Yuri Alberto quer sair do Corinthians, clube pede R$ 128 milhões e Diniz já exige substituto

Yuri Alberto surpreendeu ao revelar desejo de deixar o Timão na próxima janela — mas a negociação envolve Zenit, briga judicial e um acordo apalavrado desde julho do ano passado

Emerson Melo

5/15/2026

O gol contra o Barra foi lindo. A entrevista depois foi uma bomba. Yuri Alberto quebrou o jejum em campo e, em seguida, anunciou que quer deixar o Corinthians no meio do ano. Os bastidores do clube não gostaram — e o processo para uma saída é mais complicado do que parece.

O centroavante marcou na quinta-feira, quebrou um jejum de nove jogos e levou 32 mil pessoas ao delírio na Neo Química Arena. Minutos depois, na zona mista, acendeu um incêndio nos bastidores: admitiu publicamente

que quer ser negociado na próxima janela de transferências, aberta entre 20 de julho e 11 de setembro. Cinco temporadas, 230 jogos, 82 gols — e agora um pedido de saída que pegou o clube de surpresa, mesmo que a história por trás seja mais antiga do que parece.

O acordo que existia desde julho de 2025

A declaração de Yuri Alberto foi pública e impactante, mas o desejo de sair não é novo. Segundo apuração do ge, havia um acordo apalavrado desde julho do ano passado entre o presidente Osmar Stabile, o empresário André Cury e o próprio atacante: se chegasse uma proposta atrativa, o Corinthians estaria disposto a negociar.

O próprio Stabile confirmou a existência desse combinado ao ge, na noite de quarta-feira — antes mesmo das declarações bombásticas do jogador após o jogo. O presidente foi direto: se o atleta não quer ficar, não tem como segurá-lo. A questão é o valor da proposta.

Dias antes da partida contra o Barra, o próprio Yuri já havia dado sinais ao ser questionado no CT Joaquim Grava. Enigmático, disse que estava tranquilo e que o que tinha para conversar já havia sido conversado com o presidente — e que esperava que ele cumprisse o que havia prometido. A frase ficou no ar. Depois do jogo, virou declaração aberta.

O que Yuri Alberto disse — e por que gerou mal-estar

Na zona mista após a classificação, o camisa 9 não deixou margem para interpretação. Disse que foram cinco temporadas, que conversou com seu estafe e com o presidente, e que seu pedido era claro: a partir do meio do ano, quer buscar um novo desafio. Mencionou a Copa do Mundo como janela de tempo — o torneio começa no dia 11 de junho, no Canadá, Estados Unidos e México — e disse que até o final da competição haveria quase dois meses para tentar resolver a situação.

Nos bastidores, porém, a repercussão foi negativa. Fontes ouvidas pela ESPN indicaram que a declaração pública gerou uma pressão desnecessária sobre a diretoria e, paradoxalmente, pode prejudicar o próprio jogador: ao se colocar abertamente no mercado, Yuri Alberto enfraquece a posição de negociação do clube — e a sua própria. Qualquer comprador sabe, agora, que o atacante quer sair. Isso tira poder de barganha de quem vende.

A declaração também aumentou a pressão sobre André Cury, empresário do jogador, que segundo fontes próximas ao atleta já vinha enfrentando dificuldades para trazer ofertas concretas da Europa.

O que Yuri Alberto disse

"Como foi um pedido meu, que eu queria, a partir desse meio do ano, buscar novos objetivos. Até o final da Copa do Mundo, a gente vai ter quase dois meses para tentar resolver isso."

"Querendo ou não, abre um leque muito grande com essa possibilidade de ser convocado pela seleção da Itália. E, por eu ser italiano, eu não roubo vaga de estrangeiro na Itália. É sempre uma estratégia, quem sabe."

A Itália como destino, a cidadania como estratégia

No início de 2026, Yuri Alberto viajou à Itália para tirar a cidadania italiana — um movimento estratégico e calculado. Com o passaporte europeu, ele deixa de ocupar uma vaga de estrangeiro em qualquer clube do Velho Continente, o que amplia consideravelmente o leque de interessados e facilita eventuais negociações.

O atacante foi além e revelou o sonho de disputar a Copa do Mundo pela seleção italiana — um país que não se classifica para a competição há três edições consecutivas e que tenta se reconstruir. A declaração tem peso: ao vincular sua saída ao projeto de jogar pela Azzurra, Yuri sinaliza que o destino preferido é a Série A italiana, não qualquer liga europeia.

