por que a equipe da casa conseguiu pressionar durante boa parte do jogo. Mas também não apaga o fato de que o Corinthians esteve em vantagem e teve condições de administrar melhor o resultado.

O Timão conseguiu ser eficiente em seus momentos de maior força ofensiva, marcando dois gols em um intervalo de apenas sete minutos no segundo tempo. O problema foi não conseguir manter a organização e a capacidade de ameaçar o adversário depois de virar o placar.

A partida deixa uma lição importante para Seedorf: não basta encontrar uma maneira de fazer o Corinthians jogar melhor. É necessário também desenvolver uma equipe capaz de controlar diferentes momentos da partida, principalmente quando está em vantagem.

Derrota coloca o Corinthians na zona de rebaixamento

Se o resultado já seria ruim por si só, o impacto na classificação tornou a noite ainda pior. Com a derrota, o Corinthians permaneceu com 33 pontos e caiu para a 17ª colocação, entrando na zona de rebaixamento. O Vasco, por sua vez, chegou aos 38 pontos e subiu para a 13ª posição.

O cenário é preocupante porque o Corinthians vinha de uma sequência muito ruim no Campeonato Brasileiro. Antes do empate com o Vitória, a equipe havia acumulado oito derrotas consecutivas. Este empate encerrou a série de derrotas, mas não representou o início de uma recuperação consistente. Agora, com o revés diante do Vasco, o jejum de vitórias na competição chegou a dez partidas.

É justamente isso que torna a situação tão angustiante. O Corinthians não consegue aproveitar as oportunidades que aparecem para se afastar da parte de baixo da tabela, deixar escapar uma vitória como essa é um prejuízo enorme.

A luta contra o rebaixamento exige regularidade, concentração e capacidade de suportar a pressão (muitas vezes é mais psicológico do que futebolístico). E, neste momento, o Timão está demonstrando dificuldades justamente nesses aspectos.

Acredito no trabalho de Seedorf, mas a situação está ficando insustentável

Apesar da revolta com o resultado e das críticas às substituições, não quero simplesmente colocar toda a responsabilidade em Seedorf. Continuo gostando de alguns aspectos do futebol que o Corinthians vem apresentando desde sua chegada. É possível perceber tentativas de implementar suas ideias e uma movimentação diferente em determinados momentos.

Mas o treinador também precisa entender que o Corinthians não está em uma situação que permita desperdiçar pontos dessa maneira. A equipe precisa aprender a competir durante os 90 minutos, principalmente quando consegue construir uma vantagem.

Não adianta jogar bem durante parte da partida e depois perder o controle. Não adianta criar oportunidades e não conseguir matar o jogo. E, principalmente, não dá para permitir que um adversário consiga marcar dois gols nos minutos finais depois de o Corinthians ter passado tanto tempo em vantagem.

A torcida está cansada de ver o time apresentar sinais de melhora sem conseguir vencer. É frustrante perceber que existe alguma evolução, mas olhar para a tabela e vendo o Corinthians cada vez mais ameaçado.

Ainda acredito que dá para escapar dessa situação. Não vou entrar para a turma que já joga a toalha (o famoso já caiu) porque enquanto houver possibilidade matemática, vou continuar acreditando. Mas seria desonesto dizer que não estou preocupado. A situação está muito complicada, e o Corinthians precisa reagir imediatamente.

E você, torcedor, também acredita que Seedorf errou ao recuar o time tão cedo? Ou acha que a responsabilidade pela virada do Vasco está mais nos jogadores e na falta de concentração nos minutos finais? Deixe sua opinião nos comentários do vídeo ou em alguma das minhas redes sociais pra eu saber. Porque, sinceramente, depois de uma derrota dessas, fica difícil encontrar explicação.

Vai, Corinthians!

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