
Yuri Alberto perde gol inacreditável, Corinthians eempata camisa 9 confirma troca de empresário
Com duas chances claras desperdiçadas no Campeón del Siglo, Yuri Alberto virou o maior assunto da noite — dentro e fora de campo. O pai agora cuida da carreira. André Cury ficou para trás.
Emerson Melo
5/21/2026
O Corinthians empatou 1 a 1 com o Peñarol e se classificou em primeiro no Grupo E da Libertadores. Ótima notícia. A outra notícia da noite é que Yuri Alberto teve duas chances claras de vencer o jogo — e não aproveitou nenhuma. Depois, na zona mista, confirmou que não tem mais empresário. Uma quinta-feira e tanto.
Vamos começar pelo que importa: o Corinthians está classificado às oitavas de final da Copa Libertadores 2026. Em primeiro lugar no Grupo E,
invicto, com 11 pontos em cinco jogos. Esse é o resultado objetivo da noite de quinta-feira no Campeón del Siglo, em Montevidéu — e é um resultado excelente para um clube que ainda briga para sair da zona de rebaixamento no Brasileirão.
Dito isso, é impossível não falar de Yuri Alberto. Porque a partida poderia ter terminado em vitória — e não terminou por culpa exclusiva do camisa 9, que desperdiçou as duas maiores chances do jogo no segundo tempo. E depois, na zona mista, como se a noite precisasse de mais um capítulo, confirmou que rompeu com André Cury, seu empresário de longa data, e que agora é o próprio pai quem administra sua carreira.
Como foi o jogo: Labyad salva, Yuri desperdiça
O Peñarol abriu o placar no primeiro tempo com Maxi Oliveira, de cabeça em escanteio cobrado por Trindade — gol em bola parada, a maior fraqueza defensiva do Corinthians nas últimas semanas. O time uruguaio ainda teve um segundo gol anulado por impedimento de Umpiérrez no início da jogada, o que deu fôlego ao Timão para chegar ao intervalo ainda vivo.
No segundo tempo, o Corinthians voltou melhor. Aos 17 minutos, Kaio César cruzou, Pedro Raul desviou, o goleiro Aguerre fez a defesa, e no rebote apareceu Zakaria Labyad para empurrar para as redes. 1 a 1 — o marroquino marcou um gol importante e ainda pediu, depois do apito final, que Memphis Depay ficasse no clube. Momento bonito numa noite difícil.
Mas a vitória estava nos pés de Yuri Alberto — e ficou lá. Aos 47 minutos, o camisa 9 recebeu lançamento em profundidade, passou por dois defensores com uma arrancada individual que empolgou os torcedores que assistiam, ficou cara a cara com Aguerre... e bateu sem força, direto para o goleiro. Aos 50, em nova oportunidade dentro da área, finalizou completamente fora. A bola saiu pela linha de fundo, e a câmera mostrou Yuri com as mãos na cabeça.
Fernando Diniz foi sincero na entrevista pós-jogo: "perdemos muitos gols". Não há como discordar.
A seca de Yuri Alberto: um problema que não passa
Não foi uma noite isolada. Yuri Alberto vive um período de seca que vai além dos números — é uma questão de confiança e de tomada de decisão no momento da finalização. Em 2026, o atacante soma sete gols e duas assistências em 25 partidas, sendo que entrou como titular em boa parte delas. Para um centroavante do seu nível e com o salário que recebe — o segundo maior do elenco, atrás apenas de Memphis Depay — o rendimento está aquém do esperado.
O episódio contra o Peñarol foi especialmente doloroso porque as duas chances eram limpas. Na primeira, ele passou por dois marcadores com qualidade e chegou em boa posição — mas na hora da finalização, o instinto falhou. Na segunda, dentro da área com espaço, mandou para fora sem pressão real da marcação. São os gols que um centroavante de alto nível precisa converter para justificar sua titularidade num grande clube.
A torcida não perdoou. Nas redes sociais, o nome de Yuri Alberto dominou as menções ao Corinthians durante toda a madrugada. "Irritante", "inaceitável" e "precisa sair logo" foram alguns dos comentários mais repetidos. O sentimento é contraditório: a mesma torcida que o defende quando ele marca é impiedosa quando ele desperdiça — e ontem, desperdiçou duas vezes em dez minutos.