Roma e Lazio já fizeram propostas pelo atacante no passado — R$ 190 milhões e R$ 150 milhões respectivamente, pela totalidade dos direitos. As duas foram recusadas. Fenerbahçe, da Turquia, também tentou com R$ 112 milhões. Nenhuma chegou ao patamar exigido pelo Corinthians.

O nó: Corinthians pede R$ 128 milhões, mas o Zenit complica tudo

O Corinthians possui 50% dos direitos econômicos de Yuri Alberto. Para negociar essa fatia, o clube mantém uma pedida firme de 22 milhões de euros — cerca de R$ 128 milhões segundo a ESPN, ou R$ 115 milhões conforme o ge, a depender da cotação do momento. O ge apurou que o valor mínimo seria 20 milhões de euros. De qualquer forma, qualquer comprador precisa desembolsar pelo menos essa quantia só para a parte do Timão — e ainda precisará negociar com o Zenit.

É aí que o processo se complica de verdade. O clube russo detém os outros 50% dos direitos do atacante — e não está com o menor humor para facilitar as coisas. O motivo é uma briga judicial: André Cury, empresário de Yuri, venceu uma disputa contra o Zenit por comissões relacionadas ao jogador. Como forma de retaliação, os russos sinalizaram que vão fazer jogo duro em qualquer tentativa de venda, mesmo sendo um clube financeiramente estável e sem pressa para vender.

O resultado prático é que qualquer interessado em Yuri Alberto não está comprando de um vendedor — está comprando de dois, sendo que um deles está ativamente contrariado. Isso torna o processo mais lento, mais caro e potencialmente afasta clubes que não têm apetite para esse tipo de negociação complexa.

O mapa da negociação

Direitos (Corinthians) 50% · pedida mínima de ~R$ 115–128 mi

Direitos (Zenit) 50% · dispostos a dificultar por briga judicial

Propostas recusadas Roma (R$ 190 mi), Lazio (R$ 150 mi), Fenerbahçe (R$ 112 mi)

Contrato Válido até 22 de julho de 2030

Janela de transferências

20 de julho a 11 de setembro de 2026

Diniz já pede substituto — e o clube ouviu

Fernando Diniz não esperou a novela se resolver para agir. Segundo o portal Bola Vip, o treinador já comunicou à diretoria que precisa de um novo centroavante, e o clube respondeu colocando essa contratação no topo da lista de prioridades para a janela.

A necessidade não é novidade. Com a possibilidade de saída de Memphis Depay — outro capítulo complicado no mercado corintiano — e o mau momento vivido por Yuri antes do gol contra o Barra, a diretoria já estudava reforçar o setor. As declarações do camisa 9 aceleraram o processo.

As opções internas não animam. Pedro Raul chegou ao Corinthians com expectativa, mas ainda não conseguiu se firmar. Gui Negão foi bem nas categorias de base, mas não convenceu desde que subiu ao profissional. Para o nível de exigência que Diniz impõe ao seu centroavante — mobilidade, participação na saída de bola, pressão alta — é preciso alguém diferente dos dois.

O que os números dizem sobre Yuri Alberto no Timão

Independente de como a novela terminar, é difícil subestimar o legado de Yuri Alberto no Corinthians. Desde que chegou, em 2022, são 82 gols e 22 assistências em 230 partidas — números que qualquer grande clube brasileiro pagaria caro para ter. Nesta temporada, mesmo vivendo um jejum que só foi encerrado contra o Barra, soma seis gols e duas assistências em 24 jogos.

Ele é atualmente o segundo maior salário do elenco, atrás apenas de Memphis Depay. E é, junto com Garro, o jogador mais importante do sistema de Diniz. Perdê-lo sem uma reposição à altura seria um baque técnico difícil de absorver — especialmente com o Corinthians ainda brigando para sair da zona de rebaixamento no Brasileirão.

O que vem pela frente

As peças estão todas no tabuleiro, mas nenhuma se moveu ainda de verdade. Yuri quer sair. O Corinthians quer valor justo. O Zenit quer complicar. O empresário tenta encontrar propostas europeias. E Diniz já se prepara para um cenário sem seu centroavante titular.

A Copa do Mundo começa no dia 11 de junho. A janela de transferências abre no dia 20 de julho. Entre essas duas datas, o futuro de um dos maiores artilheiros da história recente do Corinthians provavelmente será definido — para o bem ou para o mal da Fiel.

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