A bomba da zona mista: André Cury está fora
Se a atuação já daria assunto, o que veio depois na zona mista abriu um novo capítulo na novela. Questionado sobre seu futuro e sobre as declarações que havia feito após a vitória sobre o Barra-SC — quando admitiu querer sair do clube na janela de julho — Yuri Alberto confirmou o que já circulava nos bastidores: André Cury não é mais seu empresário.
O próprio jogador foi quem revelou a mudança, de forma direta e sem rodeios. Segundo ele, seu pai, Carlos Alberto, é quem está à frente da gestão da carreira a partir de agora. A frase veio embalada numa tentativa de acalmar os ânimos: "prefiro ficar na nossa e não criar mais polêmicas".
Só que a declaração, na prática, é uma polêmica em si. Trocar de empresário às vésperas de uma janela de transferências importante, com o jogador explicitamente interessado em ir para a Europa, é um movimento de alto risco. André Cury, por mais que a relação tenha se desgastado, tinha contatos e estrutura para conduzir negociações no exterior. O pai de Yuri, agora responsável pela carreira do filho, precisará mostrar a mesma capacidade num cenário bem mais complexo — com Zenit segurando os outros 50% dos direitos, com o Corinthians pedindo no mínimo 20 milhões de euros e com a janela abrindo em julho.
O que Yuri Alberto disse na zona mista
"Não, eu junto do meu staff, meu pai, que é meu representante agora, a gente prefere ficar na nossa e continuar fazendo meu trabalho pra não criar mais polêmicas."
O que a ESPN apurou: a ruptura com Cury
A ESPN apurou que a relação entre Yuri Alberto e André Cury chegou a um ponto de ruptura definitiva. O empresário, que vinha enfrentando dificuldades para trazer propostas concretas da Europa pelo atacante — mesmo depois de Yuri tirar a cidadania italiana no início do ano — perdeu a confiança do jogador e da família. A briga judicial de Cury com o Zenit, que complica qualquer negociação futura, também pesou na decisão.
Com a saída de Cury, o cenário para uma transferência no meio do ano ficou ainda mais nebuloso. O empresário era o principal elo entre o jogador e o mercado europeu. Sem ele, o processo precisará ser reconstruído do zero — e julho está chegando rápido.
Diniz defende Yuri — mas o problema é real
Fernando Diniz não abandonou o jogador após a partida. O técnico disse que continua passando confiança ao camisa 9 e que acredita no retorno ao melhor nível. "É o que o atacante de grande time precisa", foi a linha adotada pelo treinador.
Só que há uma contradição crescente nessa relação. Diniz disse, semanas atrás, que não quer perder Yuri Alberto na janela de julho — chegou a afirmar que "não podemos perder" o jogador. Ao mesmo tempo, Yuri declarou publicamente que quer sair, trocou de empresário e está com a cabeça dividida entre o Corinthians e um destino europeu. Como se mantém a confiança técnica num jogador que mentalmente já pode estar de saída?
A resposta, por enquanto, é que o Corinthians não tem alternativa. Pedro Raul não emplacou. Gui Negão ainda não convenceu no profissional. Kaio César, que apareceu bem contra o Peñarol, é uma opção, mas ainda não tem o perfil de titular absoluto que o sistema de Diniz exige. Até que chegue um substituto à altura — ou até que a saída de Yuri se concretize — o camisa 9 segue sendo o centroavante do Corinthians, goste ou não.
O lado positivo: classificação em primeiro e Labyad em evidência
No meio de tanta turbulência, é justo destacar o que funcionou. O Corinthians terminou a fase de grupos da Libertadores em primeiro lugar no Grupo E — resultado que garante um chaveamento mais favorável nas oitavas de final e mantém o clube vivo numa competição que representa receita importante para as contas do clube.
Zakaria Labyad foi o nome positivo da noite. O marroquino entrou bem, marcou o gol do empate e ainda demonstrou afeto genuíno pelo clube ao pedir publicamente a permanência de Memphis Depay. Num vestiário cheio de incertezas sobre o futuro, esse tipo de atitude tem valor.
Mas o tema do dia, inevitavelmente, é Yuri Alberto. Dois gols perdidos. Um empresário trocado. Uma janela de transferências se aproximando. E um técnico que insiste em confiar num jogador que parece já ter a cabeça em outro lugar. O Corinthians classificado é a boa notícia. O Yuri Alberto de cabeça dividida é o problema que ninguém sabe ainda como resolver.

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